Elias Jabbour
Elias Jabbour, é doutor e mestre em Geografia Humana pela FFLCH-USP. É professor dos Programas de Pós-Graduação em Relações Internacionais (PPGRI) e em Ciências Econômicas (PPGCE) da UERJ. É autor de quatro livros e dezenas de artigos acadêmicos e de opinião sobre a China e o socialismo de mercado como uma nova formação econômico-social.
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Estados Unidos em Taiwan: a maior ameaça à paz mundial, por Elias Jabbour

Taiwan é parte da China há séculos e qualquer tentativa separatista não corresponde nem à verdade, nem à justiça histórica

Estados Unidos em Taiwan: a maior ameaça à paz mundial

por Elias Jabbour

Artigo produzido em colaboração com o Grupo de Mídia da China.

Uma verdadeira tempestade de contrainformações tem sido acionada no mundo no sentido de espalhar mentiras sobre o comportamento e as pretensões chinesas no mundo. Nenhuma boa notícia sobre a China é anunciada no Ocidente. A guerra de informações contra o país é intensa, intermitente e busca passar a pior imagem possível da China no mundo. Por exemplo, nenhuma notícia sobre a eliminação da pobreza extrema na China foi exposta pela grande mídia ocidental. A China é vista como um país perigoso e uma ameaça à ordem mundial. É como se a China fosse a responsável por cercar os Estados Unidos com cerca de 80 bases militares e não o contrário. A China sofre da lógica nazista de propaganda: transformar em verdade uma mentira contada mil vezes.

Da mesma forma que se vende a imagem dos Estados Unidos como os “defensores da liberdade”, poucos sabem do caos social vivido neste país: atualmente as ruas de Nova Iorque estão repletas de pessoas sem casa, o racismo é parte do horizonte do país e a violência é a linguagem usada pelo Estado para reprimir qualquer movimento de contestação de um país onde a “democracia” é controlada por meia dúzia de bilionários.

Uma grande mentira transformada em verdade envolve a “luta” de Taiwan por sua “independência” e o apoio dos Estados Unidos a esta “nobre” causa inclusive com apoio militar, conforme apontado pelo presidente Biden recentemente no programa 60 minutes. Ele negou dois fatos. Primeiro, Taiwan é parte da China há séculos e qualquer tentativa separatista não correspondente nem à verdade, nem tampouco à justiça histórica. O segundo, os Estados Unidos respeitaram oficialmente desde o Comunicado de Shanghai (1972) e a retomada das relações diplomáticas entre os dois países (1979) que existe uma única China e Beijing é sua capital.

Na verdade, os Estados Unidos – mesmo em momentos de paz com a China – nunca esconderam um certo desejo de vingança contra a China. A fundação da República Popular da China mudou completamente a correlação de forças no mundo e na Ásia em particular. Foi uma dura derrota para os Estados Unidos. E desde o momento em que Taiwan tornou-se o refúgio dos derrotados do Kuomintang em 1949, o imperialismo usa aquele território como uma base de provocação aberta à China na mesma proporção em que sua presença nos arredores da China só aumenta: como disse no início do texto, são cerca de 80 bases militares cercando a China, e a utilização tanto do Estreito de Taiwan quanto do Mar do Sul da China como locais de provocação é óbvia.

Imaginem o escândalo internacional se a China decidisse implantar dezenas de bases militares ao redor dos Estados Unidos, seus porta-aviões fossem vistos nas águas do golfo do México e o governo chinês decidisse enviar apoio militar para Porto Rico, um Estado associado dos Estados Unidos?

As provocações têm aumentado ultimamente, desde a declaração da “guerra comercial e tecnológica” contra a China. Taiwan é um dos maiores fornecedores de chips de última geração ao continente. As tecnologias que servem de base à construção dos semicondutores são a última barreira para a China alcançar sua independência tecnológica, fazendo com que pela primeira vez desde a Revolução Russa o socialismo tome a dianteira do progresso tecnológico no mundo. Os Estados Unidos tentam impedir isso de todas as formas. Desde a guerra aberta de propaganda, visita de altas lideranças do país à ilha, não cumprimento de acordos com a República Popular da China sobre o reconhecimento de Taiwan como parte do território chinês.

A violação maior à soberania nacional chinesa e as provocações abertas à China têm sido o expediente da venda de armas à região de Taiwan. Informações simples que podem ser obtidas no site Wikipédia (https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_US_arms_sales_to_Taiwan#cite_note-73)  demonstrando que somente durante o governo Biden já foram repassados para Taiwan cerca de US$ 3,5 bilhões em armas. Essa política não foi inaugurada por Biden, mas tem sido potencializada por seu governo. Um governo que não consegue enfrentar as imensas contradições de uma sociedade em franca decadência, mas que busca exportar a forma como o país mais racista do mundo trata, por exemplo, os negros e os latinos: na base da violência.

Taiwan é um grande exemplo da escalada desestabilizadora exercida pelos Estados Unidos no mundo. O Estreito de Taiwan tem se tornado um dos lugares mais perigosos do mundo. Uma pergunta que devemos fazer: por que a China não tem nenhuma base militar próxima dos Estados Unidos, muito menos sua marinha chega próxima às águas territoriais dos EUA? Qual a necessidade do imperialismo estadunidense em cercar a China e armar Taiwan? Quem quer a paz e quem quer a guerra? A resposta a essas questões abrirá um horizonte para entender as razões pelas quais o mundo hoje tem nos Estados Unidos o seu maior elemento de desestabilização.

Elias Jabbour, professor associado da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Vencedor do Special Book Award of China 2022.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. A publicação do artigo dependerá de aprovação da redação GGN.

Elias Jabbour

Elias Jabbour, é doutor e mestre em Geografia Humana pela FFLCH-USP. É professor dos Programas de Pós-Graduação em Relações Internacionais (PPGRI) e em Ciências Econômicas (PPGCE) da UERJ. É autor de quatro livros e dezenas de artigos acadêmicos e de opinião sobre a China e o socialismo de mercado como uma nova formação econômico-social.

6 Comentários

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  1. Às vezes a gente conclui que este mundo é administrado por moleques de 13 anos, briguentos, irresponsáveis, invejosos, covardes e falastrões, que se juntam em bandos e atacam a tudo o que temem ou se lhes faça resistência. Americanos do norte, braço evidente do império britânico têm a pretensão de governar mar e terra sem oposição. Ver alguém crescer ou progredir é um insulto pessoal às suas convicções pessoais de “superioridade”. Bem, isso é problema deles, porque há mais paises no mundo com gente melhor e mais madura. A China, o causador de medo e inveja da vez, visto como a maior ameaça ao poderio americano está fazendo a sua parte : cuidando da sua vida e tratando os moleques americanos com prudência. Dia destes foi Hong Kong, agora é Taiwan, amanhã será qualquer espaço da China ou de sua área de influência. Como cães ladrando, ou moleques atirando pedras na vidraça, os americanos passarão. Não será por mera simpatia que Russia e China terão se aproximado; uma como o braço armado, de alcance global, e outra como capital e tecnologia da outra, garantindo o equilíbrio e a segurança do mundo contra os moleques americanos.Das dissensões que possam ainda criar, do tanto que queiram lucrar com o desenvolvimento, fabricação e venda de armas, a luta contra eles será vencida pela diplomacia. E uma coisa é certa, há cada vez menos gente no mundo torcendo pelos americanos.

  2. Excelente texto. Elias é um dos maiores conhecedores de China atualmente. Além disso é professor de economia e vem alertando há tempos o risco militar que os EUA representam ao mundo e o quanto a desinformação sobre a China faz mal ao Brasil, sobretudo economicamente.

  3. Discordo de Alguns ponto de vista . Taiwan é a ” Coréia do Sul ” Chinesa. Daqueles que não simpatizavam com o Comunismo Chinês, e optou por viver em um Regime Capitalista. China e Rússia se Aproximaram por motivos ideológicos principalmente . São 2 países Comunistas.Embora nos últimos anos , Fantasiados de Capitalistas. O problema é que Agora , se Houver Guerra da Otan com o Bloco Comunista, Não podemos esquecer, do ” Cabeça de Tomate ” , da Coreia do Norte , que Forma a Triplice Comuna . Dessa vez : A guerra será Nuclear . E os perdedores , viraram Poeira .

  4. Como cidadão taiwanês nativo, definitivamente não concordo com seu ponto de vista, Baddour. Primeiro, a China não é o que você está elogiando, um país vítima do imperialismo americano (na verdade seu tom é basicamente de CCTV), eles se beneficiaram muito com a diplomacia recuperada com os EUA nos anos 80. Mas à medida que seu poder econômico cresceu, a maioria dos chineses não se beneficiou disso, por exemplo, eles não têm planos de previdência social confiáveis, suas vozes foram suprimidas na internet. Eles são enquadrados pelas grandes mentiras que o governo chinês tem propagado. E este regime nunca desistiu invadir Taiwan. Agora, não diga que acha que Taiwan ainda faz parte da China juridicamente. Você tem que perguntar aos taiwaneses, eles ainda se consideram “chineses”? A maioria dirá NÃO agora. Não queremos viver em um país que não tem liberdade de expressão nem poder de decidir nosso governo nem protestar.

  5. Prezado Sr.,
    Gostaria de saber se o Sr. Elias Jobor quisesse fazer o mesmo comentário da China em relação aos Estados Unidos, ou mesmo outro assunto que o governo chinês discordasse, ELE CONSEGUIRIA. E outra pergunta: se o cidadão chinês ou de qualquer outro país comunista em especial a Coréia do Norte pode se deslocar para qualquer lugar do mundo, ele(s) conseguem, como ?
    Ser jornalista, comentarista com o Sr. é, no ocidente ou MUNDO LIVRE é fácil, vai lá para perder a sua língua….kkkk

    Att.,

    MARIO CELSO ANDREATTA

  6. Triste ver este jornal apoiar irredentismo de quinta! Sim Formosa foi conquistada pelo império Ming faz mais de 400 anos, mas e daí? Menos tempo que o Brasil com Portugal! Acabaram separados por conta de uma guerra civil, mas o que é uma ilha tão pequena para a China que já tem tanto solo? De verdade que precisa ainda mais? Ou seria o caso de se tratar de uma narrativa de quinta comparável a revanchismo francês por territórios de fronteira que eles tinham controlado por talvez 150 anos, ou a pan-eslavismo sérvio e russo, ou a espaço vital alemão? Deveriam Coréia, Japão, Vietnã, Filipinas, Mongólia voltar a ser lambe botas “tributários” como eles “tradicionalmente” foram por uns 2000 anos? Talvez a China tenha o dever de lavar a honra contra o Japão que a invadiu e devastou tem 90 anos? Ou a maioria dos membros do G7 há uns 150? E a Mongólia, há 800?
    História existe para a gente aprender com ela não para repetir os erros! Se historicamente não tinha um ano sem guerras e 90% das pessoas eram analfabetas e não tinham tempo ou energia para mudar isso porque estavam ocupadas lavrando o campo desde a infância, deveríamos todos jogar fora o progresso dos últimos 200 anos para voltar a viver assim? Claro que não!
    Os Estados Unidos cometeram uma sucessão de erros e arruinaram Síria, Líbia, Iraque, Afeganistão. Também causaram estrago em outros incluindo nosso Brasil que foi paralisado e lançado ao caos pelo maldito do Moro com a cooperação do Departamento de Justica deles em nome do “”””””””combate a corrupção”””””””” da lava-jato que longe de promover qualquer milagre reduzindo preço do combustível que em todos esses anos nunca voltou ao patamar de antes, pelo contrário causou prejuízos enormes em muitos setores da economia sem falar na política.
    Mas China e Rússia também cometem erros! Russos invadiram Geórgia e Ucrânia a última duas vezes em nome de enclaves étnicos como se ainda vivessem em 1910, no caso ucraniano abertamente usam desculpas nacionalistas para tentar justificar a anexação do país por inteiro se possível. Todos os estados do leste europeu que sofreram séculos sob o império russo e a europa ocidental que vinha se aproximando de Putin correm para os braços americanos, e com razão. Os últimos que ainda não tinham ingressado na aliança anti-Rússia o fizeram. Nem parece que há 4 anos sob Trump a OTAN parecia estar nos últimos dias.
    Há décadas China ameaça invadir Formosa abertamente, mas por que? Paranoia, ideologia, seja qual for o motivo não há nada a ganhar e muito a perder. Enquanto isso Formosa sabendo que sozinha não tinha chances foi atrás de ajuda e conseguiu. Mesmo que chineses invadam com sucesso a ilha o único recurso de valor que tem lá seriam fábricas de microchips sendo que a China já tem várias e é quase certeza que as de lá seriam destruídas durante o confronto. Pelo menos no caso da Ucrânia apesar de ser um pais pobre havia a certeza de terras férteis e gás natural.

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