11 de junho de 2026

Mãos Limpas: Itália ruma para o cemitério. E o Brasil da Lava a Jato?, por Romulus

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Itália ruma para o cemitério. E o Brasil?

Por Romulus

No post “Xadrez de um Supremo que se apequenou – II”, comentando um livro italiano sobre a escalada do neofascismo na Itália pós “Mãos Limpas”, Nassif transcreve:

“E ainda os cortes na despesa pública relativamente à saúde e educação, a agressão aos sindicatos, precarização do trabalho e, portanto, das condições de vida de milhões de pessoas. Enfim, o projeto de desconstituição, manifestou-se nas propostas de lei destinadas a reduzir a liberdade de imprensa em matéria de interceptações e de direito de greve”.

E, depois da transcrição do livro, Nassif se pergunta:

Alguma semelhança com o Supremo e com o Brasil de Temer?

– Toda, Nassif!

*

O trágico, para a maioria da população, é que, contrariamente ao que quer fazer crer o lobby da finança e do 1%, o resultado econômico e social dessa liberalização selvagem e desse arrocho é desastroso.

Resultado 1

Crescimento econômico pífio – isso quando há crescimento. Sempre na rabeira da Zona do Euro.

Pouco antes da crise financeira de 2008, a Espanha, em feito histórico, estava em vias de passar o PIB da Itália!

Resultado 2

Jovens: ou desempregados ou em “CDD” – contrato de duração determinada (temporários).

Pulam de um para outro, sem nenhuma garantia trabalhista, estabilidade ou perspectiva de crescimento profissional.

Resultado 3

Como ter filhos assim?

Dias atrás via na TV francesa reportagem sobre a explosão de protestos de jovens italianos a esse respeito.

A despeito se sua vontade de serem pais e de constituírem família, apontavam para a precariedade de sua situação laboral como o impeditivo para terem filhos.

Uma das entrevistadas se exasperava:

– Pensar em filho como, se o meu contrato de trabalho dura menos que uma gravidez?!

*

E o que lhes restava então?

O êxodo migratório, que os empurra há anos para áreas da União Europeia com melhores perspectivas, no Norte.

[Nota: inclusive, aqui na Suíça, isso resultou, entre outros fatores, na aprovação em referendo da suspensão do acordo de livre trânsito de mão de obra com a UE.
Os Cantões que deram a maior votação a essa iniciativa do SVP (sigla em alemão), o partido populista de extrema direita, foram os dois italianos (acima de 90%!), diante do afluxo de jovens “primos” ao sul da fronteira alpina em busca de empregos]

A Itália se torna, pouco a pouco, um país fantasma.

Hoje está ainda no estágio de país-asilo geriátrico:

– Muitos velhos, agraciados com a idade avançada que lhes proporciona o estilo de vida mediterrâneo;
– Cada vez menos nascidos; e
– Desaparecimento dos jovens em idade produtiva, que vão tentar fazer suas vidas em outras sociedades.

Pois é…

*

Linha do tempo

Depois da fundação de Roma na Idade Antiga, do Renascimento nos séculos XV e XVI e do Ressurgimento no XIX, eis que chega o estágio “país asilo geriátrico”.

Antessala para o último:

– “País cemitério”!

*

Reportagem a esse respeito, da época dos protestos:


“Suicídio demográfico”: taxa de natalidade desaba há 20 anos.

“20 anos”??

Que “coincidência”!

Justamente a idade da Operação “Mãos Limpas”!

*


Contrassenso: como buscar crescimento econômico com uma população que não para de envelhecer?

*


Desenvolvimento travado pelo êxodo cada vez maior das “forças vivas” (!) do país. Dos 100 mil ~diplomados~ que partiram para o estrangeiro em 2014, a metade era de mulheres com menos de 40.
Ou seja: as que fazem, abrigam e parem (novos) bebês!

*

Salve-se quem puder

Na Europa ainda resta aos jovens, ao menos, a opção de migrar para o Norte.

E no Brasil?

Será possível para 200 milhões fazer como no Amapá e migrar também para a “Europa”, cruzando o rio que separa o Estado da Guiana ~Francesa~?!

Aviso a quem se animar:

Há uma ponte cruzando o rio que separa os dois países.

Foi construída, como não poderia deixar de ser, por iniciativa de Lula, com o seu olhar voltado também para o Sul e para os vizinhos.

(FHC combinara com Jacques Chirac uma ponte, mas evidentemente não colocou nem mesmo a pedra fundamental. rs)

Contudo, o afluxo de amapaenses em busca do salário mínimo de EUR 1.150,00 da França já resultou num aumento considerável no patrulhamento da fronteira.

[Fronteira essa – saibam vocês para o próximo quiz de que participarem – que é a maior fronteira terrestre da França.
Sempre tem essa pergunta em quiz por aqui…]

*

Brasil rumo ao cemitério?

O pior é que, dada a demofobia da nossa elite, tenho certeza de que veem o colapso na natalidade e o êxodo de jovens como uma externalidade (ultra) positiva da política de arrocho.

– “Querido” 1%, saiba que não é bem assim, não…

Os pobres sempre foram pressionados por dificuldades econômicas e mesmo assim constituíram suas famílias.

O custo de criação do indivíduo (mais) elevado, com escola particular, plano de saúde, curso de inglês, etc., é em outro lugar da sociedade:

– Quem vai sumir demograficamente é, grosso modo, a classe média tradicional! E os brancos!

*

Não deixa de ser uma vingancinha mais que merecida da Senzala, não é mesmo?

E aí, quem sabe quando os números chegarem a 9 para 1, não haverá a nossa “Revolução Haitiana” (tardia)?

*   *   *

Atualização (19:30):

A fala da jovem italiana que queria mas não podia ter filhos por causa da precariedade laboral me foi lembrada pela Prsicila:

*   *   *

Atualização 3/11/16:

O testemunho de quem está lá em Milão, vendo de pertinho:

*   *   *

Achou meu estilo “esquisito”? “Caótico”?

– Pois você não está só! Clique na imagem e chore suas mágoas:

*

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Quando perguntei, uma deputada suíça se definiu em um jantar como “uma esquerdista que sabe fazer conta”. Poucas palavras que dizem bastante coisa. Adotei para mim também.

 

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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4 Comentários
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  1. paulovi

    2 de novembro de 2016 4:42 pm

    Irá para o Face?

    Irá para o Face?

    1. romulus

      3 de novembro de 2016 12:32 am

      Já tá lá!
      vc é meu amigo no

      Já tá lá!

      vc é meu amigo no Face?

  2. katia Garcia

    3 de novembro de 2016 8:34 pm

    ao vivo e a cores…..

    Pois eu tô assistindo ao vivo e a cores o resultado de “Mani Pulite”. Estão perdendo todos os direitos trabalhistas aos poucos, e o mar tá maravilhoso para os empresários. A praga aqui é a terceirização dos serviços: na pratica, cada vez que termina o contrato com a empresa terceirizada ( uma cooperativa, ou agencia de empregos ) e entra uma nova, eles cortam algumas horas do trabalhador. Isso para não falar nos contratos por tempo determinado ( treis meses, mais treis meses de renovação), que periga não renovar, e assim o trabalhador esta sempre inseguro, e não pode nem pensar nada para o futuro, pois está condenado eternamente ao precariado. O cruel, e pior, é que usam essa realidade para pressionar a classe trabalhadora a se sujeitar as condições de trabalho massacrantes, como presencio todos os dias aqui no Bloco Operatorio, onde a maioria dos enfermeiros e ferristas, são de agencias de emprego, e portanto com contratos determinados, e por isso mesmo sujeitos a coerções veladas, e as vezes nem tão veladas assim, para aceitarem as condições impostas pela direção, com a ameaça de que ” o contrato termina daqui alguns meses, ,lembra?”…. Quando penso que querem impor essa tragedia ao Brasil me dá uma revolta!!!!!

  3. Eduardo Outro

    5 de novembro de 2016 9:08 pm

    Eu venho lá de longe, seo

    Eu venho lá de longe, seo moço, porisso chego tarde, 3 dias depois.  Melhor nunca do que tarde? Não, o contrário. Então, seo moço, minha grande alegria foi ter chegado a tempo de ler tudo, mas o destaque mesmo (pra mim) foi o “Brasil rumo ao cemitério ?”. Delicioso ! Sorvi como sorvete servido no planalto em chamas. A classe média tradicional branca vem dizendo que pobre faz criança pra ganhar bolsa família mas eles não sabem que o pobre gosta de criança e principalmente do fazer, e continuarão fazendo tenha ou não a bolsa. E vai ter negrinho, mulatinho, pardinho, cor de formiga, por tudo quanto é lugar fazendo a maior zorra na Senzala. Alguns serão tentados, quando mais grandinhos, a pegar a AK 47 e se dirigir à casa maior para fazer uma inclusão mas serão barrados pela inoportunidade, os umporcento já estarão em maiami, mas desde que não voltem que sejam infelizes por lá. Dó mesmo dá é da classe média retro-referida, que vai desaparecer sem conseguir chegar onde almeja, que é também a retro-referida maiami.

    Em tempo: O sonho é preciso, a realidade não.

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