Escola Estadual Coronel Pilar, em Santa Maria (RS), iniciou mudanças de gestão escolar em 1993, buscando uma maior inclusão
Por Caio Zinet, do Centro de Referências em Educação Integral
O colégio estadual Coronel Pilar, em Santa Maria (RS), é uma das principais referências em educação inclusiva no país, em decorrência de um processo iniciado em 1993 e que segue até hoje. Aos poucos, a escola foi deixando de lado a ideia de que era necessário separar os alunos com algum tipo de deficiência dos demais.
Segundo a professora Bernadete Santini Viero, em 1993, existiam 2 classes especiais com 12 alunos em cada sala de aula. No ano seguinte, o colégio iniciou um processo de transição e alguns estudantes que estavam nessas turmas foram transferidos para as turmas de integração junto com os demais alunos.
“Ano a ano o número de alunos integrados foi aumentando”, conta a professora. Depois do processo de inclusão desses estudantes, o próximo passo foi pensar na importância de garantir não só o acesso deles a escola, mas também garantir condições de permanência para que eles continuassem estudando.
Na grade horária dos estudantes com algum tipo de deficiência existe a possibilidade deles serem acompanhados uma ou duas vezes por semana por um professor que trabalha as necessidades básicas dos alunos no que é conhecido como Atendimento Educacional Especializado (AEE). Essas aulas podem acontecer no turno ou no contraturno a depender do melhor horário para os estudantes e suas famílias.
No AEE, os alunos podem ser atendidos individualmente ou em grupos, a depender da avaliação do profissional sobre qual a melhor forma de abordagem. Bernadetti explica que essas aulas são um momento de conversa e interação e que o intuito não é dar reforço escolar para os estudantes.
“É um momento de aprendizagem, de conversa onde estabelecemos vínculos com os estudantes e compreendemos melhor como está sendo a dinâmica deles na sala de aula, na suas relações pessoais e familiares e isso ajuda no processo pedagógico”, afirmou.
Outra forma de garantir a permanência dos estudantes no colégio é a flexibilização do conteúdo para os alunos com algum tipo de deficiência. Em alguns casos, por exemplo, é possível realizar avaliações individuais.
“A flexibilização é importante para garantir a permanência do estudante que precisa aprender e se sentir motivado a vir ao colégio. Além disso, também é necessário medir o avanço que cada aluno teve no processo pedagógico”, avalia a professora. Outro instrumento adotado pelo colégio são ajustes de horário para adequar a grade curricular a disponibilidade dos alunos.
Um último mecanismo importante segundo a docente é trabalhar com a afetividade e com o fortalecimento do vínculo social entre os alunos. “Acredito muito que eles [os alunos com deficiência] precisam se sentir queridos e acolhidos. Isso é uma parte muito importante do processo pedagógico e de inclusão e que as vezes é esquecido ou deixado em segundo plano”, afirmou.
A partir das mudanças introduzidas em 1993, o colégio conseguiu criar uma cultura que aceita e compreende melhor a educação inclusiva. Os conflitos entre alunos com algum tipo de deficiência e os “sem” são raros e resolvidos com diálogo.
“Existem problemas, mas como nosso processo de inclusão é muito antigo, ele está enraizado e por isso existem poucos conflitos que, quando surgem, são resolvidos com diálogo”, afirmou a professora.
Athos
10 de agosto de 2015 5:44 pmQuer dizer que foi algo
Quer dizer que foi algo pensado E planejado?
Um plano executado?
Muito diferente do que propõe para que seja feita a inclusão.
Na base da canetada!
Canetou, depois taque tudo dentro, feche a porta, e seja o que Deus quiser.