21 de maio de 2026

Alessandro Vieira: Entre a pirotecnia do “Shazam!” e a irresponsabilidade institucional, por Luís Nassif

O relatório é, em essência, uma ferramenta de omissão planejada e chantagem institucional, sustentada por grandes falhas estruturais.
Alessandro Vieira em foto de Andressa Anholete - Agência Senado

Relatório da CPI do Crime Organizado, assinado por Alessandro Vieira, tenta indiciar ministros do STF sem provas concretas.
O documento omite investigação sobre fundos de previdência de estados e prefeituras que financiaram o Banco Master.
Relatório protege plataformas financeiras como XP e não detalha esquema financeiro entre Master, Reag Investimentos e Besc.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O relatório da CPI do Crime Organizado, assinado pelo senador Alessandro Vieira, é um monumento à demagogia e um exercício perigoso de irresponsabilidade. Vieira, um político que parece enxergar na relatoria de uma CPI o anel do Shazam! — imaginando-se dotado de poderes sobrenaturais para indiciar sem provas — produziu uma peça de ficção jurídica que atenta contra a estabilidade das instituições.

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É de uma leviandade absoluta a tentativa de indiciamento de três Ministros da Suprema Corte e do Procurador-Geral da República. Trata-se de uma fanfarronice que ignora o rigor dos fatos em nome do espetáculo. Em nenhum trecho do documento o relator aponta um único fato objetivo que comprove o beneficiamento do Banco Master por qualquer um dos magistrados. O texto limita-se a reciclar o que há de pior no submundo das fofocas jornalísticas.

Criminaliza-se o dever: o relatório cita o “incômodo” de delegados da PF com decisões de Dias Toffoli que visavam, exclusivamente, interromper vazamentos ilegais de inquéritos sigilosos. Ou seja, tenta-se transformar uma decisão moralizadora em crime para proteger a prática contumaz da ilegalidade. Se o Master financiou um resort frequentado por Toffoli, temos uma questão de ordem ética — e um delegado de carreira como Vieira deveria ter o discernimento jurídico básico para separar deslizes éticos de tipos penais.

O relatório é, em essência, uma ferramenta de omissão planejada e chantagem institucional, sustentada por três grandes falhas estruturais:

1. O “Buraco Negro” dos Governadores e o Silêncio sobre os RPPS

O relatório elegeu o BRB (Ibaneis Rocha) como alvo por ser um front político conveniente. No entanto, silencia covardemente sobre a exposição massiva dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) de diversos estados e municípios — o verdadeiro combustível que inflou o Master.

  • A Omissão Consciente: O Master captou bilhões de fundos de previdência de servidores em administrações de variados matizes políticos:
    • Rio de Janeiro (Cláudio Castro): ~R$ 970 milhões via Rioprevidência.
    • Amapá (Clécio Luís): ~R$ 400 milhões.
    • Amazonas (Wilson Lima): ~R$ 50 milhões.
    • Prefeituras: Maceió/AL, Cajamar/SP e São Roque/SP (somas que superam R$ 270 mi).
  • O Motivo: Investigar esses nomes revelaria que a blindagem do Master era capilarizada, unindo governadores na busca por rentabilidades artificiais (os famosos 140% do CDI).

2. O “Eixo XP”

O relatório ataca o Banco Central, mas protege o canal de escoamento. O colapso do Master é, antes de tudo, um escândalo de distribuição financeira.

  • A Conexão Omitida: Grandes plataformas, como a XP Investimentos, foram as principais distribuidoras de títulos do Master, atingindo 1,6 milhão de CPFs.
  • O Incentivo Perverso: Vieira evitou tocar nas taxas de rebate pagas a assessores para “empurrar” papéis de alto risco ao pequeno investidor. Enfrentar o lobby da Faria Lima não estava nos planos do senador.

3. O Triângulo Master-Reag-Besc

O documento cita pagamentos a escritórios, mas foge da autópsia financeira do “como” a lavagem ocorria.

  • A Operação: O Master emprestava para empresas de fachada, que aplicavam em fundos da Reag Investimentos, que, por sua vez, adquiriam títulos podres do antigo Besc a preços inflados.
  • A Falha de Prova: Sem periciar esses fluxos, Vieira estacionou na “suspeita de lobby” (imoral, mas de difícil condenação), fugindo da caracterização de fraude financeira estruturada.

Conclusão: O Relatório como “Dossiê de Gaveta”

O trabalho de Alessandro Vieira não busca justiça. Serve para enquadrar o STF em futuras negociações e isolar Roberto Campos Neto para justificar intervenções políticas no BC. Ao poupar as plataformas e a cadeia de RPPS, a CPI garante que o sistema continue operando — apenas aguardando o próximo operador para substituir o Master.

As perguntas que restam sem resposta são o veredito final sobre a seriedade desta CPI:

  1. Por que o Master pagou R$ 100 milhões em consultorias políticas justamente quando o BC discutia a regra dos precatórios?
  2. Qual a origem real dos R$ 954 milhões aportados por Vorcaro no último minuto? Seria o retorno de lucros evadidos?
  3. Por que nenhuma corretora explicou por que continuou vendendo Master mesmo após os alertas de “risco jurídico severo” do Banco Central em 2024?

Vieira entregou fofoca fantasiada de relatório; o país continua esperando pela verdade.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
luis.nassif@gmail.com

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3 Comentários
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  1. Jose carlos lima

    15 de abril de 2026 1:53 am

    O relator se esqueceu de indiciar seus colegas de milícia, disse Gilmar Mendes

  2. WRamos

    15 de abril de 2026 11:50 am

    Lavajatistas profissionais procuram desesperadamente por alguma moeda de troca que permita tocar fogo no material retirado da vara do Moro. Cometer um crime deste tamanho, pelo qual o senador dificilmente escapa de uma condenação por abuso de autoridade, demonstra o tamanho do pavor da organização criminosa, que vive do tal combate à corrupção que nunca vê crime nos corruptores e seus protetores.

  3. Anônimo

    16 de abril de 2026 1:27 pm

    Sempre parcial

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