A sonda da discórdia, por Fernando Castilho
Já se passaram oito dias desde que o senhor Jair foi internado em uma UTI. O fato chama atenção, pois, em geral, a permanência na unidade de terapia intensiva é breve, justamente devido ao alto risco de infecção hospitalar. Nessas situações, a transferência para o quarto costuma ocorrer assim que o quadro clínico permite — o que, ao que tudo indica, já deveria ter acontecido.
Paralelamente, há inconsistências visíveis nas fotos e vídeos que ele próprio publica em suas redes sociais. Em uma das imagens, por exemplo, a sonda nasogástrica não parece estar inserida pela narina, o que contradiz sua finalidade básica: alimentar o paciente que não pode ingerir alimentos por via oral. Nos mesmos registros, ele aparece tomando sopa — algo, no mínimo, incompatível com o uso efetivo da sonda. O excesso de eletrodos espalhados pelo corpo também chama atenção: embora possam ser necessários para monitoramento contínuo, o contexto levanta dúvidas legítimas.
É possível, sim, que o estado de saúde de Jair seja realmente delicado. Mas convém lembrar que, há apenas um mês, ele exibia plena disposição física ao pilotar um jet-ski em Angra dos Reis, com Silas Malafaia na garupa. E, há apenas duas semanas, estava eufórico e cheio de energia na Avenida Paulista, participando de uma manifestação cujo objetivo declarado era evitar sua prisão.
Naturalmente, por uma questão humanitária, não se espera que o STF exija de imediato uma perícia médica independente para averiguar se o ex-presidente está, de fato, obstruindo a Justiça — sobretudo diante do fato de que o oficial de Justiça sequer conseguiu entregar-lhe o acórdão que o tornou réu. Qualquer medida mais incisiva, nesse momento, serviria de combustível para o discurso de perseguição política promovido pelas hordas bolsonaristas, sempre prontas a explorar qualquer gesto institucional como parte de uma suposta narrativa de vitimização.
Ainda assim, seria perfeitamente razoável que o tribunal solicitasse ao hospital um laudo médico atualizado, claro e objetivo, que atestasse o real estado de saúde do paciente. Trata-se de um procedimento rotineiro, legítimo do ponto de vista institucional e absolutamente justificável.
Fernando Castilho é arquiteto, professor e escritor. Autor de Depois que Descemos das Árvores, Um Humano Num Pálido Ponto Azul e Dilma, a Sangria Estancada.
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Rui Ribeiro
22 de abril de 2025 4:27 pmSerá que esse cabra tá blefando?
Fernando Moreira de Castilho
22 de abril de 2025 8:04 pmNão se sabe. Parece que realmente tem um problema. mas o fato é a espetacularização desse problema. Por isso, é difícil levar a sério. Até porque ele leva uma vida de mentiras.
Carlos
22 de abril de 2025 7:31 pmDesde a prisão de ventre até a diarreia, passando pela Sonda na napa, tudo neste genocida é customizado. Aparece conforme o andamento do processo no STF.
Olha, não me admira se surgir um atestado de óbito assinado pela turma que assinou o atestado de vacina fake.
Ou isso ou uma recuperação “milagrosa” a partir do jejum da cara metade.
Fernando Castilho
23 de abril de 2025 9:33 amÉ até possível que apareça um laudo que o obrigue a se tratar nos EUA.
Rui Ribeiro
24 de abril de 2025 10:12 am?
Será que os médicos chegariam a tal ponto?
Agora eu me alembrei do Cazuza:
“Porcos num chiqueiro
São mais dignos que um burguês
Mas também existe o bom burguês
Que vive do seu trabalho honestamente
Mas este quer construir um país
E não abandoná-lo com uma pasta de dólares
O bom burguês é como o operário
É o médico que cobra menos pra quem não tem
E se interessa por seu povo
Em seres humanos vivendo como bichos
Tentando te enforcar na janela do carro
No sinal, no sinal”.
Fernando Castilho
24 de abril de 2025 5:41 pmNão há como confirmar, mas há dúvidas.
Zegomes
22 de abril de 2025 8:36 pmEsperem tudo dos médicos brasileiros. 95% são fanáticos anti-PT e anti-Lula. Todo esse ódio vem basicamente da instituição do Mais Médicos e da abertura de escolas de medicina pelo interiorzão do Brasil. A classe viu isso como ameaça. Eles querem ter um domínio medieval sobre a medicina no país. Para eles simularem ações que protejam esse senhor de extrema direita não é difícil. Afinal eles o consideram “um dos nossos”.
Fernando Castilho
23 de abril de 2025 9:34 amVerdade. Bem lembrado.
evandro condé
23 de abril de 2025 7:33 amAcho que é questão para médico intensivista. Pitaco de leigo aqui não diz nada.