12 de junho de 2026

Falhou a tentativa do Nubank de mudar a sede para Abu Dhabi, por Luís Nassif

Em abril de 2026, o Nubank anunciou publicamente que instalaria uma "sede global" no Abu Dhabi Global Market, em parceria com o Wio Bank.
Reprodução

Nubank tentou mudar sede global para Abu Dhabi, mas o Federal Reserve dos EUA vetou a mudança em 2026.
A decisão do Fed contrasta com aprovação do Banco Central brasileiro, influenciado por Roberto Campos Neto.
Projeto de mudança parou no planejamento interno; Nubank mantém narrativa pública positiva e sem comunicados oficiais.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

A tentativa do Nubank de mudar sua sede global para Abu Dhabi Global Market (ADGM) falhou. Foi vetada pelo FED (o Banco Central norte-americano). No Brasil, houve a aprovação do Banco Central, demonstrando a incrível influência que Roberto Campos Neto, vice-presidente do Nubank e ex-presidente do BC, ainda tem sobre a instituição.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Em abril de 2026, o Nubank anunciou publicamente que instalaria uma “sede global” no Abu Dhabi Global Market (ADGM), em parceria com o Wio Bank. A reunião desse acordo ocorreu com a presença do CEO David Vélez, de Roberto Campos Neto (Vice-Chairman) e Guilherme Lago (CFO), juntamente com o príncipe herdeiro Sheikh Khaled bin Mohamed bin Zayed.

Um dia após o anúncio da sede nos Emirados Árabes (7 de abril), o Nubank protocolou seu formulário 20-F na SEC (8 de abril de 2026), e o documento ainda listava as Ilhas Cayman como seu domicílio oficial

A mudança para Abu Dhabi não se deveu a nenhuma estratégia de expansão triunfante para a região do Oriente Médio e Norte da África. Foi uma escolha alternativa, após rejeição da Suíça, Luxemburgo e Gibraltar.

O que o Nubank precisava era um domicílio que reunisse três coisas ao mesmo tempo: reputação limpa perante o regulador americano, acomodação de cripto, e acesso de mercado relevante — e que absorvesse a redomiciliação de um grupo bancário latino-americano de controlador offshore com substância suficiente. 

Cada candidato falhou em pelo menos um eixo: Luxemburgo trava na substância e na disposição da UE de ser supervisor consolidado; a Suíça não dá acesso à UE nem resolve os EUA; Gibraltar não tem escala/credibilidade nem passaporte europeu. E nenhum dos três resolvia o problema de fundo — controlador offshore para um banco de custódia cripto nos EUA.

Os Emirados Árabes fazem sentido estratégico para produtos envolvendo criptomoedas, pois a FSRA (Financial Services Regulatory Authority — o regulador financeiro independente do ADGM, o centro financeiro de Abu Dhabi.) pioneiramente atualizou suas diretrizes para ativos virtuais em março de 2026. O Nubank também tem interesse nessa área nos EUA, tendo recebido em janeiro de 2026 do OCC (regulador americano) uma aprovação para atividades que incluem custódia de ativos digitais.

Para validar a operação, seria necessária a autorização dos reguladores brasileiro (BCB), mexicano (Banxico) e estadunidense (Fed/OCC). Após meses de trabalho, a autoridade estadunidense vetou fortemente a ideia do domicílio ser nos Emirados.

Esse veto seria o motivo do recuo em junho de 2026, forçando o Nubank a abandonar a ideia de usar Abu Dhabi como domicílio oficial e passar a considerar fixar seu domicílio de volta no Brasil.

Como o Nubank adquiriu recentemente um charter (licença) para operar um banco nacional nos EUA, a controladora estrangeira do grupo (a Nu Holdings) passa a se enquadrar nas regras do Bank Holding Company Act, sob o regime de organizações bancárias estrangeiras (foreign banking organization), sendo supervisionada diretamente pelo Federal Reserve (Fed). Mover o domicílio dessa controladora para os Emirados Árabes Unidos em paralelo ao controle de um banco americano é apontado como exatamente o tipo de manobra estrutural que faria o Fed e o OCC objetarem. Não o Banco Central brasileiro.

Até o momento, o Nubank não disse absolutamente nada publicamente sobre um recuo ou sobre o fracasso na tentativa de mudar seu domicílio bancário.

Não existe nenhum reporte público, comunicado a investidores, ata de conselho ou arquivamento oficial (como os formulários 20-F ou 6-K na SEC) que mencione o veto das autoridades dos EUA ou a decisão de abandonar o projeto agora em junho.

Pelo contrário, a narrativa pública oficial mantida pela empresa é exclusivamente “triunfal, descrevendo o movimento apenas como uma expansão estratégica para a região do Oriente Médio e Norte da África e a inauguração de uma “sede global” corporativa.

A investigação documental aponta uma “lógica do silêncio” que explica essa falta de comunicados: como a redomiciliação de uma empresa listada em bolsa exigiria obrigatoriamente a aprovação e o voto dos acionistas, a ausência de convocações públicas sugere que o projeto de mudança de domicílio pode ter travado no nível de planejamento interno, sem nunca ter chegado oficialmente à mesa do conselho de administração (board) para votação. 

LEIA TAMBÉM:

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados