Vírus & Verme – Parte 2, por Rui Daher

Estranha equipe, esta do BRD. Convoca reunião de pauta para a madrugada, 11 horas, de um domingo ensolarado.

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Vírus & Verme – Parte 2, por Rui Daher

 

Estranha equipe, esta do BRD. Convoca reunião de pauta para a madrugada, 11 horas, de um domingo ensolarado, eu confuso com as regras do rodízio paulistano, ligo para um amigo para perguntar se domingo é par ou ímpar.

– Depende se o sábado é par ou ímpar. Um vem depois do outro, não? Bebeu?

– Uma cidra que Pestana esqueceu na Redação.

– Congestão, claro. E por que não foi andando para casa? Não fica longe.

– Não encontrava a máscara. Quis improvisar uma com o lenço, mas na Redação toda não fui capaz de encontrar elásticos. Tentei furador, grampeador, clips, mas nada funcionou. Preferi dormir.

– Vou aí te levar uma máscara.

– Deixa. Não posso sair. Reunião de pauta antes do almoço. Todos aqui. Obrigado: “Amigo é pra essas coisas”.  

– Uiiii. Doeu. Lembrou-me do Sinval Silva Jr., e do Aldir Blanc.

Desligamos. 12:30 e ninguém. Fome e sede começam a chegar, menos eles. Nem uma porra de um saquinho de amendoim. Além de mim, por instruções do GGN, somente confio a chave ao segurança Everaldo. Campainha não usamos. Ninguém pode saber de onde saem nossas matérias. Arrisco-me até a porta, e pelas frestas diviso Nestor e Pestana. Ausente apenas o armário Everaldo. Abro.

– Porra!

– Não filosofa! Estamos aqui há uma hora e desde então o Everaldo liga que tá chegando e não aparece. Dificuldade com o tamanho da máscara. As do Mandrake e do Fantasma parece não terem sido aprovadas pelas autoridades.

– Convenhamos que, realmente, não atendem às recomendações ante tosses, espirros e perdigotos. E você, Nestor, acabou aceitando a do Batman?

– Não percebeu que estou usando óculos de sol e cortei os dois chifrinhos?

– É pode servir de tema para o enredo da Vai-Vai, no próximo Carnaval, “Robin parou de chifrar o Batman que o trocou pelo Coringa”.

A porta se abre, desta vez por ação de uma, sim, odalisca. Everaldo resolveu tamanho e proteção. Da cabeça aos joelhos, um pano de cetim grená descia por seus 143 quilos. Na verdade, 128, havia que se descontar que não chegava aos seus pés.

Pestana, máscara convencional, porém com o desenho de um militar em posição de continência (sempre precavido), foi logo dizendo:

– Não temam. Trouxe os víveres. O tempo que durar nossa quarentena estaremos comidos e liquidificados.

Todos aplaudimos e seguimos para a sala principal da Redação. A outra é um pequeno banheiro.

– Nestor, a convocação foi sua? Quais pauta e furo?

– Uma ligação do Harmônica que não quis revelar sua localização, mas como o assunto é meio indigesto, seria melhor comermos uns torresminhos e abrir aquela salineira, para depois digerir melhor o baque.

Todos concordaram.

 

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