4 de junho de 2026

A inação diante dos casos de abuso infantil

Por Maria Rodrigues

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Fala-se tanto em abusos contra crianças, não apenas sobre pedofilia, mas sobre qualquer tipo de abuso, que reduz uma criança, ou mesmo um bebê, a moeda de trocas, ora vendendo-as para traficantes; ora saindo com os prórprios filhos, ou filhos de amigas para delas se valerem no sentido de angariarem dinheiro de quem sentir pena, etc. Quanto à pedofilia existe desbragadamente no Brasil, por toda parte, e muito por brasileiros cafetões, homens e mulheres, que usam as crianças para práticas sexuais com homens e até velhos, de preferência estrangeiros endinheirados. 

Essas coisas eu vi e vejo até hoje, acontecendo debaixo dos olhos de todos, sem que nada aconteça para mudar essa realidade. 

No Rio, onde morei por décadas, cheguei a acompanhar o crescimento de meninas levadas às calçadas das praias, onde ficam os restaurantes da  orla para se fingirem de vendedoras de alguma bobagem, quando a finalidade era outra. Enquanto essas meninas se insinuam para os homens, alguma mlher está sentada à distância, porém de olho no que vai acontecer, e quanto ela vai faturar. Um dia, aquela menina de apenas 7 anos, por exemplo, já estava com 16, ou mais, vivendo as mesmas circunstâncias. Como residente em Copa, frequentadora dos bares da orla, reconhecia essas garotas. Ficava muito indignada, como tantos, mas só isso. 

Em Brasília as coisas se sucedem do mesmíssimo jeito. Também morei lá, e tudo via acontecer com crianças muito pequenas, às vezes após meia-noite. Elas fingem que estão trabalhando pra ajudar aos pais, o que é mentira, porque sabemos que por perto se encontra alguém, com a cumplicidade das mães de todas elas, alugando suas filhas para esse crime hediondo.

Aqui em Natal é tudo igualzinho. O negócio com os gringos é mais corriqueiro. Outro dia, sentada em um banco de um shopping, vejo no banco ao lado sentar-se um idoso de mais de 60 anos. Mais uns mnutos, senta-se não tão perto dele uma garotinha dos seus 13 anos, com o corpo ainda em construção. Trocam umas palavras e a menina se vai. Mais dois minutos, é o homem que se manda. Tudo muito claro, pra qualquer imbecil entender. De tanto me indignar com isso, ante nova visão macabra como aquela, disse pra um motorista de táxi, meu conhecido, que o correto seria ligar para a polícia. Resposta: “Não perca seu tempo. A polícia, se chegar, vai molhar a mão do cara, e pronto”.

Outro caso frequente, que me causa irritação e muita raiva, vem acontecendo pra eu ver, todos os dias, nos dois mercados próximos à minnha residência. Mulheres muito jovens chegam com bebês de colo, geralmente vestindo uma fralda apenas. São algumas na mesma situação. Sentam-se no chão com a criança, às vezes em frente aos caixas eletrônicos. Esses bebês podem estar chorando, muito gripados, como tenho observado, mas não vemos sequer uma mamadeira com água pra a mulher saciar a sede das crianças. Um bebê precisa dormir, comer direito, tomar água, e ter o seu cantinho. Mas tudo passa ao largo das autoridades. Se converso com a gerência dos mercados, o que dizem é que não lhes cabe pôr a mulher pra fora. E sei, por ouvir de um conhecido, que elas alugam os bebês para darem parte do arrecadado à mãe no final do dia.

Na última sexta-feira liguei para o nº 181. Perguntei se podia fazer uma denúncia contra mau- tratos a crianças, e o atendente respondeu que sim. Deu-me tempo pra começar o relato, só que logo ouvi o sinal de ocupado. Claramente o sujeito bateu o telefone na minha cara. 

Essas coisas acontecem no Brasil inteirinho, com gente abusando e causando traumas irreversíveis nos bebês, nas criancinhas, e em qualquer adolescente, porque as próprias mães consentem, sabendo o que estão fazendo de tão mal a seus filhos, e que se houvesse quem se importasse com essas situações, o destino dessas pessoas teria que ser a cadeia, para que todas as vítimas de abusos e maus-tatos pudessem ser recuperadas, e desfrutarem de uma vida mais digna sem que seus futuros tivessem que ser, necessariamente, a prostituição, ou a morte precoce, ou a bandidagem, afinal quem pode crecer desse jeito sem um dia não se tornar muito revoltada com a vida e o mundo. 

Se alguém acha que esses números tão badalados, como 180, 181 realmente atendem as denúncias, digam-me como, porque eu mesma não acredito neles. 

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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4 Comentários
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  1. Odonir Oliveira

    19 de maio de 2015 11:43 am

    Nem eu

    Em São Paulo, cansei de denunciar crianças que ficavam embaixo de marquises de lojas, durante sábados e domingos inteiros, sempre tendo uma maiorzinha, garota, chefiando o grupo, e nada ! Uma única vez fui atendida, vieram a minha casa, que ficava em frente, porque pedem identificação da denúncia, pelo menos era assim antes, e me senti até constrangida pelos policiais, como se os estivesse inportunando.

    Isso sem falar em vendas de tudo nos semáforos, com as mães de aluguel sempre por perto controlando ganhos e lucros que terão depois. Em noites friíssimas, voltando do trabalho, meninos e meninas vinham parar ao lado da gente, a vender ou pedir algo. Em certa ocasião revoltada (e em minha ignorância de contexto), tentei botar medo em uma menininha de uns 9 anos, alertando-a para os riscos de “um tarado pegá-la ali,mandando-a ir pra casa que estava muito frio etc. “. , ao que ela respondeu “Pega não, dona, já tô acostumada”.

    De outra vez, à tarde, em outro bairro, ao ser interpelada a comprar algo, perguntei se aquela não era hora da menina mocinha de uns 13 anos, estar na escola. Ele me respondeu num discurso ensaiado, treinado pra não sofrer reprimendas “Vou à escola todos os dias. É que hoje tinha reunião e eu não precisei ir.” Dei uma escostada no carro, não comprei nada , mas lhe disse que continuasse a estudar, que eu era professora e estava vendo nela uma bonita profissional mais tarde. Ele me repondeu “Eu também quero ser professora. Eu: “Você será, continue estudando”.

    Pano rápido. 

  2. Allan Patrick

    19 de maio de 2015 12:41 pm

    Disque 100

    Para exploração sexual o número é o 100.

  3. Imparcial atento

    19 de maio de 2015 2:30 pm

    Sra Maria Rodrigues ,parabéns

    Sra Maria Rodrigues ,parabéns por abordar esse assunto ,que para muitos parece ser “taboo “.Há alguns anos atrás no centro  de Maceió ,vi cenas  horriveis de meninos e meninas de mais ou menos 10 anos se oferecendo para fazer sexo oral por 5 reais para turistas ,que vem ao nosso país (nem todos ,é claro ) como aqui sendo um paraiso sexual ,onde tudo é permitido . E isso ocorre em outras cidades do nosso país.Já viste a propaganda do nosso  turismo  no exterior ?Bundas e mais bundas.Nosso país é muito injusto .

  4. jc.pompeu

    19 de maio de 2015 3:15 pm

    testemunho exemplar: simples,

    testemunho exemplar: simples, direto, factual, catártico… é tudo verdade!

    por ocasião de trabalho, um conhecido esteve em Manaus durante a última Copa do Mundo e, de volta a sampa, me relatou, em conversa de boteco periferia sem fronteira, com riqueza de detalhes pornográficos e imagens suspeitas flagradas, os eventos paralelos que acontecem e lucram e fazem a festa na festiva ordem do dia da exploração sexual de mercado & turismo, no modo arendt da banalidade do mal… que não tem idade!

    “Participando de um curso breve de psicanálise com o sugestivo título Confusão de Línguas entre os Adultos e a Criança, sobre um texto seminal de Ferenczi, conduzido pelo psicanalista brasileiro radicado na França, Fabio Landa, este logo no início estabeleceu suas “regras do jogo” didático e discursivo/textual da palestra: “o máximo de histórias e o mínimo de conceitos”, justificando que uma boa história escrita ou contada encurta a explicação teórica. Achei um bom método de se aprender e de compartilhar conhecimento.”

    ainda bem que os janios de freitas estão ocupadíssimos nos seus afazeres de encomenda mística para defender a ópera bufa “ODEÀBRECHT e o Sindicato Mahagonny do Partido dos Trabalhadores”, senão, caso lessem o testemunho premiado da articulista-viajante Maria Rodrigues estariam, esses janios doutorais da mistificação house organs travestida de análise & informação, exigindo do testemunho de ver/a/cidade a toda prova, pela testemunha ocular dos acontecimentos Maria Rodrigues, as tais provas e mais provas ad aeternum carimbadas autenticadas juramentadas rubricadas em seis vias de filigranas formais cartoriais, como exige e brada a retórica barata de notório saber janiofreitista de “arranjar pelo em ovo” pra cima de  um marco premiado da história recente do Brasil: a Operação Lava Jato. 

    seu nassif que se cuide! pra não rumar de mãos dadas com “janios da tecla fixa viciada”, para o mesmo limbo jornalístico da verdade histórica ultrajada…

     

     

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