A onda de privatizações no Brasil tem seguido um roteiro que, embora legalmente estruturado, levanta sérias questões sobre governança, transparência e o papel do Estado em setores estratégicos. Casos como os da EMAE, Eletrobras e Sabesp revelam um padrão: aquisição de controle com participação minoritária, decisões financeiras controversas e impactos diretos sobre serviços públicos essenciais.
O Modelo em Três Atos
- Blindagem ideológica
A mídia reforça a narrativa de que empresas estatais são ineficientes, enquanto privatizações são sinônimo de modernização e progresso. Essa construção simbólica prepara o terreno para a aceitação pública da venda de ativos estratégicos. - Arquitetura financeira sofisticada
O controle das empresas é adquirido com uma fração do capital total, por meio de estruturas como fundos de investimento, debêntures e garantias cruzadas. O caso da EMAE é emblemático: o Fundo Phoenix FIP comprou 30% da empresa por R$ 1 bilhão, usando ações da Ambipar como garantia — ações que, segundo a CVM, foram artificialmente valorizadas. - Rapinagem sobre o caixa e os ativos
Após assumir o controle, os novos gestores priorizam distribuição de dividendos, desmonte de ativos ou investimentos em empresas do próprio grupo, em detrimento da qualidade dos serviços. A EMAE, por exemplo, investiu R$ 250 milhões em títulos da Light S.A., empresa ligada a Nelson Tanure, e emprestou R$ 10 milhões à Milos Participações, também associada a ele.
O caso EMAE
Tome-se o caso Empresa Metropolitana de Águas e Energia (EMAE), a primeira privatização do governador Tarcísio de Freitas. O leilão foi realizado na B3 em 19 de abril de 2024. O vencedor foi o Fundo Phoenix FIP, controlado pelo notório Nelson Tanure.
Estudos do próprio governo paulista haviam apontado para um valor potencial de R$ 10 bilhões, em caso de venda da companhia. No entanto, o controle terminou vendido por pouco mais de R$ 1 bilhão, um ágio de 33,68% sobre o preço mínimo, saudado pela mídia como prova do sucesso das privatizações de Tarcísio.
Antes disso, uma análise técnica da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) apontou um “movimento orquestrado” entre Tanure, o Banco Master e Tércio Borlenghi Junior (controlador da Ambipar) com o objetivo de elevar o preço das ações da Ambipar. Essa valorização favoreceu a constituição da garantia (ações da Ambipar) para o financiamento da aquisição do controle da EMAE, que foi de cerca de R$ 1 bilhão, por 30% de seu capital. Ou seja, um golpe – da valorização artificial da Ambipar – garantiu a compra do controle da EMAE.
Tanure assumiu o controle da EMAE em outubro de 2024. Imediatamente tratou de se apossar do caixa da companhia
* Em fevereiro de 2025, a EMAE fez um empréstimo de R$ 10 milhões para a Sociedade Milos de Participações, apontada como controlada indiretamente por Tanure.
* Depois, anunciou um investimento de R$ 250,4 milhões em títulos de dívida da Light S.A., empresa que tem Tanure como um dos grandes acionistas.
Antes da privatização, a EMAE tinha R$ 400 milhões em caixa. Um ano depois, o caixa estava zerado.
Em setembro de 2025, o Fundo Phoenix não pagou a primeira parcela de remuneração das debêntures. A Vórtx Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, agente fiduciário dos credores da EMAE, moveu ação judicial acusando Tanure de esvaziar o caixa da companhia.
Como consequência, os credores (Fundo Macadâmia/XP e Vórtx) decretaram a execução antecipada da dívida de R$ 520 milhões, financiados por debêntures, executando as garantias. O controle da empresa acabou sendo adquirido pela Sabesp por R$ 1,13 bilhão.
A EMAE é considerada uma empresa estratégica para o estado de São Paulo, atuando no sistema hídrico e na geração de energia, incluindo as usinas de Henry Borden e os reservatórios Billings e Guarapiranga.
Eletrobras: O Caso da Influência Desproporcional
A privatização da Eletrobras em 2022 reduziu a participação da União de 65% para 43%, mas com poder de voto limitado a 10%. A 3G Radar, com apenas 1,3% do capital, passou a influenciar decisões estratégicas. A modelagem da privatização foi criticada por permitir que minoritários exercessem controle efetivo, sem contrapartida proporcional de responsabilidade ou investimento.
Sabesp: Valorização Rápida, Crise Hídrica Lenta
A Equatorial Energia tornou-se investidora de referência da Sabesp com apenas 15% das ações, adquiridas por R$ 6,9 bilhões. A valorização de 130% das ações foi celebrada como sucesso, mas a crise hídrica de 2025 expôs fragilidades: redução de pressão em áreas periféricas, dificuldade de resposta emergencial e dúvidas sobre a priorização do lucro frente ao bem-estar coletivo.
🔍 Comparativo dos Casos
| Empresa | Participação no Controle | Valor da Aquisição | Impacto Estratégico |
| EMAE | 30% | R$ 1 bilhão | Esgotamento de caixa, judicialização |
| Eletrobras | 1,3% | R$ 33,7 bilhões | Redução do poder estatal |
| Sabesp | 15% | R$ 6,9 bilhões | Crise hídrica, desigualdade regional |
Reflexões Finais
A privatização, quando feita com transparência, planejamento e foco no interesse público, pode ser uma ferramenta legítima de modernização. No entanto, os casos recentes no Brasil mostram que o modelo adotado tem favorecido grupos financeiros em detrimento da sociedade. O controle com participação minoritária, aliado à fragilidade regulatória, tem permitido práticas que comprometem a sustentabilidade dos serviços públicos.
Rui Ribeiro
28 de outubro de 2025 8:09 amTarcísio é Bostonarista. Não há muito o que se esperar de um Bostonarista, exceto fezes.
“Inocentes mortos
‘Papai tá aonde?’: quem eram os 2 mortos em GUERRA de facções no Rio”
https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2025/10/28/quem-eram-os-2-mortos-em-guerra-de-faccoes-em-costa-barros-papai-ta-aonde-perguntou-filho-de-vitima-ao-avo.ghtml
“Se morrer alguns inocentes, tudo bem. Em toda GUERRA morre inocente”. – Jair Bostonaro
Esperar o que do Bostonaro e dos Bostonaristas?
Giuliano
21 de novembro de 2025 9:50 pmGrande CEO este Tarcísio, nao sai dos corredores dos Bancos na Faria Lima, acho só para aproveitar e tomar um cafezinho.
Luiz
28 de outubro de 2025 1:47 pmO site/portal parece com defeito (monte de letrinhas e números) quando se acessa. Muita dificuldade para chegar até aqui. Problemas com banco de dados? Certamente você e o seu pessoal desconheça a situação.
Georges
29 de outubro de 2025 12:13 amPolíticos tornaram- se meros estelionatários nessa terra. Moral e vergonha na cara, o resto que ainda existia, se acabou. Viramos um imenso mercado de peixes, só que são apenas de peixes podres.
Luis Carlos Ferraro
29 de outubro de 2025 8:00 amE muito fácil vc sentado no escritório com ar condicionado
com Palmilhas prontas do ocorrido, e possível mente
O que ocorrerá no futuro.E fácil vc defender uma ideologia, sua vontade de ver,vontade de ver principalmente seus ganhos
De Coração gostaria muito se o senhor com sua inteligência,
conhecimentos, ideologias,
teria coragem de fazer suas análises comparativas e de preferência presencial. sem só pensar em um lado
Vc fala de Sabesp , ok vamos falar de água , pura na torneira e esgoto tratado.
E fácil vc pegar está empresa debruçar em seus dados e junto com os sindicalistas fazer suas críticas.
Faça hoje começa agora
Vamos falar dos últimos 20 anos
faça um comparativo
O que a Sabesp fez sendo uma sociedade mista até.
Com o atual governo, e sindicatos de caminhão pipa
sindicatos de todos os outros nomes.
São 7.300 dias para vc debruçar e analisar friamente e nos apresentar o que o certo
Por favor verifique o que e possível fazer em 7.300 dias
E pelo visto todos querem inclusive o povo quer que fica do mesmo jeitinho.
Se seca existe a milhares de anos
Tem povo que construíram
Pirâmides em deserto
Tem gente que vive a milhares de anos em terra secas.
Nós no Nordeste tem abundância de água para acabar com esta compra de votos que é a seca.
Faça um favorzinho ao povo Brasileiro. Faça sua parte certa e com justiça.
E com certeza será mais informativo e o Sr e capaz
EDUARDO
6 de novembro de 2025 8:13 amFalou nada com nada, apresente dados concretos em vez de mímimi.
ANTONIO RAIMUNDO CHAGAS MAGALHÃES
29 de outubro de 2025 9:02 amOs Correios não foram privatizados. Prestam, também, serviços públicos e estão aí sendo roubados dia sim, dia sim. Na mão do governo só, somente só, saúde, educação e segurança. Nada mais.
Rui Ribeiro
30 de outubro de 2025 9:16 amA Vale foi privatizada. A população de Brumadinho agradece.
O que a humanidade precisa não é de privatização é de desprivatização, nós precisamos é socializar os meios de produção
José Machado
30 de outubro de 2025 4:05 pmTirem todas empresas públicas do mercado financeiro.
Fechem o capital de todas.
E coloquem longe desses bandidos do mercado financeiro.
EDUARDO
6 de novembro de 2025 8:10 amAbsurdo aceitarem ações nesse tipo de negócio, rapinagem total, ou seja o cara pagou na SMAE apenas 30% do valor mínimo depois zerou o caixa da empresa ou seja ficou de graça e ainda embolsou cerca de 100 milhões , isso não eh golpe e onde entra o Paulo Guedes e o MP nessas histórias ?