5 de junho de 2026

Não vamos deixar complexo vira-lata governar esse país, diz Lula

Lula no Assentamento Itamarati, em Mato Grosso do Sul - Foto: Ricardo Stuckert
 
Jornal GGN – Em discursos feitos nos últimos dias pelo país, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou duramente o golpe em curso no país, defendeu ativamente os interesses nacionais contra negociações externas do governo interino de Michel Temer e disse que não se cansará de lutar.
 
“Eu quero dizer para vocês não se preocuparem: enquanto eu tiver essa voz rouca e essas duas pernas funcionando e quiserem tirar os direitos conquistados pelos trabalhadores (…) o Lulinha paz e amor desaparece e o Lula para brigar aparece para defender os trabalhadores”, disse, em tom inflamado, durante ato pela Democracia e pelo emprego, nesta quinta (25), em Niterói (Rio de Janeiro).
 
Lula denominou o início das sessões finais de julgamento do impeachment de Dilma Rousseff como a “semana da vergonha nacional”. “Eu, como brasileiro, estou envergonhado de assistir à semana da vergonha nacional com esta votação no Senado. Os senhores senadores que vão votar pelo impeachment não estão cassando a Dilma, estão caçando o voto de vocês”, defendeu.
 
Além disso, reafirmou no ato promovido pela CUT, pela Federação Única dos Petroleiros (FUP) e pela Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM) que a política externa feita por Temer é a “entreguista dos chefes do golpe”.
 
“Como eles não sabem governar, vão começar a vender o Brasil e de repente esse país de 204 milhões de habitantes, esse país vai abrir mão da sua soberania para ficar mendigando para os países ricos, porque prevalece o complexo de vira-lata dos que querem governar esse país”, disse o ex-presidente.
 
O tema foi ainda mais destacado durante agenda no maior assentamento do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra no país, o conjunto Itamarati, em Mato Grosso do Sul, onde esteve nesta quarta (24). Aos milhares de trabalhadores e ativistas, Lula disse: “eu vim aqui para dizer que não vão conseguir entregar o país aos estrangeiros”.
 
Criado em 2003 pela luta dos trabalhadores e articulação com o governo Lula, o assentamento abriga cinco escolas públicas e possui uma área de 57 mil hectares, com histórico de grande produção de soja no país.
 
“Eu não tenho nada contra os EUA, mas nós aprendemos a andar com nossos pés brasileiros e nossa cabeça brasileira. Porque nós temos o orgulho de ser brasileiro. Eles tem vergonha. O juiz Moro quer prender ladrão? Ele que prenda, porque lugar de ladrão é na cadeia. Mas tem que ter responsabilidade com o desemprego causado na indústria naval”, criticou o ex-presidente o governo interino e a mira da Lava Jato.
 
Lula reafirmou na quarta que a cassação não é da presidente Dilma, mas do voto da população. “Um recado para o Temer: você tem direito de ser presidente. Mas se você quer mesmo ser presidente. Dispute uma eleição democraticamente e não venha dar um golpe no Povo brasileiro”, direcionou.
 
Tanto no ato no Mato Grosso do Sul, quanto no Rio de Janeiro, Lula reagiu à campanha sistemática movida pelos meios de comunicação, em favor da Operação Lava Jato, restringindo as miras ao partido de Lula. 
 
“O mesmo jornalista que diz que eu tenho um tríplex no Guarujá, escreveu uma matéria em 2003 dizendo que ‘aquela que era a fazenda mais produtiva do Brasil, virou uma favela do MST’ e eu vim aqui para provar que isso é uma mentira preconceituosa”, disse no assentamento.
 
“Eu pensei que depois de deixar a presidência eu ia me aposentar. Eu pensei que a Globo não ia falar mais de mim, mas ela fala de mim todo dia…vai gostar de mim assim em outro lugar…”, concluiu, em ironia, no Rio.
 
O ex-presidente defendeu que apesar do avanço do governo interino contra direitos dos trabalhadores e ameaças de retrocessos sociais, o impacto deixado pelos governos do PT permanece, como a conscientização.
 
“Todo santo dia eles falam mal de mim na televisão. Eu digo daqui para eles: vocês se enganam. O problema são a quantidade de Lula que estão aqui ainda sem saber falar. A quantidade de Lulas que vocês produziram aqui no assentamento”, disse.
 
“Um recado para eles: acabou o tempo que a gente andava de cabeça baixa neste país. Acabou e não vai voltar”, finalizou, nesta quinta.
 
Ouça os discursos nos dois atos:
 

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Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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5 Comentários
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  1. emerson57

    25 de agosto de 2016 7:52 pm

    Fim

    Depois da farsa que está sendo encenada no senado,

    não tenho dúvida:

    O phim está próximo.

    Só Lula salva!

  2. Marcelo33

    25 de agosto de 2016 8:35 pm

    Não vão deixar ??
    Já deixaram

    Não vão deixar ??

    Já deixaram !!

  3. anarquista sério

    25 de agosto de 2016 9:41 pm

    A moral do Lula está igual a

    A moral do Lula está igual a minha neste blog.

  4. O brizolista

    26 de agosto de 2016 1:48 pm

    Esse é o único Lula o qual o

    Esse é o único Lula o qual o Brasil precisa: o Lula “roots” sindicalista. Se ele vier com raiva, posso até pensar em votar nele no segundo turno.

  5. Athos

    27 de agosto de 2016 5:44 pm

    Finalmente!
    30 anos após a queda do muro, este é o primeiro discurso que não identifica AS ELITES como inimigos.

    Reparou?

    Agora não são mais as elites, o problema são aqueles com complexo de vira lata.

    Foi difícil Esquerda mas com 30 anos de atraso estamos indo em direção do NACIONALISMO!
    Que é simplesmente o único caminho a ser seguido para se construir um país neste planeta.

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