4 de junho de 2026

“Rede da Democracia” foi forjada para instigar o golpe

O Globo saudou a “democracia” em sua capa, mas, de fato, lutou para derrubar Goulart e instigar os militares para o golpe de 1964.  Até os dias de hoje a “Rede da Democracia” atua para golpear a vontade do povo
 
 
 
A imprensa carioca no golpe de Estado

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O golpe de Estado de 1964 tomou a forma de uma operação militar comandada por oficiais de alta patente das forças armadas que assumiram o governo após a queda do presidente João Goulart. Embora a execução do golpe tenha sido essencialmente militar, o movimento para a articulação das forças que intervieram no Estado contou com o apoio de diversas publicações jornalísticas. Importantes jornais do Rio de Janeiro e de São Paulo cerraram fileiras com o movimento civil e militar que depôs Goulart. Um lado menos conhecido dessa articulação se deu em torno da Rede da Democracia, idealizada João Calmon, deputado do Partido Social Democrático (PSD) e vice-presidente dos Diários Associados, a maior organização na área das comunicações de massa, reunindo jornais, revistas, rádios e emissoras de televisão. Criada no Rio de Janeiro em outubro de 1963, a Rede da Democracia era um programa radiofônico comandado pelas rádios cariocas Tupi, Globo e Jornal do Brasil. Ia ao ar quase todos os dias e repercutia pelo país através de outras centenas de emissoras afiliadas. Os pronunciamentos difundidos pelas emissoras eram posteriormente publicados nos respectivos jornais: O Globo, Jornal do Brasil e O Jornal.

A Rede da Democracia simboliza no campo da imprensa a busca de novas formas de atuação em face dos desafios colocados pela crise política que envolveu o governo Goulart. Seu surgimento é uma forte evidência de que os representantes da imprensa liberal se colocaram como atores políticos no governo Goulart. Criado logo após o presidente solicitar ao Congresso o estado de sítio e denunciar que estava em andamento uma conspiração golpista…

 
 
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