6 de junho de 2026

Ministério para gestão

Coluna Econômica – 28/03/2007

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Não existe trabalho mais desanimador do que acompanhar montagem de ministérios federais. As barganhas políticas, a enorme estrutura horizontal, totalmente disfuncional, fazendo com que, para administrar, sucessivos governos acabem recorrendo a gambiarras, como conselhos de ministros, supostamente coordenados pela Casa Civil — modelo que se mantém desde Fernando Henrique Cardoso.

O curto reinado de Fernando Collor, o breve, causou grandes desastres — como a reforma administrativa de João Santana — mas possibilitou algumas práticas bastante inovadoras de gestão.

A principal delas foi o desenho montado em torno de dois Ministérios, o da Fazenda e o da Infra-Estrutura e Desenvolvimento. Isso permitiu a Collor, no primeiro ano, um ritmo impressionante de implementação de medidas.

***

A principal perna era o Ministério da Fazenda, que tinha quatro secretarias embaixo dele. A primeira era a Secretaria Nacional do Tesouro, na época dirigida por Marcos Gianetti da Fonseca, tendo debaixo de si a estrutura do Tesouro, do atual Ministério do Planejamento.

A segunda era a Secretaria da Fazenda, dirigida por Geraldo Gadernalli, com a Receita embaixo.

Depois, a Secretaria Nacional de Economia dirigida por Edgard Pereira, tendo controle sobre o antigo Departamento de Abastecimento e Preços (antigo Conselho Interministerial de Preços), com a estrutura de crédito agrícola do Banco do Brasil, Departamento da Indústria e do Comércio e Departamento de Comércio Exterior (antiga Cacex), o antigo Conselho de Política Aduaneira, com pessoal do Banco do Brasil.

A quarta secretaria era a Secretaria de Política Econômica, dirigida por Antonio Kandir, e contando, entre outros, com Maria Silvia Bastos, e Sérgio Werlanger, esse pensando a política monetária e ajudando a Secretaria a coordenar a ação do Banco Central.

***

Esse modelo, com os quatro secretários reportando-se à Ministra da Economia e, depois, ao presidente, conferiu grande rapidez às decisões. Se se quisesse mudar uma alíquota de Imposto, rapidamente se compatibilizavam os objetivos da Receita com os do Departamento da Indústria e do Comércio e a Cacex.

***

Foi nesse ambiente que se acabou com o controle de preços, quando se percebeu que, além de não controlar, permitia a cartelização e a corrupção. Em seu lugar fortaleceu-se o sistema de defesa da concorrência. O Departamento de Preços fazia o acompanhamento técnico de mercado, identificando comportamentos estranhos de preços. Depois, mandava para investigação no Ministério da Justiça, cuja área de defesa da concorrência estava sendo montada por Pedro Bara.

***

Esse mesmo modelo foi implementado na segunda grande perna do governo, que foi o Ministério da Infra-Estrutura, entregue a Ozires Silva, com todas as áreas de Minas e Energia, Transportes e outras debaixo dele. Era uma estrutura com quatro ou cinco comandantes em sintonia direta com o presidente da República, que faziam acontecer.

Seu papel era similar ao exercido hoje em dia pela Ministra-Chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, mas dentro de uma estrutura que fazia fluir.

Para incluir na lista Coluna Econômica

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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18 Comentários
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  1. Raí

    28 de março de 2007 2:18 pm

    Meu caro Nassif,que
    Meu caro Nassif,que infelicidade de sua parte,elogiar um ministério,que mal foi empossado,decretou o maior confisco na economia dos brasileiros,quebrando praticamente a todos,ricos e pobres,que até aceitariam alguma mudança na política economica,nunca uma apropriação indébita e inconstitucional da poupança interna.Se eles tinham boas intenções(disto o inferno está cheio)não puseram-nas em prática,e o que eles fizeram foi deixar milhões de brasileiros impossibilitados de usufruir de suas economias,conquistadas durante toda uma vida,e com isto até hoje,muitas pessoas ainda não confiam no sistema bancário,nem na segurança de que suas economias estão protegidas pelo sistema financeiro nacional.Administrar bem e com bons planos,não significa ter os melhores quadros,conforme você tenta convencer-nos,comparando aquele quadro com o atual,é ter ética e compromisso de não fraudar o cidadão,é respeitar os contratos,e não penalisar os indefesos em prol da governabilidade.

  2. Raí

    28 de março de 2007 2:18 pm

    “Números,apenas números”dirão
    “Números,apenas números”dirão os eternos descrentes(espero que o signatário do blog,não seja um deles)mas Nassif,esta mudança da metodologia do IBGE,na apuração do PIB,de 2006,não veio em boa hora?Afinal a coisa não foi tão mal assim,no ano passado,né não?E aqueles 2,9% de crescimento,não havia convencido ninguem,e agora sim,parece que este é o número real,e acima do esperado por quase todos os “entendidos” de economia.Após esta mudança dos números,passamos a falar de “fáceis”4,6% para 2007,e isso sem termos ainda aprovado o PAC.Este é um bom tema para debate no blog.

  3. Johnny Notariano

    28 de março de 2007 2:18 pm

    ENTES DA FEDERAÇÃO, expressão
    ENTES DA FEDERAÇÃO, expressão muito bonita para um País que procura ainda nos dicionários o significado real dessa palavra \FEDERAÇÃO\, que no País do Tio San dá tudo certo, mas aqui está uma ZONA.

  4. Luis Nassif

    28 de março de 2007 2:18 pm

    Continuamos na rabeira,
    Continuamos na rabeira, Danton.

  5. Paulo de Freitas Dia

    28 de março de 2007 2:18 pm

    Desalentadora essa reforma
    Desalentadora essa reforma política do Lula. Fica a nítida impressão que o atual ministério foi montado de forma amadora, apenas para acomodar a base política aliada.

    Ancorado pela sua popularidade e o aumento de renda da população, Lula dá de ombros à eficiência e à gestão.

  6. Hélio Vieira

    28 de março de 2007 2:19 pm

    Me desculpe Nassif, mas
    Me desculpe Nassif, mas Ozires Silva não é exemplo administrativo. Ele quebrou a Embraer, foi superministro e nada fez, foi presidente da Varig… A fama dele tem mais lenda do que realidade. Por favor, não jogue fermento nessa massa, porque a farinha tá estragada.

  7. Luis Nassif

    28 de março de 2007 2:19 pm

    A estrutura do Tesouro e a
    A estrutura do Tesouro e a estrutura que hoje está no Planejamento.

  8. Luis Nassif

    28 de março de 2007 2:24 pm

    Gosto de sofrer.
    Gosto de sofrer.

  9. Antonio Carlo Telles

    28 de março de 2007 2:25 pm

    Nassif, o ex-ministro Delfim
    Nassif, o ex-ministro Delfim Neto, em artigo de hoje na Folha destaca a importância do Plano de Desenvolvimento da Educação que introduz novos conceitos de gestão (seleção por mérito/ novo tipo de avaliação..) e o novo sistema de Administração de Salários do Governador Serra que introduz o critério de mérito em substituição ao modelo de aumento linear. Chama isso de “pequena revolução” e encerra afirmando que “o Brasil vai surpreender-se. Vai descobrir que o que NOS FALTA mesmo é BOA GESTÃO, e NÃO RECURSOS.” Como não é todo dia que vemos os economistas defendendo o “valor da gestão”, exceto alguns “jornalistas teimosos” , como você, talvez devamos brindar, não acha?

  10. Paulo Yönten

    28 de março de 2007 2:25 pm

    Collor caiu, entre outras
    Collor caiu, entre outras coisas, pq não tinha suficiente apoio parlamentar (não tinha “base”).

    Como governar e ter “base” com nossa estrutura partidária?

    Parece-me que mais que uma opção, o Executivo é obrigado a ter esta estrutura desfuncional de ministério para acolher índios e caciques das mil trezentas e quarenta e três legendas e subgrupos partidários da “base” – também conhecida como ‘Brutus’, pois sempre pronta para uma facadinha pelas costas.

  11. Luis Nassif

    28 de março de 2007 5:24 pm

    Sei disso. O que salientei no
    Sei disso. O que salientei no artigo foi o modelo de gestão, não necessariamente a competência de cada integrante.

  12. Alberto

    28 de março de 2007 5:24 pm

    Agora são 36
    Agora são 36 ministérios???!!!!!
    kkkkkkk……
    só faltam 4…..

  13. Henrique Guidi

    28 de março de 2007 5:24 pm

    Nassif, parabens pela
    Nassif, parabens pela materia.
    Gostaria de ler mais materias desse genero contando os “bastidores do poder”. Abraços

  14. Luis Nassif

    28 de março de 2007 5:25 pm

    João, o programa de abertura
    João, o programa de abertura da economia foi uma obra grandiosa, com implantação do novo sistema de tarifas, o Código de Defesa do Consumidor, o sistema de defesa da concorrência, os programas de qualidade, as câmaras setoriais.

  15. Flavio Patricio Doro

    28 de março de 2007 6:36 pm

    Dúvida cruel: será o governo
    Dúvida cruel: será o governo brasileiro o recordista mundial de quantidade de ministérios?!

    Foi oportuno notar que a estrutura vertical desenhada por Collor funcionou melhor.

    A rigor, não vejo incompatibilidade entre tal estrutura e a acomodação da base aliada. No entanto, essa acomodação teria de ser feita de outra forma. A cota pessoal do presidente no primeiro escalão teria de ser proporcionalmente maior do que é hoje, e a acomodação dos aliados seria feita mais nas secretarias.

    A grande diferença é que os secretários apadrinhados seriam supervisionados de perto pelo ministro, o que faz diferença; como seriam poucos secretários, a coordenação e supervisão funcionaria.

    Coordenar e supervisionar mais de trinta ministérios e fazê-los trabalhar em sintonia é inviável.

  16. José

    28 de março de 2007 8:12 pm

    Nassif, se o ministério fosse
    Nassif, se o ministério fosse seu por onde você começaria a reforma administrativa? Pessoalmente eu acho que 42 ministérios são o ideal.. : )

  17. João

    28 de março de 2007 8:13 pm

    Nassif, o Codigo de Defesa do
    Nassif, o Codigo de Defesa do Consumidor virou lei em 1990, primeiro ano do governo Collor, mas já vinha sendo discutido no congresso muito antes disso. Aliás, quem foi o relator que trabalhou no projeto do CDC que restou aprovado se chama Geraldo Alckimin, conhece? E a lei de defesa da concorrência foi aprovada no ano de 1994, ultimo ano do governo Itamar. E a abertura comercial foi feita de forma eficiente?

  18. Luis Nassif

    29 de março de 2007 8:52 pm

    Fábio, mas como é duro você
    Fábio, mas como é duro você tentar mostrar que nem todo governo é totalmente bom, nem totalmente ruim, que um país se faz com os pontos positivos de sucessivos governos, mesmo que existam inúmeros pontos negativos.

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