Há algo de particularmente curioso… Eu acompanho as “timelines” de dezenas de amigos no facebook, onde é comum as pessoas colocarem “youtubes” de “hits” dos quais gostam (oh! 4 palavras/nomes em inglês numa frase!), mas apenas uma amiga (além de mim, claro) admite gostar de músicas “de sucesso”. Do tipo que enche as trilhas de novelas da Globo (Avenida Brasil e Cheias de Charme, em especial.)
É estranho, pois tanto toca, tanto vende, e quase ninguém gosta… (Como de 10 anos pra trás parecia que ninguém gostava de música brega ou mesmo de Roberto Carlos…) Vivemos uma superposição de mundos paralelos? Ou um pouco de preconceito elitista misturado com enrustimento? 😉
Como bem apontado em http://cinegnose.blogspot.com.br/2012/08/o-drama-subliminar-na-musica-de-sucesso.html :
“Por mais que torçamos o nariz para esses hits efêmeros, temos que admitir que esses produtos midiáticos expõem de forma explícita os mecanismos de criação da indústria do entretenimento. São exemplos didáticos pelo seu esquematismo, repetição e clichê.”
“Ouvir essas músicas não é apenas um tipo de entretenimento, mas em termos de conteúdo significa viver.”
Mas também:
“Schadler argumenta que na música de massas esse tempo cíclico da própria vida é “purificado”, superficializado e quantificado: a melodia é ordenada em trechos repetitivos, sem conexão interna e sem alterações.”
“A crítica feita aos hits de que são meramente repetitivos e clichês esconde a dramaticidade, tensão e dinamismo presentes no arranjo da música popular que reflete a derrota dos ouvintes diante do princípio de realidade.”
“Por isso a música popular é curta, em torno de 2 minutos e 3 minutos e 45 segundos: qualquer prolongamento além desse decurso crítico poderia expor, de forma explosiva, a insustentabilidade dessa estrutura de coexistência dessas duas formas de tempo – a melodia contra as formas cíclicas dos riffs e refrão.”
Finalizando:
“Se Adorno dizia que toda ideologia tem um momento de verdade, a música de massas tem o seu. Ela não é mera repetição de clichês, mas dentro acontece uma luta dramática entre forma e conteúdo, melodia e harmonia. Talvez seja o reflexo de um conflito bem concreto entre o músico compositor e o produtor musical no interior da indústria fonográfica.”
Bom, para quem não entende de música, como é meu caso, é complicado de compreender. Não posso dizer que consegui assimilar o conteúdo do miniensaio, por isso muito menos posso comentá-lo.
Mas, pelo menos, se trata de uma aproximação a um mundo que existe e que é negligenciado por tantos (talvez por estarem cansados dele?) Se não deixa de ser uma crítica à falta de inspiração – e infantilização – de grande parte do que se ouve, também não deixa de ser o reconhecimento de seu sucesso e presença no nosso mundo.
É o esquematismo, a repetição, que faz com que algumas músicas sejam de fácil memorização e referenciação. São músicas cantaroláveis. Como tendemos a gostar (e reproduzir) aquilo que conhecemos, pode estar aí a razão de seu grande sucesso. Não sei mesmo.
Essas músicas muito fáceis, por vezes pobres, mas de rápida identificação, são o grande filão da indústria fonográfica (e se tal indústria é apenas 1/3 hoje do que foi há 20 anos atrás, certamente não é por culpa delas.) Os mecanismos citados, se funcionam para a música popular em geral, criando muitos hits “chiclete”, são muito e bem explorados pelo sertanejo urbano ou sertanejo universitário. A um ponto que estes segmentos representam metade da venda atual de CDs no Brasil (e, em sua ausência, a venda seria de músicas-chiclete em inglês, ou não?)
Ignoradas, tais músicas, é que não podem ser. Criticar exageradamente, como se fossem uma “maldição”, parece-me um pouco pretencioso. Mas, enfim, deve haver quem somente e sempre só ouça música erudita, da clássica à mais sofisticada MPB, passando pelo rock.
Não importa. Eu mesmo não gosto de “Eu quero Tchu”, mas se tem quem goste não é problema meu, o sol nasceu pra todos. Não me incomodo com “Ai, Se Eu Te Pego”, é legalzinha. “Meu Coração Pede Carona” também.
Mas eu tenho meus hits preferidos dentre esse universo também. Eu não me obrigo a comprar CDs ou acompanhar a carreira desses cantores/compositores, é muito comum que eu só goste de uma música de cada, justamente a que for mais “chiclete”. Como exemplos…
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