Revista GGN

Assine

O primeiro ano da nova matriz econômica, por Mantega

Por Roberto São Paulo-SP 2012

O primeiro ano da nova matriz econômica

Autor(es): Por Guido Mantega...Valor Econômico - 19/12/2012
(clipping Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão)
 
O Brasil vive um momento de mudança estrutural em sua economia. Depois da estabilização de preços promovida pelo Plano Real, da revolução inclusiva e distributiva a partir de 2003 e da mudança de patamar de crescimento econômico a partir de 2006, o país agora passa por nova mudança fundamental: a colocação das taxas de juros em níveis normais para uma economia sólida e com baixo risco.

A despeito das substanciais melhorias ao longo da última década, que colocaram o Brasil como um novo protagonista na cena econômica internacional, as taxas de juros ainda vinham se sustentando em níveis excessivamente elevados ao longo do tempo. Era uma anomalia que não se justificava, apesar das inúmeras tentativas de explicação por parte de diferentes correntes de economistas.

Como um país que superou a histórica vulnerabilidade externa, equilibrou as contas públicas com geração de resultados fiscais robustos e redução da dívida, manteve a inflação dentro das metas e claramente ampliou seu potencial de crescimento, com o investimento crescendo sistematicamente acima do PIB nos últimos anos, ainda figurava como recordista mundial de juros?

As taxas elevadas estão na gênese de duas outras grandes distorções na economia, a saber, câmbio valorizado e carga fiscal elevada, que levam à má alocação de recursos e a um menor crescimento da economia. Juros elevados atraem capital externo para a arbitragem, valorizando o real (especialmente em um ambiente de afrouxamento quantitativo em países desenvolvidos) e diminuindo a competitividade da produção brasileira. Por outro lado, o alto serviço da dívida pública, que chegou a consumir 5,8% do PIB em juros até o ano passado, exige uma arrecadação maior de impostos, para atingir as metas fiscais estabelecidas pelo governo.

Tudo isso conspirava para prejudicar a produção. Uma situação na qual o sistema financeiro deixava de ser meio para viabilizar a produção e o consumo para se tornar um fim em si mesmo, e proporcionar sua maior lucratividade. Ao invés de a riqueza ser direcionada para o empreendedorismo, inovação, investimentos na indústria, agropecuária e serviços, enfim, para a ampliação da produção nacional e da nossa capacidade de oferta, ela ficava retida no sistema financeiro nacional, em busca do ganho fácil proporcionado pelas aplicações financeiras.

O governo Dilma Rousseff elegeu como um dos seus principais desafios dar um salto de competitividade na economia brasileira, sem abrir mão de se manter na rota da inclusão social e da redução da desigualdade trilhada nos anos precedentes. Nesse sentido, colocava-se como absolutamente estratégico remover, ou pelo menos minimizar, a distorção que havia nos dois principais preços do país: juros e câmbio.

A redução da carga tributária já começou e apenas em 2012 haverá uma desoneração de R$ 45 bilhões

A recaída da crise internacional ocorrida a partir do segundo semestre de 2011 teve severo impacto sobre a atividade econômica. Nesse quadro, abriu-se a oportunidade de avançarmos definitivamente na queda dos juros, sem colocar em risco a inflação e ainda diminuindo os impactos da crise externa sobre o Brasil. Foi muito importante a elevação do resultado primário de 2011 para dar respaldo a redução de juros verificada nesse período.

A despeito de algumas críticas iniciais, houve grande consenso para a ação do Banco Central, que cortou a taxa Selic em cinco pontos percentuais, levando a taxa real de juros abaixo de 2% ao ano, estabelecendo um novo paradigma. Mas, antes de os juros chegarem a esse patamar, foram intensificadas as atuações no mercado de câmbio, de forma a reverter a sobrevalorização que, em tempos de disputa acirrada por mercados dinâmicos como o brasileiro, agravava as dificuldades da indústria nacional. Ainda no primeiro semestre de 2012, o dólar já atingia a casa de R$ 2, permanecendo acima desse nível até o fim do ano.
E fizemos tudo isso com a inflação em 12 meses recuando na comparação com 2011 e caminhando na direção do centro da meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

A redução da carga tributária já começou e apenas em 2012 haverá uma desoneração de R$ 45 bilhões, que representa cerca de 1% do PIB.
Um mundo novo de oportunidades vai surgir para aqueles que querem ver seu capital se expandir, mas, desta vez, capitaneado pela produção. A atividade financeira vai se adaptar e encontrar os caminhos da rentabilidade apoiando a atividade produtiva. A era do ganho fácil e sem risco ficou para trás, apesar do choro e ranger de dentes dos poucos que se beneficiavam dessa situação.

A tendência é que, em 2013, já comecemos a ver mais claramente os frutos disso na economia. O mercado de capitais tende a florescer, impulsionando ativos financeiros ligados a produção, como debêntures, Fdics e outros produtos financeiros direcionados para o setor privado. O mercado de ações terá mais dinamismo e se fortalecerá como fonte de capital para as empresas poderem expandir seus negócios. O mercado imobiliário, que, estimulado pelas políticas do governo, deu um salto nos últimos anos, também será impulsionado pela nova realidade econômica brasileira.
Na busca de melhorar a rentabilidade de seu capital, os investidores privados vão colocar à disposição das empresas recursos que levarão à expansão da oferta na economia, geração de empregos e mais renda, reforçando o combate à desigualdade no país.

Temos certeza que essa estratégia será bem sucedida e garantirá um maior e mais sustentável dinamismo de longo prazo para a economia brasileira. Mas leva algum tempo para que essa revolução promovida por nós tenha seus efeitos plenos. São os custos e paradoxos da transição.

Não é exagero dizer que o Brasil estava viciado em juros altos e câmbio valorizado. Toda estrutura produtiva estava adaptada para essa realidade e a desintoxicação não ocorre do dia para noite. Tampouco é um processo fácil e tranquilo. A adaptação da economia a essa nova realidade econômica demora um pouco mais devido aos efeitos da crise internacional, que reduzem a confiança e paralisam o comércio internacional.

Mesmo os setores produtivos, que, no médio prazo, ganham com juros normais, estavam habituados a aplicar recursos de caixa em produtos financeiros de rápido retorno; portanto, a redução dos juros pode implicar, de imediato, um efeito-riqueza negativo para as empresas. Igualmente, os setores exportadores, que tendem a ganhar com a taxa de câmbio mais competitiva, vinham, por força de um real demasiado forte, tomando empréstimos no exterior e substituindo insumos domésticos por importados; nessas circunstâncias, a depreciação da taxa de câmbio poderia trazer mais perdas do que ganhos no curto prazo.
Temos consciência também de que a correção da histórica distorção de juros e câmbio, por si só, não resolve todos os nossos problemas. É muito importante também dar um salto na competitividade por meio da remoção de gargalos na infraestrutura, logística e nos custos das empresas.

Nesse sentido, lançamos uma primeira rodada de concessões de aeroportos, que já começa a gerar investimentos na ampliação da capacidade operacional de três importantes sistemas: Guarulhos, Brasília e Viracopos. Depois, anunciamos um ambicioso programa de investimentos em rodovias e ferrovias, com previsão de mais de R$ 130 bilhões em recursos e que deverá rodar com velocidade a partir de 2013. Acabamos de anunciar também um programa para melhorarmos de forma expressiva a infraestrutura portuária no Brasil.

Mesmo os setores produtivos estavam habituados a aplicar em produtos financeiros de rápido retorno

Na redução de tributos foi dada ênfase à desoneração da folha de pagamentos, que neste ano beneficiou quinze setores e, a partir de 2013, alcançará mais de quarenta. Essa medida tem a grande virtude de reduzir o custo de mão de obra no Brasil sem reduzir os direitos dos trabalhadores, que costumam aparecer como os primeiros prejudicados em tempos de crise econômica (como está ocorrendo, por exemplo, na Europa). A mais recente desoneração da folha anunciada pelo governo foi para o setor de construção civil, medida que também vai impulsionar os investimentos.

Anunciamos também uma medida crucial para baratear os custos produtivos no Brasil: a redução do preço da energia. A despeito do equívoco de avaliação e da falta de cooperação de algumas empresas dos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina, conseguimos garantir que, a partir de fevereiro de 2013, a conta de luz cairá em torno de 20%, na média. Certamente essa é uma medida de alto impacto na produção nacional e vai alavancar nossa competitividade.

Também vale destacar a redução do custo financeiro para o investimento. Além da já mencionada mudança estrutural na taxa Selic, reduzimos a taxa de juros do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) para 2,5% ao ano no último trimestre de 2012. E recentemente anunciamos a renovação do programa para 2013, com taxa média em torno de 3,5% ao ano e R$ 100 bilhões disponíveis para as empresas tomarem emprestados no sistema financeiro.

Nesta nova edição do programa, inovamos para ter uma maior participação do setor privado, a partir da liberação de R$ 15 bilhões dos depósitos compulsórios sem remuneração retidos no Banco Central. Os outros R$ 85 bilhões serão emprestados dentro do sistema BNDES, que tem sido o grande impulsionador dos investimentos. Nosso objetivo é que, no ano que vem, os investimentos no Brasil cresçam o dobro do PIB, como ocorreu em quase todos os anos desde 2006.

Não podemos deixar de falar da agenda de melhoria no perfil tributário do país. Estamos em pleno esforço para acabar com a guerra fiscal, por meio da mudança no ICMS interestadual, cujas negociações têm avançado tanto com os governadores como com o Senado Federal. Vamos melhorar também a legislação do PIS/Cofins, simplificando esses tributos.
A falta de resolução da crise internacional nos permite antever mais alguns anos de crescimento baixo no mundo. Infelizmente, os países avançados têm optado por um caminho que não permite a retomada rápida do crescimento econômico e que, equivocadamente, busca a correção do alto endividamento apenas com medidas de austeridade fiscal, que levam a deterioração das condições econômicas e sociais. O Brasil tem buscado outro caminho, o da política fiscal anticíclica, estimulando investimento, reduzindo custos, e mantendo a solidez fiscal, sem deixar de preservar os direitos e conquistas de nossos trabalhadores, especialmente aqueles de menor renda.

A despeito do crescimento abaixo do previsto por nós e por todos os analistas, 2012 foi um ano extremamente importante para o futuro da economia brasileira. A recuperação de taxas mais vigorosas de crescimento do PIB já está em curso e isso ficará claro em 2013. Mas o mais importante é que estão fixadas as bases para que o Brasil tenha taxas elevadas de crescimento por muitos anos, melhorando o emprego, a renda e diminuindo as desigualdades que subsistem em nosso país.

Guido Mantega/Ministro da Fazenda

Média: 5 (1 voto)

Opções de exibição de comentários

Escolha o modo de exibição que você preferir e clique em "Salvar configurações".
imagem de José da Silva Soares
José da Silva Soares

A maior crise da história

Taí o resultado! A maior crise da história! Viva a Nova Matriz!

Seu voto: Nenhum

Comentar

O conteúdo deste campo é privado e não será exibido ao público.
CAPTCHA
Esta questão é para testar se você é um visitante humano e impedir submissões automatizadas por spam.
+13 comentários

E interesssante que a nossa elite (?) empresarial ainda tem saudade do fhc. Elespreferem a mamata do que melhores condições econômicas. Ganharam tudo o que com razão queriam, mas agora que vão ter que trabalhar ficam espancados e com medo. E medo da mídia eh claro, o queos impede ao menos comemorar os avanços.
Afinal, sao empresários, ou o DNA de golpista fala mais alto?

 

Quem não desconfia de si próprio não merece a confiança dos outros (ditado árabe).

Pibinho e desemprego baixo: como é possível?
22 de dezembro de 2012 | 2h 07....O Estado de S.Paulo
Análise: Fernando de Holanda Barbosa Filho.....PROFESSOR DO INSTITUTO BRASILEIRO DE ECONOMIA (IBRE), DA FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS - O Estado de S.Paulo

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou ontem a taxa de desemprego de novembro: sem ajuste sazonal, 4,9%, com ajuste, 5,3%, estável em relação a outubro. Foi a segunda menor taxa em toda a série do IBGE e a mais baixa para um mês de novembro. Em 12 meses, o rendimento real habitual aumentou 5,3%.

O bom desempenho do mercado de trabalho contrasta com os números do PIB (Produto Interno Bruto). Este vai crescer 1% em 2012, sendo chamado de "pibinho", ao mesmo tempo em que o mercado de trabalho apresenta taxas de desemprego com recorde de baixa.
Os economistas ainda não chegaram a um consenso sobre quais fatores explicam essa dissonância entre atividade econômica e mercado de trabalho. Dois fortes candidatos são a retenção dos empregados pelas empresas e o ganho de importância relativa do setor de serviços.

A retenção dos trabalhadores pelas empresas explica parte do bom desempenho do mercado de trabalho. Apesar do baixo crescimento da produção, a expectativa de um futuro melhor estimula as empresas a não demitirem seus funcionários (mesmo que subutilizados).

Isso ocorre porque o mercado de trabalho apertado faz com que os trabalhadores disponíveis no mercado sejam em geral de qualidade inferior à daqueles que estão empregados. Dessa forma, a empresa prefere manter o trabalhador já treinado e de melhor qualidade a pagar elevados custos de demissão e correr o risco de ter que contratar um trabalhador pior e não treinado no futuro.
Obviamente, esse processo só ocorre enquanto os empresários estão otimistas sobre o futuro. Isso parece ter ocorrido este ano.

Uma explicação complementar é o aumento do peso dos serviços na economia. O setor de serviços é mais intensivo em mão de obra do que a indústria, ou seja, utiliza mais trabalhadores por unidade de valor adicionado.
Como esse setor cresceu (pelo menos até o segundo trimestre de 2012) mais rapidamente que a indústria, parcela dos empregos perdidos na indústria foi absorvida pelo setor de serviços.

Por outro lado, a produtividade média do trabalho é menor nos serviços do que na indústria, o que ajuda a explicar por que o aumento do emprego não levou a produção a crescer mais. A dissonância entre emprego e produção pode acabar se o setor de serviços não recuperar o seu dinamismo, perdido no terceiro trimestre, ou se piorarem as expectativas de produção futura das empresas.

Se isso ocorrer, os serviços pararão de absorver os empregos perdidos em outros setores e cessará a retenção de trabalhadores pelas empresas que esperam dias melhores a curto prazo.

 

2014---distribuição de renda

Ola,

bom texto o que a fazenda soltou no Valor Econômico. Otimista, claro. Mas se o capitão do barco for pessimista, estaríamos mal.  E ele nem falou da taxa de desemprego que se mantém lá em baixo.

A mídia vai repercutir. Os críticos vão falar. Ótimo! Assim é a democracia.

Impressionante o pouco (ou nada) que se fala, na grande mídia, sobre como funcionava o esquema de arbitragem. Ou de como ele foi desmontado no governo Dilma, e de como ainda hoje há quem chore sua perda. É só ler a Economist. :)

O povão ainda não entendeu o que aconteceu. Nem a classe média. Isto tem que ficar entranhado no imaginário popular. A queda da SELIC e o desmonte da jogatina dos derivativos cambiais tem que ser comemorados como a criação do Real o foi no governo FHC. Dilma tem que ser associada a esta transformação. O problema é que é muito abstrato: o Real era uma nota de papel, que se carregava na mão; por outro lado, a SELIC é ...

"a taxa apurada no  Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC), obtida mediante o cálculo da taxa média ponderada e ajustada das operações de financiamento por um dia, lastreadas em títulos públicos federais e cursadas no referido sistema ou em câmaras de compensação e liquidação de ativos, na forma de operações compromissadas."

Você entendeu? Nem eu!

Derivativo cambial, então, nem vou tentar definir. Mas talvez fique mais fácil pregar no imaginário que foi o que fez quebrar a Sadia, a Aracruz Celulose e derrubou o grupo Votorantim lá na crise de 2008.  (http://www.chrinvestor.com/2008/10/15/o-perigo-dos-derivativos-cambiais/).

Minha sugestão é que alguém com dotes "gráficos" faça uma revista em quadrinhos, uma charge, ou qualquer outra coisa parecida para explicar para o povão como funcionava:

- os investidores externos (boa parte brasileiros com dinheiro enviado para o exterior) traziam dólar de fora,

- o BC enxugava os dólares, comprando tudo e acumulando dólares (as divisas nacionais que chegaram a valores altíssimos durante o governo Lula), 

- com os reais na mão, os especuladores aplicavam aqui com juros reais de 7 a 12% ao ano

- os bancos lastreavam derivativos para multiplicar este esquema, assim cada dólar aplicado podia ser amplificado N vezes

- ao trocar os rendimentos dos reais por dólares, o Real já estava valorizado perante o dólar, devido ao fluxo irreal de dólares que buscavam esta jogada: ganhava-se outra vez...

- com o Real mais valorizado, refreava-se a Inflação através da importação sem limites. Comprava-se no Brasil molho de tomate italiano em lata mais barato do que o tomate produzido aqui. E dizia-se que era a SELIC alta que controlava a inflação. 

Gosto de dizer que era o "câmbio flutuante" de 2005 até 2011 era um "bote" flutuante com uma âncora de ferro de algumas toneladas puxando ele para dentro do mar escuro. Mas, todos ganhavam: os aplicadores ($$$), os bancos ($$$) , o BC (que "faturava" uma inflação baixa) . E até a indústria nacional aproveitava a carona: fazia sua fézinha nesta ciranda. Claro! Aracruz e Sadia estão aí para lembrar dos efeitos do "crack cambial".

Os grandes investidores deserdados pela SELIC farão mais uma vez suas apostas na eleição presidencial, assim como nas dos novos senadores e deputados federais. Basta uma nova equipe asusmir o Planalto, com outros compromissos, tomando o lugar de Dilma em 2014-2018 (seja ele do PT ou de outro partido), que no primeiro repique inflacionário ou na primeira crise de câmbio, as frouxas amarras legais que hoje  impedem a arbitragem serão retiradas. Como o remédio não vai funcionar para resolver a crise (até porque o objetivo não era esse, mesmo), voltar-se-á para a sangria, para a pulsoterapia de SELIC elevada. E para a ciranda do "câmbio/bote flutuante com âncora de transatlântico". 

Escrevam aí: se Lula barrar Dilma e se recandidatar a presidente, ganha no PT e nas urnas. E vai colocar Meirelles no BC e Palloci na Fazenda. Tombini volta para algum cargo secundário no BC. Ou sai de licença para o exterior. E esta farra toda volta.

Vão se passar alguns anos antes que o vício seja superado. Mantega está sendo otimista.

Saulo

 

Rapaz, escrevi um texto enorme sobre isso há um tempo atrás, em meu blog, chamadao "Por quem os sinos dobram" (http://www.caetano.eng.br/pecado/showpost.php?post=1000 , http://www.caetano.eng.br/pecado/showpost.php?post=1001, http://www.caetano.eng.br/pecado/showpost.php?post=1002 e http://www.caetano.eng.br/pecado/showpost.php?post=1003 ), os quais reproduzo a seguir, sem as notas de rodapé:

Por Quem os Sinos Dobram - Parte 1

-----------------------------------------

A observação da natureza mostra como a grande maioria dos animais é afeita a padrões. O ser humano, certamente, não foge à esta regra. Dormir sempre do mesmo lado da cama, seguir a "moda" ou mesmo "nunca fazer a mesma coisa" são padrões aos quais estamos habituados; é incomum encontrar um animal saudável que apresente um comportamento errático.

Esse é assunto para um outro post, mas o fato é que, como humanos, temos hábitos. Sempre tentamos estabelecer regras e identificar padrões. Quanto mais agimos sem pensar, mais nos tornamos "escravos" das regras tácitas que construimos em nossas mentes.

Para a maioria das pessoas isso significa apenas ir sempre ao mesmo supermercado, ouvir todos os dias as mesmas rádios, cortar o cabelo sempre do mesmo jeito (ou sempre de um jeito diferente)... o maior risco que as pessoas normais correm é cair na mesmisse e ter uma crise no casamento porque é tudo "sempre muito igual".

Para pessoas da área técnica, entretanto, os hábitos podem ser desastrosos. O hábito de seguir uma regra pode cegar para outros elementos e tornar o resultado de uma análise totalmente equivocado, causando prejuízos enormes, sejam eles financeiros ou humanos.

Um destes hábitos perigosos é o de seguir um "mantra" sem o saudável questionamento... um mantra como aquele que transparece em declarações de especialistas e leigos na área econômica: se a atividade econômica aumenta, tem inflação... e então o governo deve subir a taxa de juros básica (SELIC, no Brasil) para reduzir a atividade econômica e controlar a inflação. Esse assunto tem estado há tanto tempo na pauta, todos os dias no jornal, que a grande maioria das pessoas concorda com essa regra e se surpreende quando, por exemplo, o Banco Central abaixa a taxa de juros básica mesmo com uma inflação relativamente alta.

Será que o Banco Central errou?

Será que foi interferência política?

Bem, ao invés de responder diretamente a estas perguntas, vou apresentar o assunto por um outro viés... vou lhe fazer uma pergunta, caro leitor: você sabe o que é e para que serve a taxa SELIC?

 

O Que é a Taxa SELIC

Creio que todos saibam o que é tomar um empréstimo. Alguém que precise de dinheiro vai ao banco e solicita um empréstimo. O gerente do banco analisa o pedido da pessoa, as garantias que ela dá e, de acordo com o risco do empréstimo (leia-se: da pessoa não pagar), diz quanto pode emprestar e estipula uma taxa de juros, que é o quanto a mais a pessoa terá que pagar ao banco para receber o empréstimo. Nestes termos, o juro é uma remuneração ao banco pelo risco que ele corre quando empresta dinheiro a alguém.

Bem, para um governo as coisas não são tão simples; primeiro porque os empréstimos que o governo eventualmente precisa são muito altos e segundo porque um governo pegar dinheiro no sistema bancário do próprio país pode ter consequências ruins que fogem ao foco deste texto. Entretanto, o governo não está "abandonado", ele tem diversas alternativas.

Ele pode imprimir dinheiro1 ou aumentar impostos2, por exemplo. Pode até pedir dinheiro ao Fundo Monetário Internacional (FMI) 3. Cada uma dessas opções tem consequências muito ruins para o país, para não falar no custo político.

Mas então... o governo não tem uma alternativa saudável? Todas as formas de pegar empréstimo são horríveis?

Bem, é exatamente para isso que existem os chamados títulos púbicos. Qualquer cidadão pode comprar um destes títulos que, na prática, significa que o cidadão emprestou dinheiro para o governo. O título simplesmente diz isso: "Fulano de tal, emprestou R$XXXX,XX para o governo, que será devolvido em YY anos". Ora, e por que, em sã consciência, um cidadão que já paga uma fortuna em impostos se interessaria por emprestar dinheiro ao governo?

É nessa resposta que está o pulo do gato.

Para que as pessoas emprestem dinheiro ao governo, ele paga uma taxa de juros anual, que usualmente varia com o prazo (o número de anos para que o governo devolva o dinheiro). Essa taxa de juros pode ser fixa (8% ao ano, por exemplo), pode ser atrelada à inflação (IPCA + 3% ao ano, por exemplo) ou pode ser atrelada à uma taxa flutuante que, no Brasil, atualmente é a chamada SELIC.

Assim como o banco exige que o juro seja maior quanto maior o risco, também as pessoas que pretendem comprar títulos do governo têm exigências: quanto mais arriscado é considerado o investimento em um país, maior é a taxa de juros exigida dos títulos públicos daquele país.

Assim, se o governo precisa muito de dinheiro emprestado, ele pode subir a taxa de juros, para tornar o empréstimo ao governo mais "atrativo". Exemplo: se você pode investir na sua loja e ter um retorno de 8% e correr todos os riscos, ou pode emprestar para o governo e receber 12.5% correndo bem menos riscos... é uma decisão óbvia: empreste para o governo e vá descansar na rede, tomando uma cerveja na beira da praia!

Bem, sabendo que o Brasil tem uma das mais altas taxas de juros do mundo, pode-se concluir que o Brasil é um dos países que mais precisa de dinheiro... ou é um dos países mais arriscados do mundo para se investir, certo?

ERRADO.

Foge ao escopo deste texto explicar o porque, mas o Brasil é, atualmente, um dos países de menor risco de investimento e, sim, o governo precisa de dinheiro, mas não na magnitude que a taxa de juros SELIC sugere.

Em uma análise superficial, essa incoerência pode não ser grave... mas em uma análise mais aprofundada, os problemas ficam evidentes.

 

Problemas de uma Taxa de Juros Alta

 

Quando somos nós quem pagamos um empréstimo, queremos que a taxa de juros seja sempre a menor possível, não é? Bem, para o governo, então, quanto menor o juros que ele tiver de pagar, também é melhor, correto?

Mas o que nós, simples cidadãos, temos com isso?

Nós temos com isso que esses juros são pagos com os impostos que nós pagamos. "Lendo" de outra maneira, quanto maior a taxa de juros, maior é a fatia dos nossos impostos que é repassada aos cidadãos que emprestaram dinheiro ao governo.

Apesar de só isso, em si, não ser razão para indignação, vamos pensar com um pouco mais de calma. Imagine um sujeito que ganha R$3.000,00 por mês e gasta, para se manter, cerca de R$1.500,00. Vamos chamar esses R$1.500,00 que sobram de capacidade de investimento.

Suponhamos agora que este indivíduo resolva comprar um carro, com uma parcela de R$900,00 por mês. Isso significa que, no orçamento dele, a capacidade de investimento passou a ser de R$600,00 (R$1.500,00 anteriores menos os R$900,00 do carro). Digamos também que, por conta de necessidades de melhorias em sua casa - uma pinturinha aqui, um vaso novo ali -, ele sempre acaba investindo todo este dinheiro (ou, em outras palavras, ele gasta).

Imagine, agora, que esse sujeito fique doente, passe um dia internado em um quarto de hospital e ganhe uma "conta" de R$1.200,00. Ora, se ele não tivesse a prestação do carro, ele poderia pagar esse valor e ainda sobraria; como ele tem que pagar a prestação, entretanto, ele não tem dinheiro para pagar: sua "folga" é de apenas R$600,00 por mês. Assim, ele é obrigado a pegar outro empréstimo, e sua situação se agrava. Ele pensa: "ah, nos próximos 3 meses eu não mexo na casa e pago esse empréstimo que peguei para pagar o hospital".

Tudo perfeito... se não ocorrer nenhum outro imprevisto.

Bem, a situação do governo é análoga: a receita do governo vem dos impostos. Quanto maior for a fatia dessa receita empenhada em pagar juros de títulos, menor é a sobra do orçamento disponível para investimentos, saúde, educação e outros. Se a capacidade de investimento do governo é baixa, qualquer investimento que seja necessário pode obrigar o governo a tomar outro "empréstimo", isto é, vender ainda mais títulos públicos... o que comprometerá ainda mais a receita, sobrando ainda menos recursos para honrar as contas do dia a dia. Esse conjunto de consequênicas compõe um ciclo vicioso que leva todo o imposto pago pela sociedade para o bolso das pessoas que emprestaram o dinheiro para o governo, que, por sua vez, fica imobilizado, sem condições de investir.

Além do crescente endividamento do governo, uma taxa de juros alta leva a outras consequências indesejáveis para o país.

Por Quem os Sinos Dobram - Parte 2

-------------------------------------

No artigo anterior foi apresentada uma breve explicação sobre o significado da taxa SELIC e também foi apresentado um dos muitos problemas de um valor alto para esta taxa.

 

Neste artigo serão apresentados os problemas que as altas taxas de juros trazem para o setor produtivo, bem como o efeito dessas taxas no "preço" do Dólar e as consequências dessa interação na economia. Finalmente, inicia-se a discussão da razão para as sugestões de alta na taxa de juros.

 

A Redução da Produção

 

Uma consequência direta - mas nem sempre muito bem compreendida - das altas taxas de juros é a redução dos investimentos em produção. Por que uma taxa de juros de títulos do governo alta iria influir na produção?

Para entender esse efeito é necessário, antes de mais nada, compreender qual é o "combustível" dos investidores: a rentabilidade. Sempre que alguém vai investir em qualquer negócio, essa pessoa observa pelo menos quatro elementos: 1) o montante a ser investido; 2) a remuneração pelo investimento; 3) o prazo de retorno do investimento e, finalmente, 4) o risco envolvido.

Se um investidor tiver de escolher entre várias alternativas de investimento, ele vai escolher comparando esses fatores entre todos os investimentos possíveis, selecionando aquele que lhe parece mais interessante.

Destes quatro fatores, entretanto, um se sobressai quando se analisa o comportamento da grande maioria dos investidores - em especial em épocas de grandes incertezas como a em que vivemos: o risco. Quanto maior o risco, mais difícil achar alguém para topar um investimento. Um alto risco faz com que muitos investidores sequer se interessem ´pela rentabilidade/prazo de retorno do investimento4.

Neste panorama, imaginemos que um investidor seja picado pelo "mosquito do empreendedorismo" e resolva investir R$100.000,00 para abrir uma loja de uma franquia qualquer. Esse tipo de investimento exige um montante alto, costuma ter um prazo para retorno relativamente dilatado (2 a 3 anos, se tudo correr bem) e, no final, consideremos que a rentabilidade não é exatamente gigantesca, ficando na casa dos 30% ao ano. O risco, por sua vez, é médio (por se tratar de uma franquia)... e incomoda o empreendedor.

 

Neste momento, com o risco em mente, o investidor pensa em tudo que ele tem a perder: suponhamos que não dê certo; o que está em jogo não é apenas a rentabilidade: é preciso considerar que não será fácil "sair" do negócio, pois para recuperar uma boa parte do valor inicialmente investido é preciso achar alguém para comprar a "unidade franquiada". Isso significa que, se não der certo, recuperar o capital investido será difícil, se não impossível. Considerando que funcione mais ou menos bem, será necessário pelo menos uns 2 a 3 anos para que o investimento seja pago... e depois disso, o rendimento ainda não é muito bom. Isso para não falar no trabalho de tocar uma unidade comercial, lidar com funcionários, clientes, manutenção...

Aí o investidor olha para o lado e vê as "ofertas" de títulos do governo: você empresta quanto quiser, escolhe o prazo para receber seu capital de volta, não vai ter trabalho algum par obter sua renda e, finalmente, não corre praticamente risco nenhum.

Repare, porém, que quando a taxa de retorno do investimento na franquia for de 30% (ou mais) e a taxa de juros do governo for de 10% (ou menos), o investidor ainda pode ficar tentado a montar o negócio, afinal... mesmo com o risco maior e a dor de cabeça maior, é um retorno 3 vezes maior. Entretanto, à medida em que a taxa de juros sobe, investir na franquia fica cada vez menos atrativo5.

Ora, quanto mais próxima da rentabilidade da franquia for a rentabilidade garantida pelo governo, menos pessoas se aventurarão com a franquia. Isso faz com que o país cresça mais lentamente; todos os novos negócios que iriam ser criados, gerando emprego, renda e mais impostos simplesmente deixam de ocorrer, agravando a situação do governo (que além de ter que pagar uma grande soma em juros pelos títulos, ainda por cima passa a arrecadar menos impostos).

Assim, mais uma vez fica claro que subir a taxa de juros básica - aproximando-a do retorno dos investimentos tradicionais - tem efeitos deletérios para a economia como um todo.

 

O Problema do Dólar

Esses resultados já seriam suficientemente ruins se nosso país fosse, como se diz, "uma ilha", absolutamente isolado do mundo. Mas, como o Brasil não é isolado, uma alta taxa básica de juros tem consequências ainda mais insanas, em especial com o resto do mundo em crise.

 

Por quê? Bem, comecemos entendendo o que se passa nos países em criste. Como uma maneira de contrapor os efeitos acima relatados (além de outros), estes países sustentam a taxa de juros em níveis muito baixos. A idéia é que isso estimule o investimento na chamada "economia real" (produção de bens e serviços), tornando tais investimentos muito mais atrativos que deixar o dinheiro parado com o governo6.

 

Por outro lado, as pessoas desses países têm uma alternativa além da clássica "abrir um negócio x comprar títulos do governo de seu país"... que tal comprar títulos do governo brasileiro?

 

Existe um pequeno empecílho para os estrangeiros, entretanto: os títulos do governo brasileiro são vendidos em reais, não em sua moeda ou em dólares... Sendo assim, para comprar títulos do governo do Brasil, os investidores estrangeiros precisam comprar reais... ou, em outras palavras, os estrangeiros precisam encontrar brasileiros que queriam trocar reais por dólares.

 

Como está difícil e arriscado obter bons rendimentos na maioria dos países e o governo brasileiro oferece uma opção muito rentável (altas taxas de juros) e de baixo risco, o resultado é uma quantidade enorme de investidores estrangeiros desejando trocar dólares por reais, a fim de comprar títulos do governo. Sendo assim, como tem muita gente com dólar procurando pessoas que tenham reais para "trocar", o resultado é que sobram dólares e faltam reais.

 

Neste caso, as moedas se comportam como produtos no mercado. O que ocorre com o preço de "coisas" que estão em falta? E com o preço das "coisas" que estão sobrando?

 

Como sobra dólar, seu "preço" cai... como falta Real, seu preço "sobe". Isso significa, em outras palavras, que o Real se valoriza frente ao dólar. Quais as consequências disso?

 

Para a indústria estrangeira, isso é maravilhoso: com o Real valorizado, um Real "compra" mais dólares e, assim fica barato comprar todos aqueles produtos importados, ir viajar para o exterior e gastar um monte de grana por lá. Entretanto, para a nossa indústria... um Real valorizado significa o caos.

A indústria nacional tem a maior parte dos seus custos atrelados à moeda Real e, quando o valor da moeda Real sobe com relação ao Dólar, são necessários mais dólares para comprar um produto em reais. Em outras palavras, isso significa que o preço dos nossos produtos fica mais alto quando comparados com produtos cujos custos são atrelados à moeda dólar. No fim das contas, isso significa que, quanto mais valorizado estiver o Real frente ao Dólar, mais difícil vai ser vender produtos brasileiros para estrangeiros. Os estrangeiros vão preferir comprar os produtos mais baratos de outros lugares... ao invés de comprar os "caros produtos brasileiros". Para piorar, mesmo aqui no Brasil, muitas vezes os consumidores darão preferência para produtos importados ou com muitas peças importadas pois seu valor tenderá a ser mais baixo.

 

Ora, com a redução do consumo de seus produtos, as empresas nacionais tendem a quebrar, a empregar menos, a pagar menos impostos... atrapalhando ainda mais o nosso país e o nosso povo. Alguns podem argumentar que isso estimularia a nossa indústria a aumentar sua eficiência, mas aumento de eficiência exige, normalmente, investimentos. Ora, se a rentabilidade da empresa está caindo e a taxa de juros do governo está alta, torna-se um contra-senso investir na empresa! Alguns empresários abnegados até podem fazer isso, mas serão poucos!

 

O governo poderia minimizar o problema com taxações aos produtos importados, mas infelizmente isso não é algo que o país tenha liberdade de fazer... sem sofrer retaliação de outros países que (ainda) compram nossos produtos. Se, por outro lado, o governo simplesmente reduzir os impostos dos produtos nacionais, perde arrecadação, complicando seu próprio orçamento7.

 

Diante de tantas coisas horríveis que os juros altos causam... você deve estar se perguntando: como é que algum "jornalista de economia" pode defender a alta de juros?

 

Bem, nesta hora fala mais alto um dos três "Is": ou é ignorância, ou é incompetência... ou é interesse. Usualmente é um pouco de cada um, com grande ênfase no último.

 

Por Que o Mercado Diz Querer Que os Juros Subam

 

Os analistas de economia sempre tem uma resposta pronta quando lhes questionam sobre sua recomendação de juros altos: inflação. Entretanto, para dar essa resposta, fazem força para ignorar que o aumento de juros não é o melhor remédio para qualquer tipo de inflação8... além de ignorar todos os problemas dos já mencionados anteriormente. Em outras palavras, "juro alto" é daquele tipo de remédio que mata a doença, só que "leva" o paciente junto.

 

Mas aumento de juros não abaixa a inflação? Sim... mas digamos que... juros altos fazem a inflação baixar, em geral, pela razão errada.

 

A alta da inflação é, usualmente, relacionada ao aumento do consumo. Por outro lado, em uma primeira análise, parece existir uma relação direta entre "aumento de juros" e "queda do consumo"... mas, na realidade, a coisa é bem mais complexa. Como dizia um professor de cálculo da USP: "Para todo problema complicado existe pelo menos uma resposta muito simples... e errada!"

 

Um remédio bem receitado é aquele que ataca a doença, não a febre. É preciso entender de onde vem a inflação brasileira para que se possa definir um remédio eficiente.

 

Considerando que os salários dos Brasileiros não têm crescido a taxas "palacianas"9, de onde viria um aumento do consumo capaz de gerar inflação? Há muitas respostas para essa pergunta, mas a resposta que tem relação com a taxa de juros pode ser definida com uma palavra: crédito.

 

Se as pessoas não estão tendo aumentos exorbitantes, a única explicação para conseguirem comprar muito mais é... estão tomando empréstimos. A idéia defendida por analistas é que "se a taxa de juros do governo sobe, a taxa de juros ao consumidor fica mais alta"... então, com a alta de juros, as pessoas irão tomar menos empréstimos e a economia irá desaquecer, reduzindo a pressão inflacionária.

 

Independente de quão sedutora essa explicação seja, no meu humilde entender, ela é absurda, quando se compara a taxa de juros oferecida pelo governo com a taxa de juros cobrada do consumidor.

 

Nos melhores casos - crédito consignado -, a taxa de juros ao consumidor é de 20% ao ano, ante os 12% da taxa SELIC. No caso médio, a taxa de juros é muito maior, indo além dos 150% ao ano em modalidades de empréstimo "pega trouxa", como cartão de crédito e cheque especial.

Vamos considerar que, na média, o crédito oferecido ao consumidor seja de 120% ao ano10. Digamos que, se a SELIC dobrasse (fosse a 24%), esperar-se-ia um aumento na taxa média ao consumidor de aproximadamente 12 pontos, indo a cerca de 130%. Ora, um sujeito médio que tome empréstimo com juros de 120%, toma igualmente um empréstimo com juros a 130%. O que o consumidor médio olha - em especial os com menor cultura econômica - não é a taxa de juros, mas sim "se a prestação cabe no bolso". Isso significa que, para ele, se a taxa de juros for maior mas ele puder pagar em 36 vezes ao invés de 24 vezes, "melhor"! (em sua visão simplória, claro!)

 

Mas se a teoria não se sustenta nem diante de uma análise simples e com um aumento tão exagerado da SELIC, como é que ela é divulgada como realidade indiscutível?

 

A questão é que o aumento da taxa de juros vai sim reduzir a tomada de empréstimos, mas não é pelo aumento da taxa ao consumidor...

 

Para entender porque, coloque-se no lugar do banco.

 

Se você, como banqueiro, tem um investimento de alto retorno (títulos do governo) com um risco baixíssimo, por que é que você investiria em negócios arriscados?

 

A resposta para a pergunta acima é... "para aumentar a rentabilidade". É claro que o banco vai fazer empréstimos de risco; entretanto, ele não vai colocar todo o seu capital nesses negócios. Assim como as pessoas, que diversificam entre "renda fixa", "poupança", "ações"... o banco também diversifica: ele empenha uma parte dos recursos em negócios "de alto risco e potencial alta rentabilidade" e, o restante dos recursos é investido em negócios "de baixo risco, ainda que com rentabilidade mais baixa". Podemos chamar o conjunto de investimentos do banco de "carteira de investimentos" do banco.

O cálculo realizado leva em conta os dois fatores: rentabilidade e risco; tenta-se maximizar a rentabilidade ao mesmo tempo em que se minimiza o risco do banco. Como os bancos são muito avessos ao risco11, a maior parte dos recursos tendem a ser alocados aos títulos do governo, ainda que estes possuam uma remuneração menor.

 

Ora, se os recursos vão para títulos do governo... eles deixam de ir para outros investimentos, como empréstimos (do ponto de vista do banco, empréstimo é investimento!)... e sendo assim, as pessoas têm menos recursos à disposição e, como consequência, há redução do consumo.

Por Quem os Sinos Dobram - Parte 3

-----------------------------------------

 

No artigo anterior foi apresentada uma explicação inicial sobre a razão pela qual o aumento da taxa de juros dos títulos do governo faz com que os bancos diminuam a dispobilildade de crédito ao consumidor... por outro lado, não foi discutido exatamente o motivo pelo qual isso é ruim.

Neste artigo será retomada a explicação da relação entre aumento de juros e baixa da inflação como base para uma explicação mais detalhada das consequências ruins da postura dos bancos. Adicionalmente, são discutidos aspectos que fazem com que certos grupos lucrem com a alta das taxas de juros dos títulos públicos, justificando a postura dos analistas econômicos nos jornais tupiniquins.

Por Que a Inflação Baixa Quando as Taxas de Juros Sobem?

Antes de continuarmos, vamos retomar e detalhar uma das relações já apresentadas anteriormente.

Em princípio, uma pessoa não pode comprar se não tiver recursos financeiros (vulgo: dinheiro). Assim, se as pessoas ficam sem dinheiro, elas param de comprar. Se as pessoas param de comprar, o mercado se desequilibra inicialmente, havendo mais oferta do que procura. Nesse panorama, a tendência natural seria que os preços caíssem, causando deflação (que é o exato inverso de inflação) e, portanto, revertendo o processo inflacionário.

Uma forma tradicional de uma pessoa sem recursos conseguir adquirir bens ou serviços é através dos empréstimo... empréstimos esses que, como vimos, são parte do "ganha pão" dos banqueiros.

Como se sabe, todo mundo que pega um empréstimo tem que pagar prestações e juros, além de suas contas usuais. Então, a matemática para a concessão de empréstimos é relativamente simples: a soma das contas mensais mais prestações e juros pagos não podem superar o rendimento do sujeito.

Com base nessa lógica e considerando que o aumento de juros leva a uma redução do total de empréstimos concedidos pelo banco, um raciocínio simples leva à conclusão de que o aumento de juros reduz o recurso disponível para que as pessoas consumam e, assim, conclui-se que o aumento de juros vai reduzir a atividade econômica, proporcionando a deflação previamente mencionada.

Como já foi visto, os bancos dizem - e as pessoas simplórias acreditam - que o aumento da taxa de juros do governo faz com que os juros ao consumidor subam e seria exatamente isso que derrubaria a inflação (em especial porque faria mais sentido para que as pessoas poupassem do que gastassem seu dinheiro). Entretanto, essa é apenas uma meia verdade... que esconde a Real razão pela qual os bancos e investidores adoram juros altos.

Uma simples análise da realidade nacional, agora com valores mais realistas do que fizemos no prieiro artigo - mostra o quão simplista é essa tese. Se o consumidor aceita tomar empréstimos com taxas de juros médias de 120% ao ano, por que é que ele deixaria de aceitar o empréstimo a uma taxa de juros de 120.25%? A variação da SELIC é insignificante frente às taxas de juros praticadas para o consumidor... o que faz com que a explicação dos bancos pela necessidade de juros altos seja, na melhor hipótese, conversa para boi dormir.

A questão é a seguinte: quando os juros dos títulos do governo estão baixos, os investidores e bancos têm estímulo a emprestar para os consumidores, mesmo com os alto riscos já citados. Entretanto, como já comentado, os bancos não gostam de riscos. Assim, quando os juros do governo sobem, eles preferem colocar mais recursos em títulos do governo, como também já explicado, porque embora o lucro seja menor, o retorno é certo... isto é, sem riscos.

Mas o que isso tem a ver com a redução da inflação?

Também como já discutido, a relação entre o comportamento do banco e a inflação é que, se o banco pegou o recurso e comprou títulos do governo, ele não vai emprestar para o consumidor que for até o banco pedir um empréstimo. Isso é feito, usualmente, não aumentando ainda mais as já absurdas e extorsivas taxas de juros ao consumidor, mas enrijecendo os critérios de concessão de crédito. Isso significa, por exemplo, que o senhor "Zé das Couves" que, com um salário de R$1.500,00 conseguia um empréstimo de R $500,00 "pré-aprovado" na semana anterior a um aumento da taxa SELIC, depois do aumento não terá mais seu crédito aprovado.

Observe que o cliente deixou de tomar o crédito não porque a taxa de juros subiu, mas porque o banco se recusou a emprestar. E o banco se recusou a emprestar porque tinha algo melhor para fazer com o dinheiro: emprestar para o governo e lucrar "sem fazer nada".

Esse tipo de situação é chamado, em "economiquês", de "empoçamento". Empoçamento é quando os bancos "sentam" em cima do recurso financeiro e não o emprestam.

Ocorre que essa é a forma errada de combater a inflação. E por quê?

A razão básica para que isso seja errado é o efeito sistêmico que o tal comportamento de "sentar" em cima do recurso ocasiona. Em resumo, se as pessoas não compram, as empresas deixam de vender. Se elas deixam de vender, elas deixam de lucrar e reduzem os empregos (e, eventualmente, quebram). Com a redução de empregos, a remuneração média das pessoas cai e elas passam a consumir ainda menos, agravando ainda mais o ciclo.

Esse ciclo vicioso é chamado de recessão e, basicamente, significa que o país para de crescer (na verdade, ele encolhe) e as pessoas ficam cada vez mais pobres.

E isso vale inclusive para o governo, que passa a arrecadar menos impostos, e, para continuar a investir e tentar reverter o processo, terá de pagar mais juros... Ocorre que, na situação recessiva, todos (as pessoas e governo) têm menos recursos e, sendo assim, há dois novos fatores envolvidos na "brincadeira":

  1. Poucas pessoas possuem recursos para investir em títulos do governo (ou seja, para emprestar para o governo);
  2. Com as quebras e perdas de emprego, o risco de calote aumenta (inclusive o do próprio governo).

Com esses dois novos fatores, o governo tem que pagar juros ainda mais altos, piorando ainda mais a situação, pois agrava o empoçamento e compromete ainda mais os recursos do governo com o pagamento de dívida, levando a uma crise profunda e permanente.

Quando isso ocorre, o país não tem outra alterntiva além de ir "com o pires na mão" pedir dinheiro ao FMI, como o Brasil fez diversas vezes antes de 2003.

Mas se o desastre é tão grande e iminente, por que é que o "mercado" colabora com essa visão tacanha dos bancos?

Por Que o "Mercado" Quer Que a Taxa de Juros Suba?

Como já foi apresentado de diversas formas, o aumento da taxa de juros sempre leva a consequências funestas para a chamada "economia real" (empresas produtoras, envolvendo sua cadeia de produção e consumo). Por que, então, "o mercado" deseja altas taxas de juros?

A resposta está, obviamente, na natureza humana. O ser humano é naturalmente preguiçoso e isso se manifesta das mais diferentes formas: do controle remoto ao uso de carro para ir à padaria. Isso não é intrinsecamente ruim, já que grande parte do chamado "desenvolvimento" está atrelado a "produzir mais fazendo menos"12.

O problema surge quando a preguiça chega a um extremo em que se quer ganhar sem esforço algum. Montar uma empresa, gerenciar funcionários... tudo isso dá muito trabalho (para não falar no risco)! Que tal colocar seu rico dinheirinho pra "procriar" no tesouro nacional? Vamos comprar títulos e deixar que os recursos se multipliquem sem que tenhamos de nos esforçar!

"Não é bem assim", você deve estar imaginando, "Isso pode funcionar bem para quem já tem os recursos... mas e para quem não os tem?"

Se você pensou isso, está sendo pouco criativo... provavelmente porque tem trabalhado demais. Esse pessoal preguiçoso que não quer trabalhar tem bastante tempo para ter idéias criativas. Preste atenção no que esse pessoal criativo observou (em valores reais, isto é, já com a inflação descontada):

  • Taxa de Juros de Empréstimo no Exterior: -1% a 1% ao ano.
  • Taxa de Juros de Títulos do Governo no Brasil: 5% ao ano.

O indivíduo imagina: "Humm, vou pegar dólares emprestados nos EUA, a juros reais negativos, e vou comprar título no Brasil". Parece esquisito? Não é não. Veja o que acotece (simplificadamente, usando uma única moeda, em valores reais), tomando um empréstimo com juro de 1% ao ano nos EUA e investindo a 5% ao ano no Brasil:

Depois deDívidaValor dos Títulos0 anoR$1.000,00R$1.000,001 anoR$1.010,00R$1.050,002 anosR$1.020,50R$1.102,505 anosR$1.051,01R$1.276,2810 anosR$1.104,62R$1.628,90

Com isso, se ao fim dos 10 anos você pagar sua dívida, você ainda fica com R$1.628,90 - R$1.104,62 = R$524,27... Aproximadamente uma rentabilidade de 52,3% em 10 anos, o que é muito bom... em especial, se considerarmos que não entrou um tostão do seu bolso!

R$524,00 parece pouco? Bem, isso é para R$1.000,00. Refaça as contas com R $1.000.000,00 e você terá um rendimento de R$524.000,00 em 10 anos... ou, grosso modo, uns R$52.400,00 por ano... ou cerca de R$ 4.300,00 por mês, sem entrar com um único tostão do seu bolso. Nada mal, não é? Só precisa conhecer as "pessoas certas" para conseguir o empréstimo de R$1.000.000,00.

É claro que não são só os brasileiros que percebem isso; os estrangeiros também entram nessa onda... trazendo seu dinheiro para "investir" aqui e levar embora os vultosos lucros.

Parece muito bom para todos que investem, não é? Então... é ótimo sim, mas a coisa fica ainda melhor! Nessa conta que mostrei, ao tomarmos a mesma moeda nos dois lados, consideramos que as moedas mantenham seu valor relativo, isto é, que a inflação do Dólar e do Real sejam as mesmas.

Ocorre que, como já explicado, os títulos do governo Brasileiro são vendidos em moeda nacional (reais)... mas os empréstimos internacionais são feitos, em geral, em Dólar. Como alguém pode usar Dólar para comprar título do governo brasileiro?

Como vimos anteriormente... a resposta é: não pode. Para comprar título do governo brasileiro é preciso comprar reais, isto é, trocar os dólares por reais. Quando muita gente quer trocar dólares por reais, acaba existindo um excesso de vendedores de dólares (compradores de reais) e uma carência de vendedores de Real (compradores de dólares). Em resumo: sobra Dólar e falta Real. O que acontece então? O "preço" do Dólar cai (porque tem muito no mercado) e o do Real sobe (porque falta no mercado). Isso se chama "valorização relativa" do Real frente ao Dólar.

Ora, se você compra uma casa e ela se valoriza (frente à moeda que você usou para pagá-la), quando você vender a casa e voltar para a moeda original... vai ter um lucro, certo? Pois é: o mesmo ocorre com a moeda: se você pegou um empréstimo em Dólar e comprou uma outra moeda (o Real) e o Real se valoriza, quando você vender o Real irá ter um lucro adicional (além das taxas de juros já citadas).

Vamos refazer aquela tabela, considerando as taxas de juros citadas, mas com duas cotações diferentes: quando pegamos o empréstimo, cada Dólar valia R $2,00 e, depois de 10 anos, cada Dólar passou a valer R$1,50:

NOTA: O valor inicial em dólares é U$500,00 porque é o valor equivalente de recursos a R$1000,00, considerando a cotação inicial de R$2,00 por Dólar.

Depois deDívidaValor dos Títulos0 anoU$500,00R$1.000,001 anoU$505,00R$1.050,002 anosU$510,25R$1.102,505 anosU$525,51R$1.276,2810 anosU$552,31R$1.628,90

Ao final, com a taxa de R$1,50 por Dólar, minha dívida é de R$828,47. Pagando essa dívida, sobra ainda R$1.628,90 - R$828,47 = R$800,43.

Em outras palavras, a rentabilidade em reais subiu de 52,3% para 80,04% em 10 anos... um belo incremento! Isso significa que, com um empréstimo de U $500.000,00 como Dólar a R$2,00, teremos R$800.000,00 em 10 anos... o que, grosso modo, são R$80.000,00 por ano, mais de R$6.500,00 por mês!

Maravilhoso, não? NÃO, se considerarmos que quem está pagando toda essa diferença somos nós, na forma de impostos, compondo um verdadeiro bolsa rentista, esta sim pagando "vagabundo que não trabalha". Esse ganho com a valorização de uma moeda frente à outra é comumente chamado de "farra da moeda".

Aí você vai dizer: "bem, colega... você tem razão sobre a rentabilidade, mas foi considerada uma valorização do Real frente ao Dólar... e isso não é um parâmetro controlável por quem está fazendo o jogo". Então... isso significa que há risco na jogada, e o sujeito está sendo remunerado pelo seu risco... certo?

Mais uma vez... ERRADO. Primeiro porque, ainda que haja risco, é preciso que uma eventual perda de longo prazo com a variação da moeda seja muito alta para eliminar os ganhos com o diferencial das taxa de juros reais. Mas não é só isso. Tem um outro pequeno detalhe: a valorização do Real frente ao Dólar sempre vai ocorrer se o capital estrangeiro estiver entrando aqui (para comprar títulos públicos, por exemplo). Se nossa taxa de juros estiver muito alta com relação ao resto do mundo, essa condição se satisfaz e sim, haverá valorização do Real (pelo mecanismo de excesso de dólares, já explicado).

Por outro lado, salvo alterações pelo Banco Central, a taxa SELIC é um valor estático. Isso significa que se a inflação sobe, a rentabilidade Real cai. Por exemplo: se a SELIC é de 12% e a inflação é de 7%, a rentabilidade real é 5%. Se a inflação subir para 10%, a rentabilidade real dos títulos brasileiros atrelados à SELIC cai para apenas 2%, muito próximo dos valores dos outros países.

Bem, então... se a inflação sobe, a atratividade dos capitais para o Brasil cai...! E com isso, alguns investidores podem ir embora, isto é, vão começar a vender seus títulos, comprar dólares e voltar a investir em seu país de origem...! Êpa! Espere aí...! Eu disse comprar dólares? Se muita gente começar a comprar dólares, o Real vai desvalorizar frente ao Dólar, corroendo ainda mais os lucros da "bolsa rentista"!

É aí que os investidores do "mercado" clamam: "Não! Isso não pode acontecer!"... e complementam: "A inflação subiu, é fundamental aumentar os juros para controlar a inflação!"...

Na verdade, o que eles estão dizendo é: "Não! Nossos lucros estão caindo... e vão cair ainda mais se o Real começar a desvalorizar! Por favor, senhor governo, aumente os juros para manter nossos lucros estratosféricos com juros e manter a valorização do Real!"13.

Agora que você já sabe a verdadeira história do Papai Noel, deve estar se perguntando: por que a mídia divulga esse tipo de análise que beneficia só meia dúzia de pessoas e prejudica todo o restante do país?

Bem, quem você acha que é a meia dúzia que manda nos meios de comunicação deste país?

Para Não Dar Muito na Cara...

É por causa de tudo isso que os analistas frequentemente embasam suas análises com dados sobre a retração do consumo, apresentando isso de um maneira tão distorcida que as pessoas passam a achar legal que a população passe a comprar menos (esquecendo-se de que cada um de nós faz parte dessa população!).

Um outro argumento comum para justificar a valorização da moeda é que o Real valorizado também ajuda a combater a inflação... visto que os produtos importados (cujo preço é em Dólar) ficam mais baratos por aqui. O mesmo, supostamente, vale para os produtos nacionais que usam peças importadas.

Sim, isso é ótimo para quem tem dinheiro. Mantém inflação baixa para aqueles que têm "o seu rendimento garantido". Por outro lado, produto importado não gera emprego aqui... pelo contrário, reduz o número de empregos em nosso país. Sendo assim, menos brasileiros terão dinheiro para comprar produtos produzidos no Brasil, levando à recessão e quebradeira já vistas em diversas ocasiões.

Alguns dizem que a indústria daqui precisa ganhar competitividade e reduzir seus custos, exportar... ocorre que isso é impossível com uma moeda artificialmente valorizada, como vem ocorrendo por conta da "farra da moeda". Com o Real artificialmente valorizado, da mesma forma que os produtos estrangeiros (com custo em Dólar) ficam mais baratos aqui, os nossos produtos (com custo em Real) ficam mais caros lá fora. Observe que isso tem a ver com o valor relativo entre as moedas, não tem nada a ver com eficiência das empresas.


Por Quem os Sinos Dobram - Parte 4

-----------------------------------------

 

Nos artigos anteriores foram levantadas as razões pelas quais a elevação da taxa básica de juros é considerada ruim... assim como os interesses que fazem com que "os especialistas" do setor defendam tanto a elevação dos juros.

Neste artigo será apresentada a posição um tanto incômoda do governo bem como algumas das medidas que podem ser tomadas ao invés da elevação da taxa SELIC para controle da inflação. Finalmente, será feita a conclusão desta série de artigos econômicos, ressaltando a importância do tema tratado.

E Se o Governo Segue a Cartinha do "Mercado"?

Quando, a despeito de todos os aspectos apresentados nesta série de artigos, o governo resolve seguir a cartilha "ortodoxa" do "mercado", o resultado é, frequentemente, devastador. Não se trata aqui de elocubrações e hipóteses: trata-se de mera observação. Aqueles com mais de 30 anos certamente devem se lembrar das consecutivas crises pelas quais nosso país passou, até 2002, com pequenos períodos de tranquilidade.

E o que ae via naqueles momentos? Empresas quebrando, aumento da taxa de desemprego, corrosão do poder de compra dos salários (o famoso arroxo salarial)... e nada se resolve enquanto o governo não vai pedir dinheiro ao FMI, como já comentado.

Neste momento, o FMI e os analistas sugerem que o "estado seja enxugado"... isto é: privatizar empresas, demitir funcionários, reduzir o atendimento ao público... todas aquelas coisas que o "mercado" chama de "aumentar a eficiência", desligando completamente o conceito de eficiência do conceito de qualidade.

Os gênios do mercado dizem, nesta situação, que com uma redução dos gastos do governo haverá desaquecimento da economia (sem pesar demais sobre o cidadão), já que o governo é um grande consumidor. Com isso, supostamente, os preços cairiam, já que a oferta se manteve, mas a demanda caiu.

Entretanto, apesar disso, a razão que os motiva a pedir para que o governo faça tudo isso, garantindo a tão propalada "austeridade fiscal", é fazer sobrar mais grana pra pagar juros!

Observem que lindo! Vamos ferrar ainda mais o país para garantir que os responsáveis pelo desastre sejam bem pagos e remunerados!

Qualquer semelhança com o que vem acontecendo nos EUA e Europa não é mera coincidência!

Quais São as Alternativas do Governo?

Pela forma com que foram conduzidos estes artigos pode parecer que o governo está em um mato sem cachorro... isto é: pode ficar parecendo que o governo tem de aceitar a inflação e pronto.

Mas não é bem por aí. Na verdade, o governo não precisa aceitar essa situação pacificamente.

Antes de mais nada, entretanto, é importante ressaltar que alguma inflação sempre será esperada em um país em desenvolvimento: um país que tem demanda crescente, isto é, que sua população está melhorando de condição de vida, sempre terá alguma inflação14.

Essa observação se faz necessária porque o senso comum diz que, se inflação é ruim... deflação deve ser bom... mas isso não confere com a realidade. A deflação é, normalmente, resultado de um país em que a oferta é maior que a demanda... ou seja: as pessoas não estão consumindo, e isso é a "morte" no sistema capitalista. Usualmente as pessoas deixam de consumir quando temem não conseguir honrar seus compromissos, uma sensação que identifica períodos de crise. Em outras palavras, a deflação é, usualmente, um reflexo de que as pessoas não estão melhorando seu padrão de vida... o que é a contra-mão do que um governo deve buscar.

A inflação, assim, não é exatamente um fenômeno ruim. A inflação descontrolada - ou a hiperinflação - é que é problemática. E, para evitar essa situação, o governo tem diversos instrumentos para lutar. Não tenho conhecimento para citar todos, mas alguns podem ser evidenciados.

Um primeiro exemplo é a redução do IPI (Imposto sobre Produto Industrializado) para estimular a produção e queda de preços dos produtos, mesmo com aumento do consumo. Em paralelo a um aumento de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), que corrói os ganhos de aplicações financeiras, a redução de IPI pode incentivar alguns investidores que estavam "sentados" em títulos públicos a investir em produção, aliviando a pressão inflacionária (lembre-se: aumentar a produção reduz inflação tanto quanto reduzir o consumo! O que importa é o equilíbrio oferta-demanda!)

Por outro lado, caso exista um risco de grande fuga de capital investido por estrangeiros (o que inundaria o mercado de reais, que se desvalorizaria muito rapidamente... ou seja: agravando a inflação) o governo pode optar por reduzir o IOF - estimulando a entrada de capitais.

Um outro exemplo de medida que pode ser adotada pelo governo é o combate à parcela da inflação "importada" (isto é: produtos cujo preço sobe no mercado internacional, como é comum com o açúcar e petróleo) ajustando (para baixo) "impostos" de consumo (que são aqueles impostos e contribuições cobrados sobre os produtos comercializados, como a CIDE - Contribuição de Intervenção sobre Domínio Econômico - dos combustíveis).

Se houver a necessidade de reduzir o consumo, o governo pode aumentar o Empréstimo Compulsório15, reduzindo o capital que os bancos possuem para emprestar e, assim, conseguindo o mesmo efeito de um aumento de juros, porém sem os custos adicionais para o governo.

Quando o governo percebe que há apostas na valorização do Real (como a citada aquisição de dívidas em Dólar para realizar investimentos em Real), há algumas taxações que o governo também pode fazer para reduzir a atratividade deste tipo de negócio, como de fato o governo fez recentemente.

O cabedal de medidas que podem ser adotadas pelo governo é amplo, compondo o que são chamadas, no jargão, de "medidas macroprudenciais". O taxa de juros básica é apenas um dos instrumentos - e um dos mais delicados, pois facilmente produz resultados indesejados.

Conclusões

Economia não é um assunto fácil de digerir: tudo é interrelacionado e, ainda por cima, as consequências de qualquer mudança em um parâmetro dependem não apenas da lógica, mas também da expectativa e do comportamento das pessoas.

Por outro lado, é importante saber que, nesse mundo, ninguém dá ponto sem nó... os grandes investidores menos ainda. Os grandes investidores fazem lobbies no palácio do planalto, "compram" matérias de analistas econômicos, plantam boatos... tudo que for necessário para ganhar mais. Eles não estão preocupados com você ou com o Brasil pois, depois de ganhar muito dinheiro, eles sempre podem ir para Genebra ou qualquer outro lugar do planeta.

A única forma de não ser ludibriado a torcer pelo próprio fracasso é conhecer o mundo que nos cerca, quais são as forças envolvidas e quais são as ações que regem o universo. É complicado, mas vale o esforço.

Finalmente, ainda que dioturnamente se diga que o governo "não pode baixar os juros" ou que ele "tem que baixar, mas não agora"... ignore, meu caro leitor. Juros muito altos significam remuneração sem merecimento e, portanto, não devem existir. Vez ou outra o governo precisa fazer um ajuste para cima, mas essa não deve ser a regra e muito menos a primeira alternativa para controle de inflação.

 

 

 

Ola, Daniel

gostei do texto. 

Salvei para o futuro. Aposto que daqui a 10 anos a Miriam Leitão vai escrever um livro a respeito contando esta mesma história. :)

Mas precisamos de alguém que conte esta história em um formato engraçado, popular. Teria que ser no estilo do pessoal do charges.com

Saulo

 

Consumidores de baixa renda pretendem gastar mais no Natal, diz pesquisa da FGV

21/12/2012 - 18h16....Vladimir Platonow/Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – Os consumidores com menor poder aquisitivo, com renda familiar de até R$ 2,1 mil, pretendem gastar mais neste Natal, em comparação com as demais classes. A informação aparece na Sondagem do Consumidor do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV) referente ao mês de dezembro, divulgada hoje (21).

A economista Viviane Seda, coordenadora da pesquisa, considera que a maior disposição às compras dos consumidores de menor poder aquisitivo justifica-se pela recomposição do salário mínimo nos últimos anos, obtendo ganhos reais sucessivos diante da inflação.

“Existe uma certa estabilidade quanto ao indicador de compras de Natal, em relação ao ano passado, mas quem está mais disposto a comprar neste Natal são os consumidores de classe de renda mais baixa. Significa que essa classe, apesar de ter apresentado dificuldades financeiras nos últimos meses, com o orçamento mais apertado, agora no final do ano está recompondo a demanda reprimida, com maior impulso para comprar, reorganizando seu orçamento doméstico e quitando dívidas”, avaliou Viviane.

A pesquisa mostrou que os consumidores, de forma geral, continuam insatisfeitos com a situação financeira, mas estão mais dispostos a comprarem bens de consumo duráveis. Isso mostra que eles estão confiantes em relação à sua capacidade de pagamento no futuro, influenciados inclusive pelo baixo desemprego. "Esses consumidores estão com ganho real em relação às demais classes de renda.”

Os presentes mais lembrados na pesquisa são: roupas, citadas por 43% dos entrevistados; brinquedos, 21,1%; eletroeletrônicos, 7,5%; artigos pessoais, 6,6%; lembrancinhas, 5,3%; perfumes, 4,8%; livros, 4,6%; dinheiro, 2,7%; calçados, 1,5%; utilidades domésticas, 0,7%; bebidas, 0,6%, e eletrodomésticos, 0,6%.

A íntegra da pesquisa pode ser acessada na página do Ibre na internet.

Edição: Fábio Massalli

anexo.......Clique aqui para baixar o arquivo PDF desta pesquisa.....

Sondagem de Expectativas do Consumidor: ICC | Quesito Especial – Dezembro de 2012IBRE....21 Dezembro 2012 - 

Em dezembro de 2012, a Sondagem de Expectativas do Consumidor da FGV incluiu quesitos que procuram mapear as expectativas do consumidor em relação às compras de Natal.
Apesar de o consumidor brasileiro vir se mostrando cauteloso em relação às compras a prazo nas enquetes de meses anteriores, o Indicador que mede o ímpeto para compras no Natal se manteve estável em relação a 2011. Na comparação com o ano passado, a parcela dos que pretendem gastar mais aumentou de 15,7% para 17,2% do total; a dos que projetam gastar menos subiu de 34,2% para 35,9%.

Quesito especial do ICC de dezembro de 2012 - Tabela1 documento

 

O ímpeto para as compras natalinas difere entre as classes de renda. Em todas as classes, houve redução no indicador em relação a 2011. Para os consumidores de baixo poder aquisitivo (renda familiar até R$ 2.100,00 mensais), foi registrada evolução positiva de 13,4%.

Quesito especial do ICC de dezembro de 2012 - Tabela2 do documento

O preço médio previsto para os presentes aumentou em 2,1%, em termos nominais, ficando, portanto, inferior à inflação de 5,6% no período. O destaque novamente foi para os consumidores de baixo poder aquisitivo: neste grupo, o preço médio previsto para os presentes é 7,9% superior ao do ano passado. Nesta faixa de renda, o otimismo com os gastos parece estar relacionado de alguma forma ao reajuste real previsto para o salário mínimo nesta época do ano.

Quesito especial do ICC de dezembro de 2012 - Tabela3 do documento

Na lista de compras (excluindo os que ainda não sabem o que comprar), as roupas continuam sendo o item preferido para a ocasião, mas a vantagem diminuiu este ano com a queda do percentual de 46,9% para 43,6%. Nas previsões dos consumidores, a maior parte das perdas foi direcionada para os itens eletroeletrônicos, artigos pessoais, perfumes e livros. Brinquedos e eletroeletrônicos entram na lista dos consumidores com 21,1% e 6,6%, respectivamente. Dentre os presentes que apresentam aumento da intenção de compra em relação ao ano passado destacam-se os perfumes que foram citados por 2,2% em 2011 e 4,8% em 2012.

Quesito especial do ICC de dezembro de 2012 - Tabela4 do documento

A Sondagem de Expectativas do Consumidor é feita com base numa amostra com mais de 2.000 domicílios em sete das principais capitais brasileiras. A coleta de dados para a edição de dezembro de 2012 foi realizada entre os dias 30 de novembro e 19 de dezembro.

Clique aqui para baixar o arquivo PDF desta pesquisa.

 

2014---distribuição de renda

Ufa!

Finalmente Mantega sai da casca e resolve alimentar (quase) adequadamente o espírito animal do empresariado.

 

 

Análise do impacto dos financiamentos sobre a geração de emprego(pags 84...87)
Relatório de Investimento....BNDES.. Autores: Diversos  Data: 08/2012 Número 4 | Agosto 2012
Clique aqui para acessar a publicaçã o(PDF)

As atividades operacionais realizadas pelo BNDES têm relação direta com a geração de emprego e renda na economia. Em geral, o Banco financia projetos de investimento de empresas brasileiras que envolvem construção ou ampliação de unidades produtivas, compra de máquinas e equipamentos e prestação de serviços associados, como engenharia de projetos e montagem de bens de capital. Em um momento posterior, a maior capacidade instalada se traduz na possibilidade de produção superior de bens e serviços a serem ofertados na economia. A viabilização desse processo está, portanto, associada a impactos positivos no nível de emprego e renda agregados. Assim, é possível decompor em duas etapas o efeito total que os financiamentos do BNDES têm sobre o emprego:
1.fase de implantação das intervenções, momento em que são necessários trabalhadores principalmente dos setores de construção civil, fabricação de máquinas e equipamentos e serviços prestados às empresas para construir o empreendimento; e
2.fase de operação das intervenções, que ocorre após a implantação do investimento e quando é empregada mão de obra na própria empresa mutuária para realizar a produção da maior capacidade instalada.

Para mensurar o efeito quantitativo do apoio do BNDES sobre o emprego na fase de implantação, utiliza-se um modelo insumo-produto da economia brasileira que se baseia em dados oficiais do IBGE. O Modelo de Geração de Empregos (MGE) do BNDES fornece estimativas da quantidade de empregos gerados ou mantidos a partir do aumento da demanda que os projetos de investimento propiciam aos setores daeconomia. É importante frisar que o número de postos de trabalho resultante do MGE não corresponde à geração líquida de empregos na economia, mas sim ao volume de emprego relacionado às intervenções durante a fase de implantação.

Na construção do modelo, são utilizados dados do Sistema de Contas Nacionais do IBGE. A incorporação da matriz insumo-produto, que fornece a estrutura intersetorial de consumo intermediário, permite mensurar os efeitos encadeados da geração/manutenção de empregos. São analisados três tipos de emprego:
1.emprego direto – aquele que ocorre no setor que tem sua demanda final aquecida, ou seja, principalmente na construção civil, na fabricação de máquinas e equipamentos e nos serviços prestados às empresas;
2.emprego indireto – corresponde aos postos de trabalho das cadeias produtivas que atendem os setores afetados diretamente pelo aumento de demanda; e
3.emprego efeito-renda – consiste nos postos de trabalho que surgem a partir do gasto de parte da renda dos empregados diretos e indiretos em consumo, principalmente em setores produtores de bens-salário (alimentação, vestuário, serviços prestados às famílias etc.).

Com base nesse modelo, são apresentados, no Gráfico 44, os resultados relativos a empregos formais do exercício realizado para o investimento total apoiado pelo Banco (desembolsos do BNDES mais as contrapartidas dos mutuários) ao longo dos trimestres no período 2008-2012.
A análise gráfica permite notar claramente a tendência de crescimento na quantidade de empregos associada ao desembolso do Banco ao longo dos trimestres no período 2008-2012. Comparando os primeiros trimestres de cada ano da série, o emprego gerado ou mantido passou de 507 mil, em 2008, para cerca de 840 mil, em 2012. Ademais, essa tendência observada para o primeiro trimestre também ocorre na evolução dos demais trimestres até 2011.(20)
Outra análise possível diz respeito à tendência de crescimento do indicador observada dentro de cada ano da série, que é mais evidente ao longo dos trimestres nos anos de 2010 e de 2011. Particularmente em 2011, o indicador mostra aumento expressivo entre o primeiro e o quarto trimestre, passando de 819 mil para mais de 1,7 milhão de empregos associados ao investimento total alavancado pelo BNDES.aO comportamento dos desembolsos ao longo de todo o período analisado explica o comportamento do investimento total alavancado, que, por sua vez, determina o comportamento da geração ou da manutenção de empregos do apoio financeiro do BNDES.

O resultado do indicador obtido no segundo trimestre de 2012 exemplifica o argumento antes apresentado, período em que foi observada elevação no emprego gerado ou mantido em relação ao trimestre anterior (que passou de 840 mil empregos para cerca de 913 mil empregos). Essa variação pode ser explicada pelo aumento no valor do investimento total alavancado entre os trimestres (de R$ 51,3 bilhões para R$ 62,4 bilhões). Contudo, observa-se que o valor do indicador no segundo trimestre de 2012 é menor que o do segundo trimestre de 2011, quebrando a tendência de crescimento nessa base de comparação. Além disso, o total de empregos gerados ou mantidos nos dois primeiros trimestres de 2012 foi menor que o total de empregos dos referentes trimestres de 2011 (passando de 1,9 milhão para cerca de 1,7 milhão).

Outro aspecto a ser analisado é a evolução da composição do indicador por tipo de emprego. Nota-se que há certa estabilidade nessa composição ao longo dos trimestres analisados, com claro predomínio da participação do emprego efeito-renda sobre os demais (sendo responsável por cerca da metade dos postos de trabalho). Os demais tipos de emprego têm participação relativamente equilibrada, com ligeiro predomí- nio do emprego direto sobre o indireto. Logo, conclui-se que a maior parte do impacto do apoio financeiro do Banco sobre o emprego é explicada por efeitos indiretos desse apoio, associados a efeitos na cadeia produtiva ligada aos setores envolvidos e também ao efeito multiplicador do emprego gerado ou mantido pelo investimento alavancado (direto e indireto).

Além do volume total de recursos que representam demanda pelos setores impactados, o resultado do MGE é influenciado pela composição setorial desses recursos.Por fim, ressalta-se que, na fase de implantação dos investimentos financiados pelo BNDES, os principais setores impactados são:
construção civil; fabricação de máquinas e equipamentos; fabricação de automóveis, ônibus e caminhões; fabricação de peças e outros veículos; e serviços prestados às empresas.Esses setores correspondem, em média, a 80% da demanda final ocasionada pelos investimentos, o que implica uma relação de empregos por R$ 1 milhão que se encontra em torno de 23, sejam eles diretos, indiretos ou efeito-renda. A composição setorial dos recursos desembolsados pelo BNDES no último trimestre da série mantém-se relativamente estável. Assim, a variação na geração ou na manutenção de empregos não pode ser explicada pela mudança nessa composição, e sim pelo efeito quantidade de desembolso.

notas
(20)Exceto para o terceiro trimestre de 2009, influenciado por uma operação vultosa com a Petrobras, que engendrou um resultado estimado de empregos gerados/mantidos fora da tendência. 
BNDES Presidente.....Luciano Coutinho
Vice-presidente.....João Carlos Ferraz
Áreas responsáveispela preparação deste relatório:
Área de Mercado de Capitais (AMC)
Área de Operações Indiretas (AOI)
Área de Pesquisa e Acompanhamento
Econômico (APE)
Área de Planejamento (AP)
Área Financeira (AF)
Área Internacional (AINT)
Assessoria da Vice-presidência

 

2014---distribuição de renda

São 45 bilhões de motivos para tentar um golpe paraguaio.

 

É, agora é hora de apostar a favor de Mantega, ou contra. Como ele já é um macaco velho em questões financeiras, eu dou a ele mais credibilidade. Aliás, ele merece muito mais credibilidade do que aqueles ministros chinfrins da octaéride Fernandista, que, salvo engano, não acertavam uma. E ainda havia uns cretinos que acreditavam neles...

Vamo trabaiá, gente!! O rentismo começa a ficar custoso.

 

Bom resumo. Didático.

 

Satisfeito, Nassiff? rs

 

Pessoalmente, eu fico impressionado com um certo desdém em relação a esta mudança estrutural na economia brasileira. Por décadas, o Brasil sustentou os juros mais altos do planeta. Era o sonho do capital financeiro desregulamentado. O BC havia se tornado uma instituição que só era ouvida pelos que se beneficiavam dessa lógica. A sociedade e mesmo os governantes não deveriam ter qualquer palavra a dizer sobre juros. O PT tinha a queda da taxa de juros como uma de suas bandeiras históricas. O próprio governo Lula não conseguiu mudar essa lógica e nunca ofereceu explicações para este fato, deixando a carga pesada para Dilma. Daí, então, vem o governo Dilma e sua equipe econômica e assumem esta questão como prioridade. Enfrentam o "ranger de dentes" diário dos jornalões, inclusive com direito ao The Economist pedindo a cabeça do ministro da fazenda. E por aqui? Qual o respaldo? Quase nenhum. É tudo visto como se tivesse sido tarefa fácil. Como se tivesse sido trivial. Como se fosse mera questão técnica. Como se não se tratasse de uma bandeira histórica que o governo do PT, ainda que tardiamente, está realizando. Enfim, como se isso não tivesse custado o fôlego político e estratégico do ponto de vista econômico que custou à Dilma e sua equipe.

 

Oswaldo Alves

Tomara que, a despeito da falta de colaboração, como citado na matéria, o governo consiga implementar todas essas ações, que me parecem o caminho correto para desenvolver o país e fazer frente à crise internacional.