5 de junho de 2026

O bom começo do Banco dos Brics, por Paulo Nogueira Batista Jr

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Jornal GGN – Paulo Nogueira Batista Jr, economista e ex-diretor-executivo do FMI, analisa os avanços do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), o banco dos Brics, do qual é vice-presidente. O NBD foi estabelecido em Xangai, em julho de 2015, e, 10 meses depois, a diretoria do banco aprovou a primeira leva de projetos, num total de US$ 811 milhões. A maioria deles está na área da energia renovável.

Batista afirma que o NBD está se configurando como um banco “verde”: “A questão da sustentabilidade dos projetos apoiados está sendo e continuará a ser um dos focos fundamentais do NBD”, afirma. Leia mais abaixo:

Do Zero Hora

Paulo Nogueira Batista Jr

O Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) estabelecido pelo Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) está avançando em ritmo acelerado. Queria falar um pouco hoje sobre o que conseguimos alcançar nos primeiros meses de existência da instituição. Bem sei que, em meio às convulsões que vive nosso país, será difícil conectar o interesse do leitor com tema tão específico e distante, mas vou tentar mesmo assim.

Quando cheguei a Xangai, em julho de 2015, estávamos começando praticamente do zero. Tínhamos o Convênio Constitutivo, assinado em Fortaleza um ano antes, e um andar praticamente vazio de um prédio no distrito financeiro de Pudong. Agora, em abril de 2016, apenas 10 meses depois, a diretoria do NBD aprovou a primeira leva de projetos do banco.

Confesso que tive dificuldade de acreditar quando o presidente do NBD, K.V. Kamath, definiu o objetivo de aprovar os primeiros projetos já no segundo trimestre de 2016. Mas conseguimos — à custa de muito trabalho e sacrifício de uma equipe ainda pequena e do apoio que tivemos dos governos dos países fundadores. No caso do projeto brasileiro, foi fundamental a parceria com o BNDES, um dos mais experientes bancos nacionais de desenvolvimento do mundo.

Foram aprovados quatro projetos, num total de US$ 811 milhões, a maior parte no campo da energia renovável, seguindo orientação recebida dos líderes do Brics por ocasião da sua última cúpula, em julho de 2015, na Rússia.

O projeto brasileiro é um empréstimo ao BNDES, de US$ 300 milhões, que será repassado a empreendimentos privados em áreas como energia eólica e solar. O projeto chinês, denominado em yuan e equivalente a US$ 81 milhões, é na área de energia solar. O sul-africano, de US$ 180 milhões, está direcionado ao financiamento de linhas de transmissão de energia elétrica. O projeto indiano é uma linha de crédito de US$ 250 milhões ao Banco Canara, destinada a projetos nas áreas solar, eólica, geotérmica e ao financiamento de pequenas hidrelétricas. Um quinto projeto, com a Rússia, está em fase avançada de negociação.

Do lado do funding, o NBD também está fazendo progresso. Em janeiro deste ano, os sócios fundadores fizeram o primeiro aporte de capital, conforme previsto no Convênio Constitutivo. A Rússia pagou adiantado a segunda parcela do seu aporte e, assim, o NBD conta com mais capital do que o previsto, num total de US$ 1 bilhão. Estamos preparando também a primeira emissão de bônus, que deve ocorrer em meados deste ano. Será um bônus verde, emitido em yuan no mercado chinês.

Assim, o NBD, em linha com o seu mandato, está se configurando como um banco “verde” tanto do lado do ativo quanto do lado do passivo. A questão da sustentabilidade dos projetos apoiados está sendo e continuará a ser um dos focos fundamentais do NBD.

Estamos apenas começando. Há uma tarefa imensa pela frente. Temos muito que aprender. Não subestimamos jamais o tamanho do desafio que este banco foi chamado a enfrentar.

Afinal, é a primeira vez que um banco que tem a aspiração de ser uma instituição de escopo global está sendo construído exclusivamente por países emergentes, sem a participação de países avançados.

 

Paulo Nogueira Batista Jr.

Paulo Nogueira Batista é economista, foi vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, estabelecido pelos BRICS em Xangai, de 2015 a 2017, e diretor executivo no FMI pelo Brasil e mais dez países em Washington, de 2007 a 2015. Lançou no final de 2019, pela editora LeYa, o livro O Brasil não cabe no quintal de ninguém: bastidores da vida de um economista brasileiro no FMI e nos BRICS e outros textos sobre nacionalismo e nosso complexo de vira-lata. A segunda edição, atualizada e ampliada, foi publicada em 2021. E-mail: [email protected] X: @paulonbjr Canal YouTube: youtube.nogueirabatista.com.br Portal: www.nogueirabatista.com.br

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7 Comentários
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  1. Marcelo33

    2 de maio de 2016 12:35 pm

    Banco dos IRCS, né ???

    Banco dos IRCS, né ???

    Já começou mal, perdendo uma letra !!! 

    O B já era !!!!

    1. Rogério Goulart

      2 de maio de 2016 1:25 pm

      O Brasil é o que tem o maior

      O Brasil é o que tem o maior investimento. Ou vc não sabe ler ou não leu. Se o B já era, o que vc ainda está fazendo por aqui ?

  2. Armando Falo

    2 de maio de 2016 3:00 pm

    Só esqueceram de fazer um
    Só esqueceram de fazer um acordo de proteção militar entre os países do Bloco de modo que um defenda o outro em caso de desestabilização que ameace a sobrevivência do bloco.
    Aonde está China e Rússia para defender o Brasil desse ataque golpista ao bloco?

    1. Andre Araujo

      2 de maio de 2016 4:50 pm

      Acordo militar com a Russia e

      Acordo militar com a Russia e a China para proteger o Brasil?  Ou vice versa? É mais facil um jumento voar.

  3. altamiro souza

    2 de maio de 2016 7:08 pm

    o otimismo do articulista
    me

    o otimismo do articulista

    me parece um bom sinal…

    ou seria ingenuidade ?

    minha ou dele?

  4. junior50

    2 de maio de 2016 9:35 pm

    ‘Verde” : ambiental, soja, dolar.

         Vou gostar de ver os sonháticos clorofilados, após a legislação ambiental brasileira ser “fflexibilizada”, e parte da trabalhista tambem, o que irão dizer , até mesmo o que o Paulinho vai achar, quando os chineses da CRCC entrarem detonando no Planalto Central e adjacências.

  5. wendel

    3 de maio de 2016 12:35 am

    Então……………

    Alguns podem até desdenharem ou ironizarem como é tipico de colonizados, mas….

    Este é apenas um começo, e os financiamentos de projetos, não só na área de energia renováveis, devem estar na Agenda destes cinco países, 

    Caso realmente tenham sucesso, e é o que desejamos, contrariando talvez muitos vassalos, é que tb se comece a desvincular destes acordos a moeda dolar, aí sim, podemos ter alguma esperança!!!

    Para desespero, friso, dos colonizados, coxinhas, entreguistas, apátridas, anti-nacionalistas, enfim tudo que os dicionários dizem sobre traidores, e alguns outros adjetivos que podemos inventar!!!

    Bando de FDP !!!!!!!!!!!, Sanguessugas !!!!!!!!!!!!!!!!

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