A política industrial do pré-sal

Coluna Econômica

No seminário “Política Industrial do Pré-Sal”, promovido pela Agência Dinheiro Vivo, o presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli apresentou quase que um balanço completo de gestão, assim como os desafios da empresa para os próximos anos.

O Brasil é um caso único no mundo de país que vai explorar, refinar e distribuir o petróleo. No restante do mundo, explora-se petróleo em um país e refina-se em outro.

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NospNos próximos anos, o Brasil conviverá com três modalidades de contratos de exploração de petróleo: o de concessão (nas áreas fora do pré-sal e áreas do pré-sal já concedidas), cessão onerosa (os campos cedidos à Petrobras para sua capitalização) e a partilha (daqui para diante nas áreas do pré-sal ainda não concedidas).

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No caso da partilha, caberá à Petrobras 100% da operação. Poderá ter sócios no leilão, mas a operação sempre será dela. Duas alternativas para governo.o governo: ou colocar 100% na Petrobras ou leiloar 70% da Libra para empresas de fora. O principal componente da competição será a proporção do lucro de exploração a ser entregue ao governo.

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O milagre do pré-sal ainda não foi suficientemente medido. No momento, a Petrobras tem reservas de 15 bilhões de bpe (barril de petróleo equivalente), que garantem 15 anos de produção contínua, se nada mais fosse descoberto. Na capitalização, ganhou mais 5 bilhões de bpe. No total, mais 21 bilhões de bpe até agora, apenas com as descobertas anunciadas do pré-sal mais a cessão onerosa. O que perfaz um total de 30 a 35 bilhões de bpe até agora.

Em 2010 a Petrobras fechará com 2.100 mil bpe/dia de petróleo produzido internamente e 384 mil bpe/dia de gás. Em 2020 estima-se em 3.950 mil bpe/dia de petróleo interno, 203 mil bpe/dia de produção externa de petróleo, 1.109 mil bpe/dia de produção interna de gás e 120 mil bpe/dia de produção externa de gás.

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* Passo central será o investimento em refino, segundo Gabrielli.

Em 1980 o Brasil produzia 181 mil bpe/dia, refinava 1.393 mil bpe/dia para uma demanda de derivados de 1.036 mil bpe/dia. Depois de décadas sem investir em refino e com o aumento do mercado interno, em 2009 produzia 1.971 mil bpe/dia, mas refinava apenas 1.791 mil bpe/dia para uma demanda de derivados de 2.356 mil bpe/dia. Conseqüência: exportava gasolina com alto teor de enxofre e importava diesel. “Não dá para sustentar essa estrutura de comércio”, diz Gabrielli.

Com os investimentos em cinco novas refinarias – Rio Grande do Norte, Pernambuco, Cesará, Maranhão e Complexo Petroquímico do Rio – , em 2020 será possível refinar mais do que a demanda interna – 3.196 mil bpe/dia contra 2.794 mil bpe/dia. Mas ainda assim inferior à produção interna de petróleo, estimada em 3.950 mil bpe/dia.

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Todos esses investimentos exigirão recursos da ordem de US$ 224,1 bilhões entre 2010 e 2014. Desse total,US$ 155 bilhões virão do fluxo de caixa operacional, US$ 96 bilhões de captações e US$ 11 bilhões de caixa da companhia, supondo-se uma taxa e câmbio média de R$ 1,78 e um preço médio de barril na faixa dos US$ 80,00.

Dos US$ 212,3 bi investidos no Brasil, US$ 142 bi serão na indústria nacional. 

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