Os ataques do grupo extremista Hamas contra Israel ajudaram a aumentar a perceoção e os casos de islamofobia no Ocidente, segundo análise do Grupo de Antropologia em Contextos Islâmicos (Gracias), da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP.
No segundo levantamento relacionado ao caso, foram levantadas cerca de 240 respostas para o questionário enviado à comunidade muçulmana em menos de uma semana, o que representa um aumento considerável no engajamento em relação ao levantamento anterior, quando o grupo recebeu 653 respostas por mais de um mês.
Pelos lados preliminares da segunda pesquisa, 55,6% dos homens e cerca de 78% das mulheres afirmam que perceberam aumento de violência.
Além disso, a pesquisa revela que 56% dos homens e 63% das mulheres relataram ter vivenciado algum tipo de violência após a intensificação da guerra contra o Hamas; e cerca de 70% de ambos os sexos também conhecem alguém que passou pela situação.
Segundo o relatório, tanto os homens (87%) como as mulheres (92%) entrevistados acreditam que a cobertura da mídia ocidental contribui, de alguma forma, para uma visão negativa sobre os muçulmanos.
Já 84% dos homens e 87% das mulheres dizem que a distinção entre termos como muçulmanos, palestinos e árabes não é executada corretamente, e mais de 80% dos respondentes apontam para um crescimento dos casos de violência e discurso de ódio nas redes sociais.
A pesquisa tem participação da professora Francirosy Barbosa, coordenadora do Gracias, além de Felipe Freitas de Souza, doutorando da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), que realiza pesquisa sobre islamofobia e que também participou do primeiro Relatório de Islamofobia no Brasil, publicado em junho de 2022, e Francisco Cleverson Pereira da Silva, bolsista do Programa Unificado de Bolsas da USP (PUB).
Preconceito ocidental
Segundo a professora Francirosy, as notificações para a Associação Nacional de Juristas Islâmicos (Anaji) e para o Gracias cresceram com a maior exposição midiática da guerra no território palestino e a percepção da comunidade islâmica é de que esses eventos internacionais têm impacto no crescimento da violência e isso direciona a construção do questionário.
“Tendo esses registros que ficam claros para a gente onde é que está realmente o problema na comunicação e eu posso chegar para as pessoas e dizer ‘bom, tem como a gente mudar essa linguagem? Tem como a gente transformar o modo de falar sobre muçulmanos, Islã?’, eu acho que isso é transformador”, afirma Francirosy.
Na visão da pesquisadora, o estudo, até o momento, reforça o aumento da islamofobia. “Ao analisar os dados, torna-se claro não apenas o aumento global, mas também a constatação de que tanto homens quanto mulheres já haviam experimentado situações desse tipo”, esclarece a pesquisadora, que categoriza o conflito em Gaza como um “evento-gatilho”, que contribui com a escalada do preconceito, como os ataques às torres gêmeas de Nova York em 11 de setembro de 2001 e ao Charlie Hebdo, em Paris, em 2015.
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