21 de maio de 2026

O CEO da BlackRock e o capitalismo da destruição

Em Davos, discurso de Larry Flink, na abertura, alertou para as ameaças embutidas na Inteligência Artificial para liquidação de empregos.
Larry Flink - Reprodução

Em Davos, primeiro-ministro do Canadá criticou Donald Trump e defendeu frente global contra o expansionismo dos EUA.
Larry Fink, CEO da BlackRock, alertou para riscos da IA, destacando desemprego e concentração de riqueza crescente.
Fink e Nobel Geoffrey Hinton preveem desemprego em massa e aumento da desigualdade com avanço da IA no mercado.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Em Davos, o centro das atenções foi o discurso do primeiro ministro do Canadá, firmando posição contra a ofensiva de Donald Trump e avançando na formação de uma frente global contra o expansionismo norte-americano.

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Por isso mesmo, passou meio em branco o discurso de Larry Flink, CEO da BlackRock – a maior gestora de recursos do planeta – na abertura, alertando para as ameaças que a Inteligência Artificial embute, com a liquidação de empregos, deixando para trás a maior parte da população mundial.

“Desde a queda do Muro de Berlim, mais riqueza foi criada do que em qualquer outro momento da história da humanidade, mas, nas economias avançadas, essa riqueza se acumulou em uma parcela muito menor da população do que qualquer sociedade saudável pode sustentar a longo prazo”, disse Fink.

Agora, a implementação da IA pode ser o golpe final.

“Os primeiros benefícios estão sendo aproveitados pelos proprietários dos modelos, dos dados e da infraestrutura”, disse Fink. “A questão em aberto é: o que acontecerá com todos os outros se a IA fizer aos trabalhadores de escritório o que a globalização fez aos operários? Precisamos enfrentar isso diretamente hoje. Não se trata do futuro. O futuro é agora.” 

Em agosto de 2025, Flink foi nomeado presidente interino do Forum Econômico Mundial, depois que Klaus Schwab, fundador e presidente executivo, foi afastado, apontado de ter gasto mais de US$ 1 milhão da organização em despesas questionáveis, além de acusações de má conduta no trabalho e manipulação de relatórios de pesquisa.

No ano passado, um grupo de 34 ações de IA teve uma valorização de 50,8%. Segundo o Índice de Bilionários da Bloomberg, os 50 americanos mais ricos tiveram um aumento médio de US$ 10 bilhões no patrimônio líquido.

Flink apontou que essa riqueza tornou uma economia em forma de K, onde os ricos ficam cada vez mais ricos, e os pobres cada vez mais apertados. De acordo com dados do Federal Reserve, a população mais pobre, cerca de 165 milhões de pessoas, detém cerca de 1% da riqueza do mercado de ações. Por outro lado, o 1% mais rico das famílias detém quase 50% do capital corporativo.

Segundo matéria da Fortune, o vencedor do Premio Nobel e “padrinho do IA”, Geoffrey Hinton, previu que a explosão de riquezas do IA se fará às custas dos trabalhadores de escritório, que serão substituídos pela tecnologia.

“O que realmente vai acontecer é que os ricos vão usar IA para substituir trabalhadores”, disse Hinton em setembro. “Isso vai gerar desemprego em massa e um aumento enorme nos lucros. Vai deixar algumas pessoas muito mais ricas e a maioria mais pobre. A culpa não é da IA, mas sim do sistema capitalista.”

É curiosa essa gana em desempregar. No início de 2023, a empresa de software empresarial, Ignite Tech, demitiu quase 80% de sua equipe.

King encerrou com uma demonstração de fé:

“Agora, com abstrações sobre os empregos do futuro, mas com um plano crível para ampla participação nesses ganhos, este será o teste. O capitalismo pode evoluir para transformar mais pessoas em protagonistas do crescimento, em vez de meros espectadores assistindo a ele acontecer.”

E foi dormir tranquilo, sabendo que suas predições jamais serão concretizadas.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
luis.nassif@gmail.com

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  1. Antonio Uchoa Neto

    21 de janeiro de 2026 11:04 am

    O problema, em minha visão de leigo, é a convergência de duas ‘virtualizações’, que vão se somar à virtualização financeira: a virtualização do trabalho, em todos os níveis, braçal e administrativo – já em curso acelerado, e a virtualização da mercadoria. A produção de mercadorias físicas, concretas, tangíveis, difere da produção de mercadoria virtual. Um celular, um Ipod, reúnem uma centena de aparelhos, objetos, dispositivos, que anteriormente tinham existência autônoma, particular. Em outras palavras, exigiam uma quantidade muito grande de trabalhadores, especializados ou não, para sua confecção, e, consequentemente, um universo bastante amplo para extração de mais-valia; o número desses trabalhadores reduziu-se drasticamente, e a tendência é reduzir-se ainda mais. Se a mais-valia era a essência da acumulação, hoje está reduzida a um detalhe da produção, e rumo à extinção enquanto etapa do funcionamento do capitalismo. O que se está acumulando, hoje, é, igualmente um capital virtual. Se Elon Musk tem uma fortuna de 700 bilhões de dólares, para representá-la monetariamente seriam necessárias 7 milhões de notas de 100 dólares – o que é um rematado absurdo. Mas o que é apenas virtual se expressa, concretamente, em bens móveis e imóveis. E um celular, um Iphone, hoje, contém televisão, rádio, jornal, internet, calculadora, dispositivos para executar música, video, enfim, são muitas coisas para enumerar, aqui. Consulte o menu de seu aparelho. E toda essa gente que era necessária para fabricar essas coisas (e bussolas, relógios, cronômetros, enfim, uma infinidade de coisas) não é mais necessária. Um celular é, basicamente, uma placa, plástico, tela, e alguns elementos da tabela periódica contidos em minérios. Uma linha de produção reduzida – linha de montagem, melhor dizendo, pois trata-se apenas da fase de acabamento do produto – é o bastante para produzir um. Os restantes trabalhadores são elementos altamente qualificados (engenheiros, designers, etc.), somente formados por países que destinam verbas significativas para pesquisa e desenvolvimento, permanecendo nós, aqui no terceiro mundo, como meros fornecedores de matéria-prima – empregando apenas trabalho braçal. E não duvido nada que, no futuro, mesmos esses minérios possam ser sintetizados em laboratório, diminuindo ainda mais a necessidade de mão-de-obra para extração. Aquela porção da humanidade que depende de vender a própria força de trabalho será inútil, e, consequentemente, um estorvo a ser eliminado, ao menor custo possível. Já escrevi isso diversas vezes, aqui no GGN. E continuo escrevendo as mesmas coisas. Não sei até quando.

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