1 de julho de 2026

Acusada de subornar juízes e procuradores, Glencore recebe multa pífia da Lava Jato

O nome Glencore foi pouquíssimo mencionado pela Lava Jato, enquanto o da Petrobras era enterrado na lama.

24 de maio de 2022, Ministério Público Federal assinou acordo de leniência com a Glencore, uma das principais comercializadoras de petróleo e derivados do planeta. Ao lado da Trafigura, foi responsável pelas maiores suspeitas de corrupção da Petrobras.

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O ex-diretor Paulo Roberto da Costa já havia apontado ambas as empresas como peças centrais da corrupção na Petrobras. O valor da comercialização de combustíveis é imensamente superior ao das obras civis. E, como a grande maioria dos contratos fecha-se no mercado à vista, há muito pouco controle sobre os preços fechados.

Tanto a Glencore quanto a Trafigura nasceram de operadores do mercado financeiro e criaram uma sólida reputação de empresas corruptas.

Há uma diferença essencial em relação à Petrobras. A Petrobrás foi vítima de corrupção. Já a Glencore e a Trafigura usam a corrupção como estilo de trabalho.

Mesmo assim, a Lava Jato produziu dois prejuízos incalculáveis para a Petrobras. O primeiro, alimentando o mercado americano com informações para ações bilionárias contra a empresa. O segundo, ao desmoralizar a empresa, generalizando uma corrupção que era restrita a determinadas diretorias indicadas por políticos aliados do governo.

Com a justiça americana, a Petrobras fechou um acordo de U$ 3,6 bilhões para encerrar os processos. Outros R$ 10 bilhões foram para acordos com acionistas americanos, e R$ 2,5 bilhões com a Lava Jato

Já o acordo de leniência do MPF com a Glencore foi de um valor pífio: US $ 39,6 milhões, US$ 29,6 milhões a título de reparação de danos e reversão de vantagens indevidas e US$ 9,8 milhões a título de multa prevista na Lei de Improbidade Administrativa.

O acordo da Glencore estendeu-se a 7 outros países. Segundo a promotoria de Manhatan, a empresa pagará US$ 700 milhões para compensar sunornos nos EUA, e maius US$ 485 milhlõies por manipulações de mercado. A empresa teria pago mais de US$ 100 milhões em subornos no Brasil, Venezuela, Nigéria e República Democrática do Congo. Segundo o procurador: “O suborno foi incorporado à cultura corporativa”.

Segundo Merrick Larland, procurador geral dos EUA, “representa a maior ação criminal do Departamento de Justiça até hoje para uma conspiração de manipulação de preços de commodities nos mercados de petróleo”.

O nome Glencore foi pouquíssimo mencionado pela Lava Jato, enquanto o da Petrobras era enterrado na lama. No entanto, segundo a promotoria, “o escopo desse esquema de suborno é impressionante”, segundo o procurador Damian Williams. Segundo ele, a empresa também pagou subornos para evitar auditorias governamentais e pagou juízes para fazer com que processos desaparecessem.

As investigações foram conduzidas em parceria pelo DoJ e pelo Serious Fraud Office (SFO) do Reino Unido, com a participação de procuradores holandeses e suíços. Não há informações sobre a participação de procuradores brasileiros, apesar da ligação estreita da Lava Jato com o DoJ.

Nas últimas semanas, a Glencore anunciou interesse em adquirir a refinaria Alberto Pasqualini da Petrobras.

Logo após a prisão de Paulo Roberto Costa, em 2014, a Polícia Federal apreendeu um documento conhecido como “Relatório Beto”, preparado pelo genro de Costa, Humberto Mesquita, onde aparecia o nome da Glencore e o valor de US$ 9.973, e a indicação de que o dinheiro seria pago em conta no UBS em Luxemburgo.

Só em 2018 a Lava Jato mirou nas comercializadoras de petróleo. Constatou-se que os subornados ofereciam preços mais baixos às tradings assim como tanques de armazenamento em mais de 160 operações.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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4 Comentários
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  1. Ojotapontomarcelodenovo

    24 de agosto de 2022 2:19 pm

    E A CORRUPÇÃO DA INFORMAÇÃO?E A AGRESSÃO AMBIENTAL AOS CORPOS E AMBIENTE DEVIDO AOS VENENOS APROVADOS?É CULPA DO PT Q SAIUI DO GOVERNO A SETE ANOS(quando descobrirem isso,despertaram da hipnose global)

  2. +almeida

    27 de agosto de 2022 1:25 pm

    Acredito que quando toda verdade for revelada haverá grande desfalque de profissionais no Poder Judiciário, na Grande Mídia, no Congresso Nacional, na PF e ainda alguns respingos em outras supostas autoridades brasileiras. Seja por afastamento, por exoneração ou por prisão, o desfalque será robusto para o bem da ética, da moral, da honestidade e da transparência. Quem for acusado(a) injustamente terá que ter, no mínimo, a coragem e o exemplo de Lula como referência e norte. É claro que não será preciso enumerar todas as virtudes que Lula corajosamente mostrou durante todo massacre que sofreu antes, durante e após o evento da espetacularização e da alucinação, que o premeditado efeito de doping usado largamente e ilegalmente pela Lava Jato, provocou contra Lula em todo país. Imagino que boa parte de malfeitores(as), no Brasil, serão punidos com as mais brandas condenações possíveis e que nada de nada acontecerá com a tal Glencore e seus supostos executivos.

  3. Marco Antonio Lima

    29 de agosto de 2022 4:29 pm

    Nassif. Está na hora de escrever um livro sobre estas tramoias . Abraço

  4. Edson

    30 de agosto de 2022 9:12 am

    Extrai-se do texto que a corrupção corre solta nos EUA. Por aqui a quadrilha judiciária da República de de Curitiba, apoiada por setores retrógados da grande mídia, passam para os desavisados que a corrupção é invenção e marca registrada do PT, que governou o país apenas por 12 anos. Tentam esconder os 500 anos de pilhagem da coisa pública tanto aqui, quanto mundo afora, quase sem exceção.

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