Vitórias de Lula no STF. Independência do Brasil bancarrota, por Armando Coelho Neto

A divulgação da delação de Palocci é prova de parcialidade de Moro, que pode, sozinha, anular todas as sentenças de Curitiba contra Lula.

Vitórias de Lula no STF. Independência do Brasil bancarrota

por Armando Rodrigues Coelho Neto

“Todas as minhas sentenças foram legitimadas por instâncias superiores”. É o que diz um ex-juiz, herói Zé Roela da Globo, tentando defender os crimes cometidos pela Farsa Jato, a maior tramoia jurídica da história. O bordão golpista é a arma do golpe contra o “Com Supremo e tudo” de Jucá.

O bordão do carrasco de Lula também serviu ao jornalismo lacaio da Globo, Veja, Estadão, Folha, Jovem Pan e seus asseclas, para desconcertar o então candidato Fernando Haddad, nas ditas “eleições” presidenciais de 2018. Eles perguntavam: seria um conluio judicial contra o ex-presidente Lula?

É claro que houve, o jornalismo lacaio sabia que sim, mas na guerra contra Lula/PT era importante desqualificar Haddad. Seus planos para economia, de onde viriam recursos para uma sociedade inclusiva, se os brasileiros queriam uma sociedade com ou sem direitos eram/são dados irrelevantes.

Obviamente, Haddad não poderia responder que sim, e, genericamente, dizia que direitos fundamentais de Lula foram afrontados e que ainda haveria recurso. Também não adiantaria tentar reverter em segundos o enxovalho e desqualificação moral produzidos com selo da Farsa Jato/mídia

Sob aparente chantagem e ou eterna vigilância da capitã do mato das elites brasileiras (Forças Armadas), os sucessivos adiamentos dos recursos do ex-presidente Lula pelo STF eram sintomáticos da fraude. Os adiamentos eram usados até para frear mobilizações, criando esperança para o mês que vem.

Golpe em curso, Paulo Guedes passa sua boiada, seus amigos já compraram créditos do Banco do Brasil a preço de banana, e o jornalista Luis Nassif está censurado. País em bancarrota, doméstica já não vai à Disney, dólar nas alturas, tem granada no bolso do servidor público, pandemia é gripezinha…

Portanto, Lula já pode ganhar algumas!

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Seus prazos processuais roubados pelo STJ num julgamento passa-boiada virtual foram reestabelecidos em abril pelo ministro Edson Fachin, conhecido como “Aha hurru”, por ser “deles”. Leia-se, de um ex-juiz lambaio e de procuradores trambiqueiros da República de Curitiba.

Por quebra de imparcialidade, em agosto o STF anulou sentença do ex-juiz Moro, no Caso Banestado, uma roubalheira que ele já esqueceu. Como se pode ver, a truculência judicial não é de hoje, e desse modo ventos sugerem a recomposição da ordem, no moralismo decadente das elites.

Dias atrás, Lula obteve nova vitória TRF1, que trancou por unanimidade ação fruto da Operação Janus (desdobramento da Farsa Jato).  Sem provas, Lula foi acusado de receber vantagem da Odebrecht por meio de palestras, cuja legalidade fora atestada pela própria PF, em 2019. Foi a quinta vitória.

Em nota, a defesa de Lula lembrou a absolvição dele nos casos “Quadrilhão do PT”, no da suposta “Obstrução de justiça” (Delcídio do Amaral), “Caso Frei Chico” (propina da Odebrecht) e “Invasão do Tríplex”. Nesse último, militantes ocuparam o tal imóvel para filmar as mentiras da Farsa Jato. A propósito, há três dias, em decisão unânime, a 8ª Turma do TRF4 disse, por extensão, que a 13ª Vara de Curitiba não teria competência para julgar o caso tríplex.

Com nítidos propósitos criminosos, tais processos ajudaram a alimentar o imaginário de ódio contra o PT, mais especificamente contra Lula. De pai dos pobres ele virou petralha, com seu nome associado a um esgoto, por onde o Jornal Nacional destilava seu ódio aos excluídos que Lula quis incluir.

A divulgação da delação de Palocci é prova de parcialidade de Moro, que pode, sozinha, anular todas as sentenças de Curitiba contra Lula. Foi divulgada seis dias antes da fraude eleitoral de 2018 e, quatro dias depois, Moro se tornou ministro do vencedor. Flagrante politização da justiça.

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O viés político-judicialesco da Farsa Jato não pode ser visto isoladamente, e sim no contexto das hostilidades praticadas contra Lula. Nunca se explicou sua condução coercitiva, nem o grampo ilegal de Dilma (cujo teor foi editado), e que foi decisivo para impedir que ele não se tornasse ministro.

Se aceitasse ser ministro, Lula sairia das garras de seu algoz, o qual na intimidade e ou nas relações promíscuas com delegados e procuradores federais, de forma grotesca, tratava sua presa pelo jocoso apelido de “Nine” (nove em inglês) numa alusão ao fato de Lula ter um dedo a menos.

Toda conduta suspeita foi provada pelos jornalistas do The Intercept e colaboradores. Apressadamente, também com apoio da Globo et caterva, tentou-se criminalizar as revelações. No entanto, a divulgação das declarações de Palocci dão suporte ao todo da inequívoca parcialidade.

Marcado pelo ódio político e preconceituoso, o ex-juiz da causa perseguiu Lula até mesmo de férias e já não tinha mais vínculo com o processo do tríplex. Quando o desembargador Rogério Favreto mandou soltar Lula, o assunto era da competência da Vara de Execuções (12ª VF/Curitiba).

Bom lembrar que um PowerPoint criminoso, num jogo virtual, holográfico e semiótico caricaturou a figura do Lula delinquente. O julgamento de seus responsáveis foi vergonhosamente adiado por 42 vezes, criando condições para a prescrição, também e mais uma vez com ajuda da Corte Suprema.

Por meio de ação ou omissão, o STF foi cúmplice e não é leviano supor segundas intenções. Mas, sinaliza querer resgatar a Constituição e a Democracia.

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O STF age na base do agora é tarde, Inês é Morta, no que diz respeito ao golpe/2016. Não pode ou não quer reverter o golpe, sob ameaça ou pressão das baionetas. Será? Mas, pode restituir, até em nome das aparências, os direitos políticos do ex-presidente Lula, inelegível até 2035.

As forças golpistas de ocasião estão arrependidas. Têm vergonha do Bozo que corrói a imagem do herói coió da Farsa Jato. Então, quem sabe, com Lula seja mais fácil enfrentar o fascismo e salvar o que sobrar de Brasil?

Armando Rodrigues Coelho Neto – jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo.

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6 comentários

  1. O advento do Mentirão, filho temporão e híbrido (aqui, estéril) da Farsa Jato representou a incepção do sequestro do Estado, pelas mesmas forças de ´54 (mídia, milicos, togas e, como sempre, os eternos IBAD´s).
    Jamais sairemos desse feitiço temporal; não possuímos uma elite, mas meros mascates da xepa Brasil.
    A ser verdade o aforismo de a história se repetindo como farsa, a condenação pantomima de Lula sobrepujou, em todos os níveis de desonestidade antijurídica, o Caso Dreyfus original.

  2. “Então, quem sabe, com Lula seja mais fácil enfrentar o fascismo e salvar o que sobrar de Brasil?”
    Sempre defendi esta tese, e tenho certeza que a vitoria passa por obter um verdadeiro mea culpa das instituições e empresas de comunicação citadas no artigo. Afinal, um estrategista não escreveu que “derrotar o inimigo usando aqueles que se mostraram nossos inimigos torna a vitoria duradoura”?

    E prezado Sr. Armando; ótimo contar com seus artigos neste espaço. Existissem mais uns 20 como o senhor nas polícias não estariamos neste esgoto.

  3. Armando muito bom ler seus textos , pois é uma recapitulação desse capítulo triste da nossa historia atual: os motivos , as consequências e o prenúncio do que ainda virá por parte dessa Gente Golpista… , asquerosa…

    …”Toda conduta suspeita foi provada pelos jornalistas do The Intercept e colaboradores. Apressadamente, também com apoio da Globo et caterva, tentou-se criminalizar as revelações. No entanto, a divulgação das declarações de Palocci dão suporte ao todo da inequívoca parcialidade.”

    é isso , mas é contra o #lula e, daí vai passando a b o i a d a…
    UMA LEI apenas para o LULA …
    Inté a próxima segunda feira!

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