O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, nesta quinta-feira (27) o Censo com informações sobre a população quilombola.
É a primeira vez que o IBGE contou com a opção para que as pessoas se autodenomisnassem quilombolas, mostrando que esta população, conhecida por ter laços históricos e ancestrais de resistência, corresponde a 0,65% da população.
A região Nortesde concentra quase 70% dos quilombolas, especialmente os estados da Bahia e Maranhão. Ainda assim, há comunidades em todas as regiões do País, exceto no Acre e em Roraima.
“Não se trata de grupos isolados ou de uma população estritamente homogênea. Da mesma forma, nem sempre foram constituídos a partir de movimentos insurrecionais ou rebelados mas, sobretudo, consistem em grupos que desenvolveram práticas cotidianas de resistência na manutenção e reprodução de seus modos de vida característicos e na consolidação de um território próprio”, define a Associação Brasileira de Antropologia, em 1994.
Quem são
Quilombos eram comunidades que se formavam com pessoas escravizadas fugitivas entre os séculos XVI e XIX. Já em 1988, com a Constituição, criou-se a nomenclatura “comunidades remanescentes de quilombos”, expressão simplificada para quilombola anos depois.
Mais que garantir uma nomenclatura, a Constituição definiu ainda que as comunidades têm direito à terra e que o Estado deve emitir os respectivos títulos.
Existem 2.921 certificados de autoatribuição entregues a comunidades quilombolas pela Fundação Cultural Palmares, mas estes certificados não delimita as terras.
Oficialmente, o Brasil tem 494 territórios quilombolas, delimitados formalmente no acervo do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) ou dos órgãos estaduais e municipais que tenham competência fundiária, enquanto outros 1.802 processos de regularização fundiária estão em andamento.
“Viver em uma comunidade quilombola é lutar intensamente pelos seus direitos e buscar melhorias para o seu povo. É lutar pela por uma educação de qualidade, por uma saúde de qualidade, por uma habitação, pela regularização fundiária de suas terras, além de buscar o reconhecimento, e integrar uma luta intensa contra o preconceito racial”, conta Valmir dos Santos, do Conselho Estadual das Comunidades Quilombolas da Bahia e morador da comunidade quilombola de Tijuaçu, em Senhor do Bonfim ao G1.
Conheça as 20 cidades com as maiores populações de quilombolas do País:
- Senhor do Bonfim (BA): 15.999 quilombolas
- Salvador (BA): 15.897
- Alcântara (MA): 15.616
- Januária (MG): 15.000
- Abaetetuba (PA): 14.526
- Itapecuru Mirim (MA): 14.488
- Baião (PA): 12.857
- Campo Formoso (BA): 12.735
- Feira de Santana (BA): 12.190
- Vitória da Conquista (BA): 12.057
- Pinheiro (MA): 10.608
- Santa Rita (MA): 10.236
- Cametá (PA): 10.135
- Viana (MA): 9.963
- Oriximiná (PA): 9.424
- Penalva (MA): 9.269
- São Vicente Ferrer (MA): 9.255
- Macapá (AP): 8.935
- São Luís (MA): 8.294
- Bonito (BA): 7.967
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