5 de junho de 2026

Sobre o dogma de que “sexo e dinheiro não se misturam”

Por Gunter Zibell – SP

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Comentário do post “O feminismo e a legalização da prostituição

JC, eu só estou mostrando que você está tentando justificar um dogma, que é “sexo e dinheiro não se misturam”. O senso comum diria que isso é um dogma de falso moralismo.

E, já que você falou “vocês”, qual dogma moral eu estou defendendo? Seria “As pessoas têm o direito de fazerem o que quiserem desde que não prejudiquem terceiros.” Se a prostituição sobreviver desse dogma, não há contradição nenhuma para mim, pois eu não sou contrário a ela.

Eu não estou fazendo o discurso “seria bom que não houvesse, mas já que há vamos permitir e regulamentar”. 

Eu estou fazendo o discurso “há pessoas pedindo a regulamentação e não há razão para negar”.

Eu me sinto habilitado a dizer “eu não quero isso para mim”. Mas não me sinto habilitado a dizer “você não pode fazer isso”.

E você ainda não apresentou nenhum argumento não moralista e não socialmente construído do porquê pessoas não podem atribuir valor à gratificação sexual.

Parece que você deseja que a prostituição não existisse, mas não quer abrir mão da única argumentação à mão, que é um dogma moral. Mas não quer parecer moralista.

Eu não disse ontem que não sei o que existe. Eu disse que os clientes da prostituição não costumam ser abertos em relação a isso, não falam disso.

Eu também quero que as pessoas sejam e vivam felizes.  Mas se você defende uma sociedade não-monetizada, eu defendo a monetizada. E para o meu dogma a prostituição voluntária não é incoerente. Como a sociedade brasileira é mais próxima do meu dogma do que do seu dogma acho que não entro em contradição juntando os dogmas da “sociedade de trocas” com o “cada um faz o que quer desde que não prejudique terceiros.”

“O sexo como mercadoria.” E qual o problema? Isso é comunismo-cristão? Temos “O teatro como mercadoria”, “A terapia corporal como mercadoria”, “A fantasia como mercadoria”. E uma sociedade só. Mas você não pede que as outras atividades que dão prazer às pessoas sejam postas na ilegalidade.

Está fixado apenas nisso da prostituição e do sexo. Isso é muito fetichista! Você gosta da proibição!

“Gostaria que alguém fizesse a seguinte pesquisa, fica na saída de um bordel ou de um hotel de batalha e pergunta tanto aos clientes quanto aos profissionais, depois de uma sessão de sexo profissional, se eles estão felizes, satisfeitos ou gratificados do que fizeram.”

Você está pressupondo uma epidemia de masoquismo coletivo? Por que você acha não gratificante, não pode aceitar que outros achem? Eu gosto de ler e não gosto de esportes, devo dizer às pessoas para não praticarem esportes?

Eu continuo não vendo conclusividade na sua argumentação contra a regulamentação da prostituição.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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