11 de junho de 2026

Não se tem registros do genocídio negro na ditadura, diz ialorixá

Em entrevista à TV GGN, a iya Adriana t'Ọmọlú lembra de ordem para não se falar do assunto e populações negras seguem tratadas da mesma forma
Iyalorixá Adriana t'Ọmọlú. Foto: Facebook iya Adriana t'Ọmọlú

É preciso lembrar que não se tem registros sobre o extermínio da população negra na história da ditadura militar brasileira, assim como não houve recorte racial nos registros oficiais.

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“Se a gente olhar para as mulheres negras, piorou. Então, não existe esse recorte racial”, diz a Ìyáloriṣà Adriana t’Ọmọlú, professora, pedagoga aposentada e matriarca da Unidade Territorial Tradicional Ile Àṣẹ Ọmọlú Àti Òṣún, em entrevista à TV GGN.

“Existiu uma ordem de que as notícias não trouxessem, que a mídia não trouxesse notícias sobre o Esquadrão da Morte, sobre os índios, sobre os movimentos negros, sobre a discriminação racial”, pontua a ialorixá, ressaltando que os atos institucionais publicados em 1969 não detalham nada.

Filmes como Cidade de Deus podem ter ajudado a retratar a situação dos negros na época, e a iya Adriana ressalta que o quadro não mudou muito nos últimos anos, e essa população segue tendo seu direito de ser gente excluído pelas autoridades.

“’E eu vou te matar, eu vou estuprar as mulheres da mesma forma que eu estuprei as mulheres não negras que eram consideradas subversivas, e continua fazendo com as mulheres negras, assim como o extermínio da população negra continua firme e forte (…)”, ressalta a ialorixá.

“O sumiço dos nossos meninos pretos, o aumento de estupros, de mortes de mulheres negras, do avanço da violência de gênero – e a gente sabe que, quando a gente faz o recorte racial, a maioria das mulheres que morrem são pretas, não me deixa mentir”, pontua a psicóloga.

Mesmo com esse silenciamento, a iya Adriana ressalta que o movimento negro acontece na ditadura. “É importante dizer que as mulheres pretas, homens pretos nunca deixaram de lutar, que os homens e mulheres pretos nunca deixaram de denunciar. E nunca deixaram de morrer – a vala de Perus que o diga”, ressalta a ialorixá.

Veja mais a respeito no vídeo abaixo

Redação

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2 Comentários
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  1. AMBAR

    3 de abril de 2022 11:39 pm

    A revolução foi coerente não apontando registro do genocídio negro na ditadura, já que ele era política de estado desde sempre.Ela apenas continuou o que o estado vinha e vem fazendo.

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