21 de maio de 2026

Coletivos judeus boicotam seminário do Itamaraty e denunciam exclusão: “Nossa ausência não é uma escolha”

Grupos afirmam ter sido impedidos de falar no evento sobre antissemitismo realizado nesta quinta-feira (16)
Crédito: Reprodução/ Youtube Funag

Três coletivos judeus brasileiros boicotaram seminário do Itamaraty por terem o direito à fala negado no evento.
Grupos criticam o seminário por privilegiar organizações sionistas e rejeitar a pluralidade judaica no debate.
Coletivos rejeitam definição de antissemitismo da IHRA e alertam para riscos à liberdade de expressão e debate político.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Três coletivos judeus brasileiros anunciaram que não participariam do seminário “Enfrentamento ao Antissemitismo”, promovido pelo Itamaraty nesta quinta-feira (16), Dia Nacional da Lembrança do Holocausto.

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Os grupos Árabes e Judeus pela Paz, Articulação Judaica de Esquerda e Vozes Judaicas por Libertação afirmam que tiveram o direito à fala bloqueado pela coordenação do evento, mesmo integrando o Grupo de Trabalho sobre Antissemitismo do governo federal.

Segundo os coletivos, em reunião realizada na terça-feira (14), chegou a ser proposta a concessão de ao menos dez minutos de fala aos grupos, proposta que, segundo eles, foi rejeitada pela coordenação geral do seminário.

Pluralidade negada

Na nota divulgada pelos grupos, há críticas à composição do evento, que, segundo eles, privilegia organizações sionistas em detrimento de setores judaicos solidários à causa palestina. Para os coletivos, essa configuração reforça a equiparação entre antissionismo e antissemitismo, estreitando o debate a um único campo ideológico.

O seminário é organizado pelo Itamaraty em parceria com o Ministério dos Direitos Humanos e a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, e tem como objetivo debater o antissemitismo no cenário internacional, discutir definições do termo e analisar experiências de outros países.

Críticas

Os grupos também manifestam preocupação com a proposta do governo de elaborar, em até seis meses, uma Estratégia Nacional de Enfrentamento ao Antissemitismo, com a participação de ao menos oito ministérios. Para eles, a iniciativa pode criar interpretações que confundam críticas a Estados e ideologias com racismo, e ressaltam que o Brasil já conta com legislação adequada para o combate ao antissemitismo, como a Lei nº 7.716/1989.

Os coletivos também apontam que o destaque dado ao antissemitismo não tem correspondido a respostas equivalentes a outras formas de discriminação. Citam pesquisa coordenada por Francirosy Campos Barbosa que indica crescimento da islamofobia no Brasil após 7 de outubro de 2023, defendendo que o enfrentamento ao racismo deve ser amplo e sem hierarquias.

Rejeição

Outro ponto de controvérsia é o projeto de lei apresentado pela deputada Tabata Amaral, que propõe a adoção da definição de antissemitismo da IHRA (International Holocaust Remembrance Alliance). Os coletivos se opõem à iniciativa, argumentando que essa definição é alvo de críticas por parte de especialistas e organizações de direitos humanos, por incluir exemplos que associam críticas ao Estado de Israel a formas de antissemitismo.

Para os grupos, a adoção dessa definição pode criminalizar posições políticas legítimas, restringir a liberdade de expressão e até servir para blindar Israel de críticas diante do que denominam genocídio em Gaza.

Presença garantida em outros espaços

Apesar do boicote ao seminário, os coletivos afirmam que seguirão participando dos Grupos de Trabalho estabelecidos pelo governo federal. Em nota, reiteraram o compromisso com “a justiça, a igualdade e o combate a todas as formas de racismo: sem exceções, sem hierarquias e sem silenciamentos”, e reforçaram que a comunidade judaica é plural e que o sionismo não representa um ponto de convergência entre todos os judeus brasileiros.

Leia a nota na íntegra:

Nós, coletivos judaicos brasileiros, árabes e Judeus pela Paz, Articulação

Judaica de Esquerda e Vozes Judaicas por libertação, informamos que não participaremos do seminário “Enfrentamento ao antissemitismo”, organizado pelo Itamaraty.

Nossa ausência não é uma escolha.

Tivemos nosso direito à fala bloqueado pela coordenação do evento, mesmo integrando o Grupo de Trabalho sobre Antisseministmo instituído pelo governo federal.

Em reunião realizada em 14/4, no âmbito desse grupo, houve uma escuta da representação do Itamaraty, com proposta de garantir ao menos dez minutos de fala aos nossos coletivos – desconsiderada pela coordenação geral, por meio de Clara Ant.

O seminário foi estruturado sem uma real pluralidade. Privilegia organizações sionistas (inclusive aquelas que reiteradamente atacam o presidente Lula e seu governo, com posições alinhadas à extrema direita, como é o caso da CONIB) e exclui setores judaicos declaradamente solidários à Palestina. Com isso, reforça-se a falsa equivalência entre antissionismo e antissemitismo, restringindo o debate público a um único campo ideológico.

O Brasil já dispõe de legislação adequada para o combate ao racismo, em especial a Lei nº 7.716/1989, que abrange o antissemitismo. Ainda assim, o governo prevê a elaboração, em seis meses, de uma Estratégia Nacional de Enfrentamento ao Antissemitismo, mobilizando ao menos oito ministérios. Esse movimento suscita preocupações quanto à possível excepcionalização do tema, criando categorias ou interpretações que confundam críticas a Estados, governos ou ideologias com racismo.

Se há disposição governamental para enfrentar o racismo de forma estruturada, isso deve ocorrer de maneira ampla e isonômica.

A centralidade conferida ao antissemitismo contrasta com a ausência de respostas equivalentes a outras formas de discriminação que também vêm se intensificando no país.

Pesquisa coordenada por Francirosy Campos Barbosa aponta um aumento expressivo da islamofobia no Brasil após 7 de outubro de 2023, evidenciando que o enfrentamento ao racismo não pode ser seletivo nem hierarquizado.

Nesse contexto, nos posicionamos contra iniciativas legislativas que buscam ampliar ou redefinir o conceito de antissemitismo de modo a restringir o debate público, como o projeto de lei apresentado pela deputada Tabata Amaral, que propõe a adoção da definição de antissemitismo da IHRA (International Holocaust Remembrance Alliance), amplamente criticada por especialistas, organizações de direitos humanos e acadêmicos por incluir exemplos que associam críticas ao Estado de Israel a formas de antissemitismo.

Essas formulações aprofundam a confusão entre crítica política ao Estado de Israel e discriminação contra judeus, podendo restringir o debate legítimo e a liberdade de expressão.

A adoção de definições ampliadas de antissemitismo representa um risco. Pode criar distinções indevidas entre formas de discriminação e enfraquecer o princípio da igualdade. Também abre margem para criminalizar posições políticas críticas ao Estado de Israel. Isso fere a liberdade de expressão e instrumentaliza o combate ao racismo para fins de blindagem ideológica. Além disso, contribui para legitimar graves violações de direitos humanos, entre as quais se destaca o genocídio em Gaza.

Realizar esse evento no Dia Nacional da Lembrança do Holocausto, sem garantir pluralidade, não é um gesto neutro.

Trata-se de mobilizar uma data fundamental da memória do Holocausto para promover vozes alinhadas a uma agenda sionista no Brasil — o que constitui uma afronta à própria memória que se pretende preservar.

Não participaremos de um espaço que nos nega voz.

Seguiremos, no entanto, atuando nos Grupos de Trabalho estabelecidos pelo governo federal, afirmando que a comunidade judaica é plural e que o sionismo não é um ponto de convergência.

Permaneceremos comprometidos com a justiça, a igualdade e o combate a todas as formas de racismo: sem exceções, sem hierarquias e sem silenciamentos.

Coletivos

Árabes e Judeus pela Paz,

Articulação Judaica de Esquerda

e Vozes Judaicas por Libertação.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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3 Comentários
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  1. jucemir rodrigues da silva

    16 de abril de 2026 2:27 pm

    Curto, grosso e na cara pra quem quiser ver: o sionismo está entranhado na administração Lula.
    Homem fortíssimo de Luiz Inácio, Jaques Wagner é o líder.
    Quanto a Clara Ant, sionista raiz, lembremos: foi assessora pessoal do presidente Luiz Inácio em todo seu primeiro mandato e parte do segundo.
    Em governos de Luiz Inácio, o Mossad nem careceu ou carece de treinar e infiltrar nenhum Eli Cohen(vera identidade de Kamal Amin Ta’abet), tal como se fez na Síria, lá na primeira metade dos anos 60 do século passado.
    Braço duríssimo do soft power israelense no Brasil, a CONIB atua livre, leve e solta.
    Mauro Vieira, o titular do Ministério das Relações Exteriores – também conhecido pela sinédoque “Itamaraty” – , é apenas um subordinado do atual presidente da República.
    Que os coletivos cobrem diretamente de Lula.

  2. José Ramos Filho

    16 de abril de 2026 5:41 pm

    ISRAEL ESTADO ASSASSINO E SIONISTA

  3. Jicxjo

    17 de abril de 2026 8:03 am

    Pelo visto o lobby sionista também anda derramando rios de dinheiro no Brasil. Haja “iniciativa” para blindar Satanyahu e sua turma.

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