Xadrez do amor hétero de Bolsonaro por Trump, por Luis Nassif

Índio não quer apito: quer apenas a oportunidade de um olhar embevecido no grande Deus loiro

Um pequeno Xadrez sobre a diplomacia de Bolsonaro.

Peça 1 – o recorde de encontros

Jair Bolsonaro vai para os Estados Unidos. Seus porta-vozes correm para alardear que pretende se encontrar com o presidente americano Donald Trump pela quarta vez em 9 meses.

Não há caso conhecido de Chefe de Estado que se encontra com o Presidente dos Estados Unidos por 4 vezes em menos de um ano. É recorde mundial.

São encontros forçados, a pedido, para mostrar admiração e subserviência, um gesto desprezível para um país com o tamanho e o peso histórico do Brasil.

Peça 2 – os temas do encontro

Não há um assunto que justifique um novo encontro com Trump. Fontes do Palácio alardearam que o encontro será para tratar do acordo comercial com os Estados Unidos.

Blefe! Um acordo dessa natureza exige tratativas que levam anos e ocorrem nas burocracias especializadas, as Secretarias do Tesouro, de Estado, do Comércio, o USTR. Do lado brasileiro, com o Itamaraty, Economia, Agricultura.

É evidente que não é tema para reuniões preliminares de presidentes.

Peça 3 – a inoportunidade do encontro

No momento, Trump está em confronto com dois grandes clientes do Brasil: China e Irã. Alisando Trump, a mensagem que Bolsonaro passa para o mundo, e para os demais parceiros comerciais, é a pior possível.

Além disso, Trump está em plena campanha de reeleição duvidosa, em meio a uma mega crise geopolítica que ele mesmo provocou com o Irã, com repercussões sérias na Europa, Rússia e China.

Qual o significado do Brasil se amarrar tanto a um presidente que poderá cair nas próximas eleições?

Peça 4 – o amor hetero

Por tudo isso, a impressão que se tem é que a motivação de Bolsonaro não é a ONU, que ele despreza e onde provavelmente correrá risco de ser alvo de um protesto silencioso dos representantes de nações civilizadas. É ver Trump, que ele ama, pela quarta vez em um ano.

Amor hétero, é claro, que é o que une dois machões empedernidos. Índio não quer apito: quer apenas a oportunidade de um olhar embevecido no grande Deus loiro.

 

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