Ex-legista vira réu por ocultar torturas cometidas no regime militar

José Manella Netto é acusado de falsidade ideológica e ocultação de cadáver ao omitir causa mortis de Carlos Roberto Zanirato

Foto: Reprodução

Jornal GGN – O ex-médico legista José Manella Netto se tornou réu por falsidade ideológica e ocultação de cadáver pela Justiça Federal, ao omitir a causa mortis do militante político Carlos Roberto Zanirato.

Junto do legista Orlando Brandão, Manella Netto assinou laudo afirmando que Zanirato cometeu suicídio ao saltar na frente de um ônibus na Avenida Celso Garcia, em São Paulo, em 1969 quando, na verdade, ele foi submetido a sessões de tortura.

Zanirato tinha 19 anos quando entrou no Exército, em janeiro de 1969. Ele integrou o 4º Regimento de Infantaria em Osasco, que deixou o quartel para formar a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) ao lado do capitão Carlos Lamarca para combater a ditadura.

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De acordo com o Ministério Público Federal, Zanirato foi torturado durante seis dias até ser levado ao local onde foi empurrado na frente de um ônibus. Nenhum tipo de registro da ocorrência chegou a ser feito.

O jovem foi enterrado como indigente no Cemitério da Vila Formosa, e seus restos mortais não foram identificados até hoje.

Como explica reportagem do jornal O Globo, Zanirato foi o primeiro militante sob custódia do Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo (Dops/SP) a desaparecer.

Segundo denúncia feita pelo procurador da República Andrey Borges Mendonça, e aceita pela 5ª Vara Criminal da Justiça Federal em São Paulo, o laudo assinado pelos legistas ocultava diversas lesões causadas por agressões anteriores, cometidas por agentes da ditadura militar.

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