
Seis profissionais da AFP (Agence France Presse) estão entre os únicos que seguem com seu trabalho na Faixa de Gaza em meio à ação militar de Israel, mas suas vidas estão em risco por conta da fome.
Em comunicado, o Comitê Editorial da AFP afirma que a agência tem trabalhado com “1 redator, 3 fotógrafos e 6 cinegrafistas, todos freelancers”, na Faixa de Gaza desde que os jornalistas de sua equipe saíram em 2024 – e a imprensa internacional está proibida de acessar a região desde então.
No último dia 19 de julho, o fotógrafo principal da agência, chamado Bashar, conseguiu publicar uma mensagem em seu Facebook: “Não tenho mais forças para trabalhar para a mídia. Meu corpo está magro e não consigo mais trabalhar”.
Com 30 anos de idade, Bashar trabalha e vive nas mesmas condições que todos os habitantes de Gaza e há mais de um ano ele vive em total miséria, trabalhando com extremo risco de vida.

Desde fevereiro, Bashar está vivendo nas ruínas de sua casa na Cidade de Gaza com sua mãe, quatro irmãos e irmãs e a família de um de seus irmãos – no domingo de manhã, ele relatou que um de seus irmãos tinha “caído devido à fome””.
“Desde a fundação da AFP em 1944, perdemos jornalistas em conflitos, alguns ficaram feridos, outros foram feitos prisioneiros. Mas nenhum de nós se lembra de ter visto colegas morrerem de fome”, destacou a comissão.
O salário mensal pago a esses jornalistas “não é mais suficiente para comprar comida, ou eles têm que pagar preços completamente exorbitantes. O sistema bancário entrou em colapso, e aqueles que trocam dinheiro por meio de contas bancárias on-line cobram uma comissão de até 40%”.
“Pela primeira vez, me sinto derrotado”, disse Bashar, em uma mensagem enviada no domingo. Mais tarde naquele dia, ele disse que nos agradeceria “por explicar que vivemos dia a dia entre a morte e a fome”. “Gostaria que o presidente (Emmanuel) Macron me ajudasse a sair deste inferno.”

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