O velho guerreiro da Constituinte anda desanimado com o país. Assiste o fim da geração da redemocratização e não vê nada que a substitua.
Na Constituinte, havia princípios forjados a ferro e fogo na luta pela democracia. Saía-se de um regime militar desenvolvimentista e tinha-se, pela frente, dois partidos desenvolvimentistas e democráticos: o PSDB, que nasceu das entranhas dos autênticos do MDB, e o PT.
O Real foi o primeiro golpe, ao instituir definitivamente o neoliberalismo mais escarrado, desmontando a máquina pública com a mesma falta de estratégia da União Soviética. Depois, foi desminlunguindo, especialmente quando assumiram a liderança José Serra e Aécio Neves.
Por seu lado, o PT tinha Lula e um projeto social, mas não um projeto de desenvolvimento. Foi massacrado pelo mensalão e pela Lava Jato e, também pela burocratização dos tempos políticos atuais.
Agora, só tem Lula, que parece ter ligado o f….-se, tais as dificuldades do novo modelo de governabilidade. As sucessivas concessões ao Centrão criaram um monstro indomável, desde a posse de Temer, crescendo mais ainda sob a incomptência do governo militar de Jair Bolsonaro.
Lula demorou para perceber os novos tempos, diz ele. Agora, quem comanda o governo e comanda os partidos é a Câmara Federal e a bancada de deputados. Todo esforço partidário se concentra em deputados, porque é a porta de entrada para os fundos partidários.
Com isso, houve a burocratização total, não apenas no âmbito federal como dos estados e municípios e não apenas do centrão, mas do próprio PT. Em Belo Horizonte, por exemplo, o único candidato com possibilidades é Paulo Brandt, do PSB. Mas não é aceito pelo PT porque os deputados necessitam de candidatos vereadores para ajudar a dar musculatura para suas candidaturas. Enquanto isto, florescem por todo o país movimentos sociais, dinâmicos, fora do alcance dos partidos.
Em Brasilia, o governo está uma bagunça. Todos os governos, pós redemocratização, tinham na Casa Civil seu ponto de organização, ajudando a botar ordem na casa e a dar efetividade para as ordens do presidente. Fernando Henrique Cardoso teve Clóvis Carvalho e Pedro Parente; Lula teve José Dirceu e Dilma. Hoje em dia, há enorme dificuldade para Rui Costa dar conta do recado, ampliando a desordem de um governo de coalisão.
O pior é mais à frente, diz ele. A única liderança existente é Lula. Não se formaram quadros, não se ampliaram as alianças e, principalmente, não se definiu um plano de desenvolvimento, capaz de sensibilizar corações e mentes. E tudo isso em uma quadra em que o Centrão se tornou uma piranha insaciável, que quer a cada dia ampliar seu poder.]
Agora que Lula está de volta da bem sucedida ofensiva diplomática, é hora de se debruçar sobre o país, para se saber se ele ainda tem a gana histórica ou se as pedras no caminho tiraram seu ânimo.
Sergio Navas
21 de setembro de 2023 8:21 amAs pedras no caminho começam pelo setor Siderúrgico, especialmente após as privatizações das Siderúrgicas estatais. Setor que é um dos maiores responsaveis pela desindustrialização do País.
+almeida
21 de setembro de 2023 8:42 amE bota gana nessa torcida. Lula, diferente de Ulisses e Brizola, não tem substituto a altura e os progressistas estarão órfãos, assim que Lula deixar a política. Infelizmente o quadro que se desenha é tenebroso para a esquerda e para tentar reverter essa visão apocalíptica, os partidos progressistas mais que nunca precisarão de compor uma união jamais realizada. A própria direita não mais terá vida própria, sem que exista uma esquerda atuante, e só quem conseguirá surfar nesse tenebroso mar de tormentas e desesperos são os inimigos da democracia. Para a esquerda será uma pura questão de sobrevivência política, e para não dar mais vantagem ao adversário tem que iniciar, desde já, um amplo alinhamento progressista para se rascunhar imediatamente um detalhado e organizado projeto, para 2026.
Um garimpo bem minucioso e imune aos interesses pessoais de quem quer que seja, tem deve passar ao largo desse importante trabalho a ser realizado. A política deve esse sacrifício a população e ao país, e a esquerda progressista deve assumir o leme e liderar essa epopéia política, para o bem de todos.
Abelardo Barbosa
21 de setembro de 2023 11:54 amPerdão pela ignorância, mas quem seria o velho guerreiro além do chacrinha?
Wanderson Brum
21 de setembro de 2023 3:01 pmNesta esteira, ainda que com suas limitações surge Flavio Dino, que não é do PT, mas que pode encabeçar um projeto proressista, mas os gênios de plantão, parece que só de birra para não indicar uma mulher negra, postulam ele para essa vaga, quando seria mais interessante como sucessor, mas ahh, há os que sonham com Haddad… O perigo e acordarmos desse sonho com um congêre de Bolsonaro no planalto, mas sem a sua baixeza explicita e sagacidade de trombadinha.
José Carvalho
21 de setembro de 2023 3:51 pmA democracia tem na aproximação das participações das camadas da sociedade, -nessa complicada luta de classes-, aos centros decisórios e de debates sobre os temas mais importantes e relevantes à perpetuação do País, sua mais significativa razão de ser. No formato representativo, a sociedade passa a fazer parte por meio das formas de representação do ESTADO/NAÇÃO. Fazendo parte da burocracia do Estado nas suas divisões de poder. Participando dentro de tais medidas da organização do ESTADO/NAÇÃO: Judiciário, Legislativo e Executivo. O Brasil criou uma Constituição Cidadã, atribuindo direitos aos cidadãos brasileiros. Só se esqueceu de garantir o acesso da sociedade ao efetivo direito de fazer parte do destino do País. A sociedade brasileira não está e nem se vê representada no âmbito das tomadas de decisão. Criou-se uma espécie de plutocracia no País. Um grupo se apoderou das esferas de poder, impedindo a criação e a renovação de líderes com vocação para as atividades e responsabilidades públicas. Possuem na prática o controle do Brasil. Reduzem o debate e limitam as opiniões, não admitem o contraditório. É o País que faz acordos, que dá os “jeitinhos”. Esse poder antidemocrático altamente concentrado é a plataforma das chantagens que destrói as Instituições, mantendo essa contínua crise institucional que foi piorada com o ponto final dado ao governo Dilma Rousseff. O exercício democrático é dotado de tolerância e de negociação. O País precisa ocupar o centro das discussões. Ou se é de fato um País e se pensa como um, principalmente se for olhado o redesenho nas relações internacionais, onde esses aspectos serão valorizados, pensando realmente o desenvolvimento como condição indispensável a qualquer sociedade, trabalhando para isso ou todos partem para o desânimo.
Magnus Francisco Antunes Guimarães
22 de setembro de 2023 11:12 amCorreta avaliação. Nosso País precisa se livras do número excessivo de partidos políticos, limitar o fundo partidário e extinguir as escandalosas emendas parlamentares. Apenas assim, será possível se livras das chantagens do denominado “Centrão” e todos quantos se aboletam nos Partidos indefinidamente. Pode ser que o debate político programático retorne às sedes partidárias, com Partidos que realmente tenham ideário e causas de interesse nacional, a defender.
Antonio Uchoa Neto
21 de setembro de 2023 4:55 pmLula, no modo f…-se? O verdadeiro Velho Guerreiro vinha para confundir, não para explicar, mas esse genérico desenterrado pelo Nassif não confunde nem explica. Então Lula passou pelo que passou, o massacre midiático do Mensalão, o lawfare, 580 dias na masmorra, para agora, eleito pela 3ª vez, ligar o modo f…-se??! Não faz sentido. Fosse para entrar no modo f…-se, e ele o teria feito há tempos, para transformar-se num José Mujica tupiniquim e deitar-se sobre os louros da glória de ter sido “o cara”. Agora, que tem um mundo de gente querendo que Lula, de fato, ligue o modo f…-se, lá isso tem. Inclusive, e muito provavelmente, esse velho guerreiro de araque que sussurrou essas blandícias ao ouvido do Nassif. Brasília sempre foi isso, as forças reacionárias sempre agiram assim, mas nada disso é capaz de dobrar um retirante determinado. Ainda não aprenderam?