Raio X: IPCA anual é o maior dos últimos 18 anos

Entra-se no dilema de Sofia: qualquer desafogo na renda resultará em aumento de preços, para compensar a alta dos insumos; qualquer redução dos preços de comercializáveis resultará em melhora na margem das empresas, não em redução de preços. A soma final é a estagflação contratada,

Confira a tabela abaixo, comparando o IPCA de novembro de 2021 com o de novembro de todos os anos anteriores, desde 1995.

É o maior IPCA em 12 meses desde 2003; o maior trimestral e semestral desde 2002; o maior acumulado no ano desde 2015 e o maior mensal desde 2015.

Não é pouca coisa.

No mês, continuou massacrante a influência do grupo Transportes: 75,39% do índice mensal.

Em 12 meses, Transportes responderam por 43,73% do índice; Alimentação e Bebidas por outros 17,42% e Artigos de Residência por 4,46%.

Sem avançar na influência indireta do câmbio, apenas em 5 subgrupos, a influência dos produtos comercializáveis (aqueles influenciados pelo câmbio e pelas cotações internacionais) chegou a 58,9%.

Agora, entra-se no segundo tempo do jogo, com alguns preços sendo indexados, especialmente as pressões dos salários, apesar do enorme nível de desemprego.

Ao mesmo tempo, o aumento da taxa Selic terá por única razão a atração de dólares para reduzir os efeitos do câmbio através do aumento dos juros. Na ponta da economia real, o encarecimento do crédito não apenas comprimirá ainda mais o consumo, como deixará as empresas em situação de penúria.

Entra-se no dilema de Sofia: qualquer desafogo na renda resultará em aumento de preços, para compensar a alta dos insumos; qualquer redução dos preços de comercializáveis resultará em melhora na margem das empresas, não em redução de preços.

A soma final é a estagflação contratada,

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