21 de maio de 2026

As oportunidades na construção de ferrovias ultrarrápidas, por Luís Nassif

Construção de ferrovias movimentaria setores importantes de nossa economia, permitindo, ainda, complementar as grandes rotas transoceânicas
Freepik

Agora que o país está retomando tradição do planejamento, há um tema que poderá se transformar rapidamente em ponto de partida para a reindustrialização. Trata-se da construção de ferrovias super-rápidas, capazes não só de ligar grandes centros – como São Paulo-Rio de Janeiro- como rasgar o país de norte a sul e, especialmente, permitir complementar as grandes rotas transoceânicas, as obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), tocadas pelo Ministério de Orçamento e Planejamento.

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Aqui, um levantamento dos setores envolvidos em obras desse vulto.

1. Engenharia e Construção Civil:

 * Empresas de construção pesada: Responsáveis pela terraplanagem, escavações, túneis, viadutos, pontes e outras obras de arte necessárias para o leito da ferrovia.

 * Empresas de pavimentação: Encarregadas da construção da superestrutura da via, incluindo a colocação de balastro, dormentes e fixadores.

 * Empresas de fabricação de materiais de construção: Fornecem cimento, aço, agregados, concreto e outros materiais essenciais.

 * Escritórios de engenharia e consultoria: Realizam estudos de viabilidade, projetos executivos, supervisão de obras e gerenciamento de projetos.

 * Empresas de topografia e geotecnia: Responsáveis pelos levantamentos topográficos, estudos do solo e estabilidade de taludes.

2. Indústria Ferroviária:

 * Fabricantes de material rodante: Produção interna dos trens de alta velocidade, incluindo locomotivas (se aplicável), carros de passageiros e seus componentes (bogies, sistemas de freio, etc.).

 * Fabricantes de trilhos e AMVs (Aparelhos de Mudança de Via): Fornecem os trilhos de alta precisão e os equipamentos que permitem a mudança de rota dos trens.

 * Fabricantes de sistemas de sinalização e controle: Desenvolvem e instalam os sistemas eletrônicos e de comunicação que garantem a segurança e o controle do tráfego ferroviário em alta velocidade (ex: CBTC, ERTMS).

 * Fabricantes de sistemas de eletrificação: Responsáveis pela instalação da catenária (rede aérea) ou do terceiro trilho, além das subestações de energia.

 * Fornecedores de componentes ferroviários: Produzem diversos itens como fixadores de trilhos, isoladores, sistemas de portas, janelas, assentos, etc.

3. Tecnologia e Telecomunicações:

 * Empresas de tecnologia da informação (TI): Desenvolvem softwares para controle de tráfego, sistemas de informação aos passageiros, bilhetagem eletrônica e gestão da manutenção.

 * Empresas de telecomunicações: Instalam e mantêm as redes de comunicação necessárias para a operação segura e eficiente da ferrovia.

4. Energia:

 * Empresas de geração e transmissão de energia: Fornecem a eletricidade necessária para a operação dos trens e dos sistemas auxiliares da ferrovia.

5. Serviços:

 * Empresas de consultoria ambiental: Realizam estudos de impacto ambiental e propõem medidas mitigatórias.

 * Empresas de segurança: Responsáveis pela segurança das obras e da futura operação da ferrovia.

 * Empresas de logística e transporte: Transportam os materiais e equipamentos necessários para a construção.

6. Outros Setores:

 * Indústria de alumínio e aço: Fornece materiais para a fabricação dos trens e da infraestrutura.

 * Indústria de vidro e plásticos: Produz componentes para os trens.

 * Setor imobiliário: Pode ser impactado pela construção de novas estações e pelo desenvolvimento urbano ao longo da ferrovia.

 * Setor de turismo: A ferrovia de alta velocidade pode impulsionar o turismo nas regiões conectadas.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
luis.nassif@gmail.com

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21 Comentários
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  1. Aurélio Medina Dubois

    16 de maio de 2025 9:40 am

    A ministra Simone Tebet proclamou num vídeo: “O governo não tem dinheiro para investir em ferrovias. É muito caro.”
    Esperar pela incensada “iniciativa privada” tupiniquim, é esperar sentado.
    Além das obras em andamento – Transnordestina, FIOL, Ferrogrão – sujeitas a idas e vindas, só nos resta negociar com os chineses a construção da ferrovia bioceânica para nos conectar ao porto de Chancay no Perú.
    Afinal, este superporto, construído pelos chineses, com dinheiro chinês, administrado por chineses da COSCO não foi inaugurado, recentemente, para exportar produtos do Perú, Equador, Venezuela e Bolívia.
    Mais informações em: Dilma: “Xi Jinping disse que vai fazer” a ferrovia bioceânica entre Brasil e Pacífico.
    https://www.brasil247.com/americalatina/dilma-xi-jinping-disse-que-vai-fazer-a-ferrovia-bioceanica-entre-brasil-e-pacifico

  2. ERNESTO

    16 de maio de 2025 11:57 am

    Claro, claríssimo que nessa perdemos feio o trem da história. 60 anos de destruição e não renovação do sistema ferroviário não é pouca coisa não. Vitória do lobby rodoviário, aí incluída uma maioria de multinacionais fabricantes de veículos, que vivem há muito de chantagear com fechamento de fábricas, governos frágeis e pouco empenhados em reverter essa carência absurda e sem sentido, dada nossa dimensão continental. Dívida histórica com a população, o meio ambiente e um futuro decente. Como a matéria explicita, trata-se de um potente indutor econômico. Sim, a indústria automobilística é grande geradora de empregos, mas já se calculou o potencial da ferroviária? Que se leve em conta isso antes de correr pra subsidiar automóveis, antes de, por exemplo, ressuscitar uma Mafersa. E sem essa de só se pensar em carga, o transporte de passageiros é a alma de qualquer ramal que se pretenda duradouro.

    1. Marco Antônio Cabral

      24 de maio de 2025 10:50 am

      Falou tudo

  3. Fábio de Oliveira Ribeiro

    16 de maio de 2025 12:11 pm

    A macacada da bunda branca da Faria Lima odeia qualquer coisa que signifique desenvolvimento e industrialização, porque essas duas coisas podem eventualmente prejudicar a principal fonte de renda dela: a taxa de juros que permite bombear mais e mais dinheiro público para bolsos privados. O amor do mercado pelo dinheiro fácil sem risco equivale ao ódio que os farialimers e os canetas deles vomitam diariamente contra governos legitimamente democráticos e comprometidos com os interesses de longo prazo do país e da população brasileira. Essa guerra civil sem tiros quase se transformou num golpe de estado com milhares de mortos. Após o terrorismo generalizado em Brasília imprensa girou nos calcanhares e deu as costas ao bolsonarismo. Mas isso já é coisa do passado. Agora os jornalões querem salvar Bolsonaro para que ele possa concorrer e derrotar Lula ou, no mínimo, eleger um Congresso igual ou pior do que nós estamos vendo. Sem coragem de meter o pé na goela dessa gente para reduzir o poder econômico que eles conquistaram (e do qual eles abusam) não tem jeito. Lula deveria desafiar o sistema neolineral, jogar a população contra essa gente. A melhor forma de fazer isso seria dobrar o salário mínimo.

  4. Paulo Dantas

    16 de maio de 2025 12:43 pm

    O problema é o próximo(a) cabloco(a) querer tocar o projeto.

    Mesmo sendo Lula a coisa pode mudar pois cada governo começa o país do zero.

  5. evandro

    16 de maio de 2025 1:43 pm

    Me desculpe, mas há momentos que o Nassif parece ter uma inocência de Poliana. Tenho certeza absoluta que sabe perfeitamente o que são os contratos de concessão para construção de ferrovias, e, fora os imbróglios naturais das contestações que acabam parando nos tribunais e demoram um pouquinho para serem resolvidos, não podemos esquecer os embates que surgem com órgãos ligados ao Ministério de Meio Ambiente.
    Claro que estou me dispensando de falar nos projetos que nem chegam a ser antes projetos.
    Finalmente, para lembrar, o que temos do trem de alta velocidade entre Rio e SP? Além da empresa criada, é claro.

    1. URBANO THEOBALDO MERTZ

      16 de maio de 2025 2:42 pm

      Lembrar que o Serra se gabou numa palestra de ter abortado o projeto do govenro Dilma, de construir um trem de alta velocidade entre São Paulo e Rio.

      1. ERNESTO

        17 de maio de 2025 12:18 am

        A pérola do viralatismo era: “quem somos nós pra ter trem de alta velocidade?”, sob o argumento de que os de velocidade ‘normal’, teriam um custo tem menor. Imagina se metrópoles da dimensão do Rio e de São Paulo mereceriam tamanha modernidade…

  6. Carlos

    16 de maio de 2025 2:03 pm

    Prezados,na boa: acham que os atuais barões rodoviários permitiriam interligar o país por ferrovias?
    Isso sem contar o crime. Muito mais difícil fiscalizar rodovias que ferrovias. A boiada dos parças passa mole de caminhão.

    1. Cassiano Simões

      16 de maio de 2025 8:02 pm

      Se alguém se dispõe a governar pelo medo, felizmente esse não é o Lula.

  7. URBANO THEOBALDO MERTZ

    16 de maio de 2025 2:39 pm

    Resta saber o quanto de material, mão-de-obra e mão de obra chinesa, especializada de engenharia, vem junto com os investimentos. Muito importante a parceria, mas o Brasil também precisa mobilizar e garantir que estes investimentos se dêem com nossas indústrias, mão de obra, universidades, pesquisadores, etc. O que temos visto é que os chineses costumam investir nos países com pacote fechado.

  8. grevista

    16 de maio de 2025 2:58 pm

    Até hoje há, em BH, os túneis feitos nas obras da antiga Ferrovia do Aço, que seria construída em mil dias, segundo o ministro dos transportes da época (Andreazza, provável). Quantas vidas teriam sido poupadas se houvesse transporte ferroviário entre BH, Rio, SP e Brasília? Para mais, na síntese de Nassif, as vias férreas são fatores de desenvolvimento tecnológico, muito mais que as rodovias. Novamente, em BH, até o início dos anos 80, havia ligações ferroviária entre BH, Sabará, Rio Acima, Raposos, Contagem, Betim, e vários outros municípios do entorno da região metropolitana. Em BH, ia-se ao Barreiro de trem. Andamos para trás com o fim da RFFSA.

  9. João

    16 de maio de 2025 4:14 pm

    não atualizar a taxa de desemprego
    alguma pessoa não se atreve a melhorar
    você não tem sabedoria para isto
    você quer impor uma vontade
    Ironizar
    taxa de desocupação
    o ambulante é um desocupado
    cracolândia
    você sabe o que foi a cracolândia
    desvio de recursos públicos
    atualizar a taxa de desemprego pode ter implicação significativo
    desarranjar

  10. JOTARAILWAISBR

    16 de maio de 2025 4:23 pm

    Nassif quando criança as embalagens vazias de Leite eu fingia q era trem me divertia pra caramba por isso tenho essa mente muito imaginativa e o cérebro na escala Richter dwz(quando quero)!!!Obs.:Quase sai rscrito Rolirais !!!

  11. José de Almeida Bispo

    16 de maio de 2025 5:30 pm

    Só viajei de trem uma vez na vida.
    Em 2011, tomei o trem da Vale, de Belo Horizonte até Governador Valadares. O suficiente pra me perguntar porque o brasileiro trocou o trem, seguro e confortável pelo ônibus, barulhento, instável o tempo todo, e naturalmente mais caro, especialmente para os percursos acima de 50 quilômetros. E, em se falando de automóveis, aí é que a irracionalidade campeia.
    De uma coisa é certa: não adianta investir em auto estradas que vão ficar obsoletas em 20 anos ou menos.
    Trens carregando gente, cargas e veículos automóveis e de utilitários de cargas, fica muito mais barato, rápido e prático.

  12. Wlad

    16 de maio de 2025 6:51 pm

    Caro Nassif…saudades da nossa grande COBRASMA que ficava em Osasco…quando se fala em ferrovia, tudo foi destruido pela financeirização e interesses externos

  13. Victor Lima

    16 de maio de 2025 7:05 pm

    O “Agro Negocio”, joia da coroa da direita neo liberal, só funciona às custas de subsídios e renuncias fiscais (gerando cada vez menos empregos por conta da Tecnologia embarcada). Por qual motivo teríamos como justificar investimentos públicos em modais de alto desempenho se não conseguimos fazer os trens urbanos das maiores cidades brasileiras servirem a seus usuários nem a poder de privatizações que fariam qualquer país sério a construir novas penitenciárias? “Agora que o país está retomando tradição do planejamento” – Hahahahaha, com a douta Simone Tebet no leme dessa caravela? Francamente…

  14. Abetd

    17 de maio de 2025 1:47 pm

    Isso é fetiche, na moral. Brasil precisa de linhas tradicionais, com trens de carga para todas as regiões. Um trem de alta velocidade Rio-SP seria bem-vindo, claro, mas cortar o país com trens de alta velocidade que vai custas 5 mil para ir de natal até porto alegre?
    Precisamos de malha ferroviária em todos os municípios com mais de 100.000 habitantes, isso que desenvolve um país. Depois que gasolina e produtos no mercado do MT e de RO fiquem com os preços de países costeiros, aí podemos começar a fazer linhas de alta velocidade!

    1. ERNESTO

      18 de maio de 2025 1:19 am

      De acordo, mas com todo respeito à premissa de que todo planejamento decente obedece prioridades, a verdade é que temos tido grana pra fetiches bem menos proveitosos. E estaremos longe de superar o atraso ciclópico do qual somos vítimas, condicionando tudo a etapas que se acredita anteceder determinados projetos.

  15. Carioca

    18 de maio de 2025 4:00 pm

    Bem vindos ao século XIX …

  16. Herman Augusto Lepikson

    18 de maio de 2025 5:19 pm

    Em 2007, graças a uma profícua cooperação acadêmica com universidades alemãs, tive oportunidade de conhecer, e embarcar, no primeiro protótipo de Maglev (trem que trafega sem rodas, por levitação magnética, a 500 km/h), orgulho alemão. Uma única unidade desse trem foi desde então vendida pelos alemães, para a China. Hoje, quem for à China terá oportunidade de viajar em vários desses Maglev, “made in China”, evolução do conceito alemão.
    Nós já tivemos uma indústria ferroviária forte. Agora, se queremos reindustrializar o Brasil, que pelo menos aprendamos a copiar o modelo Chinês. E o setor ferroviário, como bem colocado na reportagem, é providencial e estratégico. Mas “made in Brasil”!

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