Por Waldyr Kopezky
Vou contar uma historinha que já contei aqui – mas sempre é bom relembrar:
Em 1994, encerrava-se um ciclo de dez anos que a UNESCO havia determinado para seu programa de auxílio para a erradicação mundial do analfabetismo. Desde 1984 (e pelos dez anos seguintes), o Brasil recebeu uma boa quantia anual do órgão das Nações Unidas para investir na sua rede de ensino público e torná-la mais eficaz, qualificando seus profissionais, modernizando sua estrutura e atraindo mais crianças para as salas de aula. Varios países ao redor do mundo também tiveram este estímulo por parte da UNESCO.
Porém, a partir de 1994 o programa passaria para sua fase dois – a de condicionar os repasses de dinheiro à apresentação pelos governos de dados estatísticos que comprovadamente mostrassem um avanço nos sistemas de ensino público do país – aumento de crianças na primeira série, médias de notas adequadas, diminuição na porcentagem de repetências, evasão de alunos e por aí vai.
O recém-eleito governo de FHC (e não por culpa dele, neste momento) não tinha em mãos resultados que mostrassem melhoras e bons números, em quase nenhum índice educacional – e corria o risco de ver a “torneira” da UNESCO fechar-se para o Brasil. Além disso, toda a rede de ensino público estava passando por mudanças profundas, fruto do novo processo de reorganização de responsabilidades das esferas de governo (mun., est. e federal) determinadas na recente Constituição Federal de 1988 e nas ainda mais recentes constituições estaduais (já aprovadas ou ainda em processo de formulação). O que fazer, então?
Numa reunião da presidência com vários membros do governo federal e dos estados, Mário Covas (gov. de SP) propôs uma solução mágica (coisa de político, mesmo!) para o iminente fim dos recursos internacionais – mas que se revelaria uma catástrofe completa com o passar dos anos: a Progressão Continuada! Pegava-se um sistema de ensino consagrado, de um educador respeitadíssimo (Paulo Freire), com um conceito inovador e humanista (o Construtivismo) e implantava-se isso na rede pública. Ninguém iria se opor a isso – fossem educadores, gestores da área educacional ou políticos.
E foi feito. Com isso implementado, os índices de aprovação foram às alturas, os de repetência quase zeraram e as avaliações (notas) tiveram também um crescimento exponencial – o relatório anual do MEC à UNESCO apresentado sob o novo sistema mostrava resultados excepcionais, e o órgão viu nele a justificativa para prosseguir com o envio anual ao País da verba de auxílio contra o analfabetismo. Bom, né?
Não. Foi um horror: a implementação do sistema construtivista (excelente, conceitualmente) quebrou com um regime e um modus operandi de décadas que condicionava a aprovação a um esforço do aluno para atingir um nível nas provas regulares, mensurado por níveis (zero a dez, A a D, o que fosse); agora, os critérios eram subjetivos (insuficiente, regular, bom e muito bom) que eram dados não mais pelo índice de acertos em exames periódicos (que foram abolidos, pouco a pouco) mas também numa avaliação mais ampla do educador, que levava em consideração ainda outros dados muito menos mensuráveis (participação em aula, interesse, envolvimento, comparecimento, socialização, etc.).
Pior: tal mudança teria de ter sido feita com a preparação prévia dos educadores para este novo sistema – que abolia não só os critérios, mas também as ferramentas de pressão e persuasão dos professores para incutir em seus alunos a necessidade do estudo regular e sistemático (bem como do necessário estímulo) para a superação das dificuldades e limites impostos pela instituição para a a passagem de ano. Todo mundo passava – não importava se havia aprendido ou não. Com o passar dos anos, tanto educadores quanto educandos começaram a nutrir pelo novo processo de ensino (e seus péssimos resultados efetivos) um desencanto que logo tornou-se indiferença e desdém.
O resultado dessa decisão foi que uma geração inteira de jovens foi irremediavelmente perdida para a nossa sociedade moderna; milhares de alunos passaram de ano sistematicamente sem saber sequer ler direito (houve uma matéria há pouco tempo na IstoÉ mostrando alunos da 8ª série em SP que não conseguiam ler as manchetes de um jornal) ou fazer uma simples conta de dividir. Do ponto de vista político, tal cenário era um ganho: tinham agora uma multidão de cidadãos iletrados que baseavam sua informação essencialmente em sistemas audiovisuais facilmente manipuláveis (rádio e TV), sem capacidade ou bagagem suficientes para discernir a realidade da informação apresentada ou as circunstâncias mais sutis da nova sociedade democrática recém-formada. Do ponto de vista social, isso era uma tragédia: essa multidão estava completamente fora do mercado formal de trabalho, constituindo-se num grupo que – mesmo estando próximo dos grandes centros e com o acesso aos aparelhos públicos de ensino e novas tecnologias (coisa que gerações predecessoras não tiveram acesso) – este não reunia qualificações para ascender para além das classes D e E da sociedade, condicionados a viver em agrupamentos humanos pífios (favelas) de condições sub-humanas, da mesma forma que seus pais e avós migrantes.
Gente, falei tudo isso para dizer que o sistema determinado pela Constituição de 1988 não tem retorno, tanto para a Educação quanto para a Saúde públicas. Pelo que foi perdido, vai levar um tempo para ser reconstituído. Abs.
Peter Maahs
28 de outubro de 2013 7:02 pmAlgumas considerações necessárias sobre a PC
Olá, Waldyr.
Sou professor e diretor de escola pública, há 15 anos atuando na área. Faz um bom tempo que estou atento às manobras políticas de nossos governantes no campo do ensino, que impedem, na maioria da vezes, o avanço da ciência da educação e da boa qualidade de nossas escolas. Sendo assim, não poderia deixar de comentar seu texto; espero que considere meus argumentos.
Em primeiro lugar, concordo contigo quanto aos interesses espúrios dos tucanos paulistas em manter o fluxo de investimentos externos em nosso país. Contudo, não me parece justo responsabilizar a PC pelas mazelas do ensino, quando, na verdade, seu fracasso foi consequência das manobras levianas do mentecapto do Covas, como você bem assinalou. Ou seja, as ações do governo se resringiram a não reprovação, deixando de lado questões importantes como a remuneração dos professores, o número de alunos por mestre, a infraestrutura da escola etc. Em 1989, durante o mandato de Luiza Erundina, o professor Paulo Freire adotou o sistema de PC – com muito êxito – em sua gestão a frente da Seduc/PMSP, e a intenção, certamente, não foi a mesma dos tucanos.
Ora, a PC fez apenas revelar o quanto nossas escolas´sempre foram ruins. Ou seja, antes, os maus alunos, após algumas reprovações, eram eliminados do sistema. Assim, permaneciam e chegavam ao fim do processo apenas aqueles que realmente tiveram condições de prender alguma coisa; condições relacionadas mais com as condições de vida fora da escola do que necessáriamente com a estrutura interna da escola ou do ensino. Pois bem, com a PC esses maus alunos permaneceram na escola e, de fato, não estão aprendendo. Mas, não aprendem por quê? Certamente, não é por causa dos professores. A diferença é que as condições de vida de professores e alunos, dentro e fora das escolas, em sistemas concorrenciais como o nosso, tendem historicamente a piorar. Aqueles que eram eliminados do sistema de ensino, e agora permanecem na escola, sempre tiveram péssimas condições de vida fora da escola. Por outro lado, as condições de vida dos professores, há algum tempo, certamente pioraram – dentro e fora da escola. Da mesma forma, os “bons alunos” não serão necessariamene os melhores cidadãos. Afinal, estamos concorrendo pelos parcos recursos sociais, não é?
Em segundo lugar, não acredito que exista uma relação mecânica entre escolarização e maior oportunidade de emprego. Cresimento econômico gera empregos e escolarização, não o contrário. Basta verificar que o Estado de São Paulo apesar de péssimas notas nas avaliações externas continua sendo a locomotiva do país…Como se sabe, o desemprego é estrutural. Em outras palavras, o desemprego constitui o principal mecanismo da política de rebaixamento salarial. Os períodos de maior investimento em educação não correspondem aos períodos subsequentes de maior desenvolvimento econômico.
Por fim, os favelados são muito mais um produto da especulação imobiliária do que um produto da baixa escolarização; são um co-produto da necessidade desordenada de mão de obra barata (pela falta de investimento em transporte público, por exemplo,) consumo de produtos de segunda linha, falta de políticas públicas de habitação etc.
Em suma, a PC, cientificamente justificável se politicamente bem implementada, não pode pagar o pato pela imoralidade e irresponsabilidade de nossas elites políticas e econõmicas. A ausência do Estado e a concentração de renda monstruosa estão na raíz de nossos problemas sociais – inclusive da educação. Não se justifica, portanto, abandonar todas as conquistas da ciência da educação pela má utilização de um conceito tão importante para o desenvolvimento de nossas criançase do próprio sistema de ensino.
Espero ter sido claro e estou à disposição para continarmos esta discussão. Um fraternal abraço,
Peter Maahs.
Marcelo
10 de outubro de 2021 4:16 pmDiscordo. Se você é diretor, não tem o direito de mensurar e atrelar dificuldades de aprendizagem somente as mazelas sociais. Política social e política educacional são coisas distintas. Uma não salva a outra. Tão verdade isso que no passado não tínhamos matérias, livros, merenda faltava direto e ruim demais, não podíamos entrar e sair quando bem queríamos, entrar sem uniforme, etc, mas não se pode jamais reclamar do processo de construção de conhecimento, jamais. Pedagogicamente falando, no que concerne construção de valores, respeito, ciência e tecnologias não há o que contestar. Quem não estudou na época e abre a boca para sair voz de terceiros, cheia de ideologia, mentiras, etc, deve ser desmascarado sempre. Os alunos saíam capacitados para os concursos, vestibulares e mercado de trabalho, que babava em quem estava cursando o colegial. Eu fui um deles. Minha caligrafia, conhecimento em datilografia, entre outros sempre me garantiram espaço. E mesmo os que pararam de estudar carregaram conhecimentos necessários para outros setores. Afinal, as estradas, portos, aeroportos, ferrovias, telefonia… não foram trazidos pelas ideias de esquerdistas, certo? Os pobres como eu, que viviam em exclusão social, pois eram épocas de monopólio comercial, industrial e inflação absurda que não davam poder de compra e fazia tudo ser parcelado, até mesmo material escolar, mas que estiveram na escola, aprenderam, ah, como aprenderam. Até minha irmã que era fraca demais e repetiu várias vezes, reconhece que foi necessário, pois a filha dela que terminou o ensino médio, não sabe nem falar direito, quanto mais ler e escrever.
Agora, vamos falar sobre políticas sociais que é a que você se ateve no seu discurso e concordo, mas que não salva nada, pois como disse, projeto pedagógico e projeto social são coisas distintas. Por mais que se tente associá-las, elas se dissociam sozinhas. Os pontos positivos pós-militares foram a construção de mais escolas, entrega de livros e matérias escolares gratuitamente, merenda de qualidade, várias excursões gratuitas, sala de vídeo, informática, ventiladores… Legal, né? Ah, se tivéssemos tido tudo isso lá no passado aliado aos nossos valores. Teríamos todos batido de frente com os burgueses que dominavam as universidades públicas, não concorda? Mas olha a corrupção de ideias dos políticos. Freire era vivo. O jornal não o aponta como pivô das mudanças, sendo que ele já viria fazendo o trabalho de implantação de suas “ideias” construtivistas na prefeitura de São Paulo, em 92, como secretario de Erundina. Mario Covas e Rose Neubauer apenas ampliaram as ideias para o Estado inteiro. A progressão é apenas um novo nome para o construtivismo. O aluno constrói o conhecimento em fase progressiva. Freire morreu em 97, ou seja, endossou o projeto para todo o estado antes da morte. O ponto que eu quero deixar claro é que Freire não é dono da virtude social, pois todos nós, como sujeitos sociais, sabemos o que nos agride. A briga por uma escola de qualidade e inclusiva o antecede com Anísio Teixeira e muitos outros. Ele, como secretário, no campo social, tem méritos na busca pela inclusão, mas no campo pedagógico, o qual não dominava, pois nunca alfabetizou crianças, possui demérito total. Ele, Erundina, Covas, Rose Neubauer e Fernando Henrique que assinou a nova LDB de 96, implementando a progressão continuada (construtivismo) são os grandes responsáveis pela degradação escolar. Você ouve muitas pessoas falando bobagens que Freire e o conteutivsmo nunca foram trabalhados. Basta pegar professores de educação infantil e verá Freire com sua Pedagogia da Autonomia (construtivismo) e Opressora bem vivas Está certo que muita gente exagerou, mas isso não muda nada quando você vê aluno escrevendo só com letra maiúscula (autonomia e opressão), sem estética, ortografia, pontuação… (autonomia e opressão), Branca Alves de Lima (opressora), ler indicações para provas (opressão), fazer seminário (opressão) é por aí vai. Temos outras peculiaridades mal interpretadas como o ECA que ajuda no processo de sucateamento social entre outros. Mas sobre política social e pedagógica, a inclusão social pré-militar era uma merda, mas o ensino/aprendizagem ótimos. A inclusão social pós-militares uma maravilha, mas o ensino/aprendizagem uma merda. Se tivessem unido a duas melhores partes, talvez o desfecho seria outro. Mas parece que os militantes pós-militares tinham outro projeto, não é?
Adriana
18 de março de 2024 11:07 amSuas observações foram perfeitas. Grata
Anônimo
22 de maio de 2025 10:12 am👏🏽👏🏽👏🏽👏🏽👏🏽👏🏽👏🏽👏🏽
Darthvader
30 de janeiro de 2014 3:04 pmprogressão continuada
Eu não sou da área da educação, mas….
A minha opinião é que o sistema de progressão continuada, se implantado corretamente, é bom. O problema é que no Brasil as coisas são feitas somente, e puramente, para fins eleitoreiros.
O PSDB implantou somente o que lhe era conveniente, ou seja, diminuiu os índices de reprovação quase à zero. No final de cada ciclo, quando os alunos são avaliados, os resultados nunca mostram a realidade, pois se os alunos não conseguirem uma boa média, a culpa é dos professores que não são capacitados.
resumindo:
1 – Com a diminuição dos índices de reprovação, o estado consegue mostrar que a educação melhorou.
2 – Com a nota ridícula nos exames, o estado consegue mostrar que não precisa aumentar o salário dos professores, pois estão abaixo do esperado em suas formações.
3 – Os alunos que “passaram” de ano pela progressão continuada não têm no ano seguinte o acompanhamento, ou recuperação/reforço, nas matérias que reprovou… ou seja, não existe a PROGRESSÃO CONTINUADA como deveria ser.
o pior é ver as discussões “POLÍTICAS” em torno deste assunto. Uns dizendo que foi o PT com a Erundina, e outros o PSDB com o Covas. Mas se tem um exemplo que todos viram que é errada e você resolve implantá-lo?
Na verdade estamos criando uma geração de analfabetos, ou alfabetos funcionais, que além de não saber votar, não têm senso crítico para interpretar um texto dos mais simples.
Minha esposa é professora de matemática. Ela foi abordada pela supervisora da diretoria de ensino, pois os seus alunos da 5º série não sabiam matemática. Estes alunos haviam atingido os índices propostos no final da 4ª série… mas como estavam com este problema?
se fosse apresentado uma conta simples, por exemplo: 10 + 5 = 15. Facilmente todos os alunos conseguiam resolver.
mas se fosse um problema: Eu tenho dez laranjas e você tem cinco maçãs. Quantas frutas temos juntos? muitos alunos não conseguem resolver.
eu sei que o exemplo foi meio ridículo, mas o problema está ai…. os alunos não sabem ler!
Ela teve aluno de 8ª séria que “desenhava” o próprio nome… era copista…
Cibele Zumerle Peres
29 de março de 2017 11:55 amÉ isso mesmo!
Não sou
É isso mesmo!
Não sou professora, sou mãe e tia de alunos da rede pública. Acompanhei minhas filhas durante todo o ensino fundamental e meus sobrinhos no ensino médio.
Foi quando tratei de tirar minhas duas filhas do ensino público a tempo, porque percebi que meus dois sobrinhos que estavam concluindo o ensino médio não eram capazes de interpretar um problema. Sabiam resolver uma equação simples, mas se fosse através de um problema era trágico! Como prestar um concurso Público?
Hoje minha sobrinha está aprendendo tudo que deveria ter aprendido, mas num cursinho pré-vestibular. Poderia estar no segundo ano da faculdade, mas infelizmente não foi possível. Sorte dela é que tem a tia para orientar. Meu outro sobrinho (outra situação financeira) foi direto para uma faculdade particular, nem precisa dizer como está sofrendo para acompanhar os estudos.
Ah, e minhas filhas? Estão num colégio particular, graças a minha insistência para conseguir meia bolsa pra cada uma. E não me arrependo de nenhum centavo pago pelo ensino que estão recebedo, só lamento os sacrifícios que temos que fazer para conseguir um lugar ao sol!
Uma andorinha só não faz verão. Todos reclamam, até os professores, mas ninguém faz nada para mudar. Só preferi não aceitar a esmola do governo.
Sei que para muitas famílias, o sistema dá uma melhor expectativa de futuro, em situações de fome, pobreza extrema, famílias desestruturadas, ter uma escola que não te jogue pra baixo e te faça se sentir no meio social pode sim fazer a diferença na vida de uma criança nessas condições, porém jogar todo mundo na mesma vala, sem uma organização ou estudo de caso é condenar a todos ao fracasso.
O que falta no Brasil é bom senso. É coragem para agir com isonomia, ou seja, de forma igual ao iguais e de forma desigual aos desiguais e não de forma a criar um sistema quadrado, engessado que só serve alguns e atrapalha a maioria.
Se é política, não sei, mas uma nação de ignorantes é ruim até para os políticos e empresários, pois é o boi sonso que estoura a cerca! Fica a dica!!
Marcos Colombo
2 de outubro de 2018 1:18 amBom, como ja mencionei meus
Bom, como ja mencionei meus dois filhos passaram por este infame periodo, e desculpem, não ha como entender que seja bom um aluno não ter que tirar ao menos uma nota 7 de media para conseguir passar de ano em todas as materias, dependendo somente de sua presença em sala de aula, fui ate a escola de minha filha para tomar ciencia dos fatos e em tom de deboche a coordenadora da escola me mostrou que minha filha tinha notas com media de 4,5 e 5, mas se em qualquer concurso publico, privado, ou mesmo na universidade federal, publica voce precisa de pelo menos 7 de nota para nao ser cortado, como se pede que um aluno em formação tire apenas nota 5 em todas as materias e pior, qualquer nota que ele tirar nao reprova, reprovaria apenas por faltas, neste mesmo dia, a coordenadora da escola de minha filha disse em tom de total deboche que podia ficar tranquilo que minha filha passaria de ano, se saberia fazer alguma coisa nao sabia, mas que passaria passaria. iria para a 6ª serie, disse entao para ela que eu nao concordava com isto, e fui surpreendido pelo que ela me disse, o Sr. nao pode nao querer ou concordar é lei, ela tera que ser matriculada na 6ª serie no proximo ano mesmo nao atingindo a nota media exigida que tambem foi abaixada de 7 para 5. mas pouco importava a nota em qualquer materia, bastava ter presença, e para repetir por falta, pasmem, em um ano com 212 dias e aulas era necessario faltar pelo menos 20% para ser reprovado ou seja mais de 40 dias de faltas consecutivas, desulpem quem defende mas voce nao teve um filho ou filha que passou por isto e teve que ve-los se matando de estudar depois para ter uma chance de concorrer com os riquinhos que estudaram a vida toda em escola particular com um conteudo muito mais competitivo, com media exigida em 7 em todas as materias, com filosofia na grade curricular, historia, artes, desenho, nao basta dizer que o ensino tem que melhorar sem pensar em como fazer para que melhore, nao basta querer fazer media com professores aumentando salario se nao der condiçao de que ele seja respeitado e possa ensinar o que é necessario e devido nos anos regulares a que o aluno deve estar matriculado.
Fernanda de Souza Ramalho
31 de outubro de 2018 5:47 pmA culpa por falta de vontade
A culpa por falta de vontade de estudar então é do sistema, n dos seus filhos?
Eu fazia parte do povo q sentava na frente, a progressão me pegou no ensino médio, eu e minhas amigas fazíamos competição de qm tirar a nota mais alta. Isso tem q partir o aluno, a aula é dada, mas a desejo de aprender tem q ser do aluno.
Desculpa, mas isso vem de casa. O objetivo da escola é escolarização, n educar o caráter. A aula está lá, cabe ao aluno julgar se é importante absorver o assunto ou não.
José Márcio Pereira
14 de abril de 2014 7:14 pmProgressão Continuada
Lembro-me que a implantação da progressão continuada ocorreu na Prefeitura de São Paulo, no governo de Luíza Erundina (uma representante, ressalte-se, digna). Ocorreu primeiro no município e só depois no governo do estado. è disso que me lembro (se minha memória não estiver falhando) por isso acho estranho dizer que ocorreu só no estado de são paulo!!!!! O Estado seguiu os passos da PMSP!
nilceia
20 de outubro de 2014 1:09 pmprogressão continuada
Exatamente José Marcio! Em 1989, iniciou-se no município de São Paulo, a administração da Prefeita Luiza Erundina de Souza, cujo mandato foi exercido de janeiro de 1989 a dezembro de 1992. Assume a Secretaria Municipal de Educação o Professor Paulo Freire, no período de janeiro de 1989 a maio de 1991, quando, a pedido, foi substituído pelo Professor Mário Sérgio Cortella, que permaneceu à frente da Secretaria até o final da gestão dessa administração. A fonte é um estudo de Denise Regina da Costa Aguiar, doutoranda da PUC, que pode ser lido na íntegra aqui: http://www.anpae.org.br/simposio2011/cdrom2011/PDFs/trabalhosCompletos/comunicacoesRelatos/0132.pdf
Foi sim o PT que implantou este novo sistema educacional que depois foi sendo ampliado pelos outros governos. É muito importante se dar os nomes ao bois. Sr. Luis Nassif, não foi Covas que se “apropriou” da intelectualidade duvidosa do sr. Paulo Freire, mas sim o próprio Paulo Freire implantou sua pérola na prefeitura com aval da prefeita do PT, Luiza Erundina.
Katia Almeida
1 de outubro de 2014 12:45 amProgressão continuada
Nassif, boa noite. Eu estava outro dia no Facebook e tive o desprazer de ler uma reportagem que acusava o PT pela implantação desse sistema educacional atual que é a PC. Ficou bastante instigada a reaponder à pessoa que disseminou tal informação e fui em but de fundamentos para basear a minha resposta, eu queria nomes pois sabia que esse sistema havia sido aplicado durante o governo Mário Covas, quando me deparei com a sua brilhante explicação sobre o caso. Me formei profei em 2006, pois eu tinha o desejo te transmitir conhecimento, porém o que vi acontecendo nas escolas públicas em São Paulo me afastaram da sala de aula. Obrigada e parabéns por seu esclarecimento sobre o caso.
nilceia
20 de outubro de 2014 1:12 pmEm 1989, iniciou-se no
Em 1989, iniciou-se no município de São Paulo, a administração da Prefeita LuizaErundina de Souza, cujo mandato foi exercido de janeiro de 1989 a dezembro de 1992. Assumea Secretaria Municipal de Educação o Professor Paulo Freire, no período de janeiro de 1989a maio de 1991, quando, a pedido, foi substituído pelo Professor Mário Sérgio Cortella, quepermaneceu à frente da Secretaria até o final da gestão dessa administração.A Secretaria Municipal de Educação implantou uma proposta político-pedagógicacomprometida com a democratização da educação, intitulada Escola Democrática, objetivandoa construção de uma escola pública popular, democrática e de qualidade.A proposta político-pedagógica alicerçou-se a partir de três princípios básicos:participação, descentralização e autonomia, tendo cinco grandes prioridades: Ampliar o acesso e a permanência dos setores populares; Democratizar a gestão, o poder pedagógico e educativo; Melhorar a qualidade da educação, mediante a construção coletiva de um currículointerdisciplinar e a formação permanente do pessoal docente; Eliminar o analfabetismo de jovens e adultos em São Paulo; Formar cidadãos críticos e responsáveis. (FREIRE, 2001, p.98) Fonte: pesquisa de doutorado sobre educação, realizada por Denise Regina da Costa Aguiar, da PUC. ler o texto completo aqui: http://www.anpae.org.br/simposio2011/cdrom2011/PDFs/trabalhosCompletos/comunicacoesRelatos/0132.pdf
Juliana
15 de outubro de 2025 8:30 amhttps://diariodenoticiasmarilia.com.br/revolucao-educacional-no-estado-e-narrada-em-livro-da-ex-secretaria-estadual-da-educacao-professora-rose-neubauer/?noamp=available
manoel ires de Jesus filho
6 de outubro de 2014 1:26 amprogressão continuada
Meus bons amigos e público em geral não querendo descobrir e nomear culpados a grande verdade é a que os fatos e os resultados mostram:A Progressão continuada foi um desastre e ao longo de anos se vê a magnitude deste estrago tanto na educação quanto na sociedade.Hoje vemos como já foi dito analfabetos batendo as portas do ensino médio quiça das faculdades, que por sua vez herdam esse resultado ingrato, ou tendo que tentar remedia-lo , ou tendo que formar profissionais medíocres.Há de algum iluminado tentar quebrar este paradgma que cria jovens que só vão para escola para infernizar professores e os poucos alunos que ainda acreditam que o seu futuro esta no estudo, em contrapatida docentes que já não mais acreditam em sua nobre função e apenas escrevem( quando o fazem) a matéria na lousa e botam as duas pernas na mesa para ficar ao celular. E deixam o destino dos alunos na mão de Deus.Ou não.
Andrey
26 de maio de 2015 10:00 pmConcordo contigo nosso
Concordo contigo nosso sistema educacional é vergonhoso somos obrigados a passar alunos com a mínima preparação no meu tempo a educação tinha disciplina,respeito acima de tudo o professor era visto como alguém que poderia mudar a realidade e através do ensino emancipar as pessoas sem babaquice de educação bancária até porque os pseudo professores que se utilizavam desse método muitas vezes não tinha outra opção de trabalho abre-se brecha para um conceito de educação de progressão continuada que está afundando a nossa educação
Haydee Vallone
24 de outubro de 2014 2:42 pmEsclarecimentos, por favor!
Caros amigos,
Li esse artigo do Waldyr, ele de fato e bem esclarecedor, porém, tenho muitas duvidas com relação a progressão continuada, quem de fato podemos responsabilizar pela condução do ensino de baixa qualidade que estamos tendo no Estado de São Paulo? E quais outros Estados adotaram a PC e vivem uma realidade diferente da nossa aqui em São Paulo?
Peço essas orientações, pois estou de fato perdida nesse tema, que muito me interessa, a muita coisa dita e pouca coisa de fato esclarecida.
Abraços,
Haydée Vallone
cleitonrodolfo
26 de dezembro de 2014 10:56 amprogressão continuada
E o que dizer daqui, do amapá, onde alunos de ensino médio não sabem dividir. Somente vossas calculadoras sabem e olhe lá…porque até no uso de máquinas, alguns se perdem e erram. Tenho saudades, como professor, do tempo em que o aluno que não mostrasse que sabia, repetia. O famoso “empurrão” para frente estão tornando nossos alunos indolentes e idiotas…e nós, professores, desalentados e desempenhando mais o papel de servidor público que de professores, efetivamente.
Antonio Pedroso
7 de dezembro de 2015 6:33 pmEu não vejo lado bom algum na
Eu não vejo lado bom algum na progressão continuada. Realmente é uma lástima…
Leandro Baldocchi
22 de junho de 2016 9:57 amVocê mentem
Parem de mentir, quem inicou o passa-passa de ano foi Luiza Erundina quando foi prefeita de São Paulo pelo PT bem antes de FHC chegar a ser presidente.
O presidente da ápoca era José Sarney.
Eu sou professor municipal de São Paulo desde 1982 e posso afirmar isso.
renato h pinto
15 de maio de 2017 3:32 ammomento
O texto é claro e definitivo o Brasil passa por tudo isto por conta do FHC que precisava de um a fonte de renda extra e criou esta monstruosidade que vemos hoje, aluno de faculdade que não sabem ler ou escrever, gerando profissionais também inletrados e responsaveis pela condução do país claro que nosso destino esta fadado ao insucesso.
MARIA PASQUINI
25 de março de 2018 11:49 pmFábrica de analfabetos funcionais.
Assim se construiu o analfabestismo coletivo , desde FHC, o plano diabólico de emburrecer milhares e por séculos. Massa de manobra fácil, ANALFABETOS FUNCIONAIS, Tudo planejado com cortinas de fumaça, para ofuscar a verdadeira finalidade . Este foi o primeiro tiro para o genocidio da população brasileira, mataram sem dó ou piedadade a educação de um país que devia ser um exemplo para um futuro próspero. Um país sem educação ‘e um tiro no CÉREBRO! O paciente sobrevive, mas com suas faculdades mentais roubadas, extraidas, sugadas , vegetando dias e noites. Não precisa ser intelectual, ter Phd, PARA ENTENDER que um país só adquire prosperidade em todos os setores, seja na educação, saúde, segurança, se tivermos ensino de qualidade para todos. QUANTO MAIOR A EDUCAÇÃO DE SEU POVO, menos gasto com saúde, com segurança! Esta tragédia foi comemorada desde o início por seus provedores, sabiam do caos e plantaram com o intuíto de massa de manobra eleitoreira. Hoje assistimos nestes trinta anos a colheita dos CAFAGESTES, o enriquecimento ilícito desta corja nefasta que são nossos políticos! Mas nem tudo está perdido, vamos mudar este cenário vermelho e fazer brilhar a nossa justiça com as cores da nosso Brasil e da nossa bandeira brasileira! BRASIL TEM ESPERANÇA SIM!
Marcos Colombo
2 de outubro de 2018 1:03 amProgressão continuada UM DESASTRE
Tive uma filha e um filho que estudavam neste sistema, os dois não aprenderam nada na escola, apenas iam para a escola, mas a falta de professores era diaria, a não aplicação de materias exenciais era comum, como psicologia, matematica, portugues, Ingles, e o pior, ainda criaram as cotas para universidades publicas para justificar o pessimo ensino dado nas escolas publicas para aqueles que quisessem incresar em uma universidade publica, porque com o ensino publico dado nas escolas, é impossivel ou praticamente impossivel de se ter aprovação em universidades publicas como USP. A menos que se utiliza de cotas absurdas que so denigrem ainda mais a imagem do ser Humano, seja ele negro, pardo, indigena ou branco. Apos sairem da escola fizeram cursos particulares e tiveram que aprender tudo que nao havia sido ensinado na escola no momento que deveria ter sido, meu filho fez dois anos de curso tecnico pago com muito sacrificio por mim e minha esposa, minha filha fez da 5ª serie até o 3º ano do ensino medio ( 3º colegial) em escola particular a custa tambem de muito, mas de muito sacrificio, dela e nosso, porque ela coitada, chegou na escola particular sem saber se quer matematica basica. teve que tirar o atraso de toda uma vida em 6 anos . Absurdo que espero que nunca mais se promova no pais. não interessa a esta altura quem inventou, mas que nunca volte, porque até hoje sofremos com o resultado dos nossos filhos que passaram por esta Humilhante aprovação automatica. Não basta investir em salario de professores, falar de melhora da qualidade do ensino sem um plano claro para isto, sem base fundamental, porque alunos de escolas particulares conseguem acesso a universidades federais, publicas com muito mais facilidade que alunos de escolas publicas? qual a direfença no que é ensinado? eu mencionei aqui, meu filho teve que comprar livros de filosofia que nunca tinha visto na escola para prestar vestibular. Minha filha, teve que ter durante dois anos aulas de reforço apos as aulas normais, estudava em dois periodos para poder acompanhar a turma do colegio particular. Um absurdo se propor isto apenas pensando em ganhar ou manter uma verba por incapacidade administrativa. que nunca mais tenhamos que passar por uma coisa destas.
Marcia Valéria
11 de novembro de 2022 4:15 pmParabéns !!! é exatamente isso. um descaso terrivel na aprendizagem.
Aluno tem que estudar e focar sim ! tem que se aprender de verdade, não basta frequentar, tem que desenvolver e acredito que a cobrança com notas ou letras faz com que a responsabilidade aumente e o analfabetismo diminua.