TVGGN: Presidente do CNPq, Ricardo Galvão detalha processo de reconstrução da ciência

Mesmo entre maiores em produção científica, País precisa avançar em inovação e investir em Economia do Conhecimento

Crédito: Divulgação

A ciência avançou significativamente nas últimas três décadas, tanto que o Brasil é o 13º no ranking mundial em produção científica, mas está atrasado em inovação. Esta é a conclusão de Ricardo Galvão, atual presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), convidado do programa TVGGN 20H da última quarta-feira (19).

Cientista, Galvão ressalta os esforços do governo Lula em restaurar a ciência brasileira, depois do desmonte provocado na última gestão. “A primeira ação do governo Lula foi restaurar a colaboração Brasil-China, essencial para desenvolver o satélite de observação da terra, o chamado programa CBERS, descontinuado pelo governo [de Jair] Bolsonaro. Então, o Lula, na visita à China, acionou esse compromisso e vai colocar o Inpe [Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais] para desenvolver outros satélites para monitoramento dos oceanos e colaboração com a Argentina.”

Depois de ter o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico pulverizado, no ano passado, o setor agora conta com R$ 10 bilhões para investimentos, divididos em 10 programas principais. Segundo Galvão, um deles é chamado de “Nova Industrialização”.

Mas o processo de reconstrução da ciência brasileira só deve ser efetivamente retomado no próximo ano. “Do ponto de vista de infraestrutura interna, ainda há muito o que fazer. Temos uma deficiência muito grande de pessoal, os recursos ainda não foram aumentados, nem poderiam pela Lei Orçamentaria Anual (enviada no ano passado, pelo governo Bolsonaro). Mas agora para 2024, talvez isso possa melhorar”, comenta.

Desafios

O entrevistado do TVGGN 20H ressalta, porém, os abismos que o País ainda tem de superar no quesito inovação. Ele comenta que a China tem entre 40 e 50 institutos do governo dedicados à ponte entre a ciência e a indústria.

“O cientista não tem de se preocupar em fazer inovação. Esses institutos vão buscar avanços na ciência chinesa que pode se converter em produtos para indústria. Nós, no Brasil, não temos essa facilitação. Nós não sabemos passar o que se denomina Vale da Morte. Mas o governo está atuando fortemente nessa direção”, afirma Galvão.

O Brasil terá ainda de investir na Economia do Conhecimento, pois sem ela, o País ficará completamente isolado. “[A Economia do Conhecimento] Está se concentrando fortemente nessas empresas de alta tecnologia, porque se não tivermos capacidade de desenvolvê-la, não há maneira de prosseguir. A reindustrialização baseada no Fordismo de 100 anos atrás está fora”, continua o cientista.

Visão estratégica

Galvão aproveitou a conversa ainda para criticar a falta de iniciativa dos empresários brasileiros em investir na produção de tecnológica e científica nacional. Eles o fazem por dois motivos: garantias (ou a falta delas) e também porque é mais fácil comprar tecnologia do que desenvolvê-la aqui. “Mas ninguém no mundo vende tecnologia de ponta. Então, compra-se sempre tecnologia de segunda mão. E tem muita coisa feita no Brasil”, adverte o convidado.

Apesar do Marco Legal da Ciência e Tecnologia, que permite que as instituições do governo possam fazer encomendas diretas à indústria para desenvolver produtos ou comprar equipamentos para a pesquisa científica sem licitação, esta compra enfrenta resistência da consultoria jurídica da União, que não a aceita apesar do que é previsto pela Lei.

Assista ao programa na íntegra:

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Camila Bezerra

Jornalista

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