21 de maio de 2026

Pela primeira vez, Censo mapeia a população quilombola do País

Bahia e Maranhão têm as maiores comunidades de descendentes de pessoas escravizadas; apenas Acre e Roraima não têm quilombos.
Crédito: Marcello Casal Jr. / Agência Brasil

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, nesta quinta-feira (27) o Censo com informações sobre a população quilombola.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

É a primeira vez que o IBGE contou com a opção para que as pessoas se autodenomisnassem quilombolas, mostrando que esta população, conhecida por ter laços históricos e ancestrais de resistência, corresponde a 0,65% da população.

A região Nortesde concentra quase 70% dos quilombolas, especialmente os estados da Bahia e Maranhão. Ainda assim, há comunidades em todas as regiões do País, exceto no Acre e em Roraima.

“Não se trata de grupos isolados ou de uma população estritamente homogênea. Da mesma forma, nem sempre foram constituídos a partir de movimentos insurrecionais ou rebelados mas, sobretudo, consistem em grupos que desenvolveram práticas cotidianas de resistência na manutenção e reprodução de seus modos de vida característicos e na consolidação de um território próprio”, define a Associação Brasileira de Antropologia, em 1994.

Quem são

Quilombos eram comunidades que se formavam com pessoas escravizadas fugitivas entre os séculos XVI e XIX. Já em 1988, com a Constituição, criou-se a nomenclatura “comunidades remanescentes de quilombos”, expressão simplificada para quilombola anos depois.

Mais que garantir uma nomenclatura, a Constituição definiu ainda que as comunidades têm direito à terra e que o Estado deve emitir os respectivos títulos.

Existem 2.921 certificados de autoatribuição entregues a comunidades quilombolas pela Fundação Cultural Palmares, mas estes certificados não delimita as terras.

Oficialmente, o Brasil tem 494 territórios quilombolas, delimitados formalmente no acervo do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) ou dos órgãos estaduais e municipais que tenham competência fundiária, enquanto outros 1.802 processos de regularização fundiária estão em andamento.

“Viver em uma comunidade quilombola é lutar intensamente pelos seus direitos e buscar melhorias para o seu povo. É lutar pela por uma educação de qualidade, por uma saúde de qualidade, por uma habitação, pela regularização fundiária de suas terras, além de buscar o reconhecimento, e integrar uma luta intensa contra o preconceito racial”, conta Valmir dos Santos, do Conselho Estadual das Comunidades Quilombolas da Bahia e morador da comunidade quilombola de Tijuaçu, em Senhor do Bonfim ao G1.

Conheça as 20 cidades com as maiores populações de quilombolas do País:

  1. Senhor do Bonfim (BA): 15.999 quilombolas
  2. Salvador (BA): 15.897
  3. Alcântara (MA): 15.616
  4. Januária (MG): 15.000
  5. Abaetetuba (PA): 14.526
  6. Itapecuru Mirim (MA): 14.488
  7. Baião (PA): 12.857
  8. Campo Formoso (BA): 12.735
  9. Feira de Santana (BA): 12.190
  10. Vitória da Conquista (BA): 12.057
  11. Pinheiro (MA): 10.608
  12. Santa Rita (MA): 10.236
  13. Cametá (PA): 10.135
  14. Viana (MA): 9.963
  15. Oriximiná (PA): 9.424
  16. Penalva (MA): 9.269
  17. São Vicente Ferrer (MA): 9.255
  18. Macapá (AP): 8.935
  19. São Luís (MA): 8.294
  20. Bonito (BA): 7.967

LEIA TAMBÉM:

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados