Muita gente acompanha as pesquisas eleitorais mas pouca gente sabe como elas funcionam e é enganada pela maneira deturpada como elas são divulgadas. Você sabia, por exemplo, que a tal da “margem de erro” é determinada pelo contratante ? Vejamos como funciona: Uma rede de TV pede ao IBOPE uma pesquisa com 3% de margem de erro para um município com 500.000 eleitores, através de uma fórmula estatística o IBOPE sabe que terá que fazer 1065 entrevistas. Se o contratante quiser uma margem de erro de 2%, serão necessárias 2390 entrevistas, e para 1% de margem serão necessárias 9423 entrevistas, e assim por diante, até a margem de erro zero, quando seria necessário entrevistar todos os 500.000 eleitores. Ocorre que além dessa margem de erro “contratatada” para baratear o custo das pesquisas, existe ainda o “Índice de Confiança” da pesquisa, que geralmente é de 95%, e jamais é divulgado por ninguém. Onde está a deturpação da divilgação:
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1 – Como contratou uma pesquisa com 3% ( exemplo das que tem sido divulgadas na Rede Globo ), o contratante jamais poderia dar um número exato como resultado da pesquisa. Por exemplo, quando divulgam que o candidato fulano de tal tem 27% de intenção de votos mas que pela margem de erro poderia ser 24 ou 30%, na verdade deveria deveriam divulgar de cara que o candidato fulano de tal tem uma intenção de votos entre 24 e 30%. Essa diferença é sutil, mas tem um efeito enorme para quem ouve o resultado. Ora, se o outro candidato nessa mesma pesquisa aparece com 21% ( 18 a 24 ), entre se apresentar um resultado de 27 a 21 estampado na tela da TV ou na primeira capa do jornal, ao invés de um resultado (18 a 24) x (24 a 27), isso faz uma enorme diferença, agravada pelo fato que o “vencedor” da pesquisa vai usar o número de 27% na sua campanha, sendo que esse é um número que não tem nenhum fundamento, já que a pesquisa não foi contratada para apresentar qualquer percentual exato. Esse número é na verdade uma média.
2 – Ninguém divulga o índice de confiança, um número muito importante.
Então, pelo que contratam e pelo que pagam, as TVs e jornais deveriam ter, por lei, que divulgar algo mais ou menos assim, tomando por base o exemplo acima:
O candidato tal tem 95% de probabilidade de ter entre 24 e 30% dos votos, algo que na percepção do eleitor soa bem menos confiável do que estampar um número de 27% e citar a margem de erro, como fazem.
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