Com crise afetando governabilidade de Temer, Renan deixa liderança do PMDB


Foto: Reprodução
 
Jornal GGN – A votação da reforma trabalhista na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado amanheceu com discussões e movimentos contrários à proposta do relator Romero Jucá (PMDB-RR). Entre eles, favoráveis à rejeição da reforma, foram apresentados votos alternativos do peemedebista Eduardo Braga (AM), do senador do partido aliado a Temer Lasier Martins (PSD-RS), entre outros da própria oposição. 
 
E em mais um dia de votações que escancaram as ameaças à governabilidade de Michel Temer no Congresso, sobretudo no Senado, o líder do PMDB na Casa, Renan Calheiros (AL), abandona seu cargo hoje. No Plenário do Senado, Renan disse que deixa a liderança por não concordar com decisões de um partido que “age como um departamento do Poder Executivo”.
 
Desde que Temer assumiu a Presidência e enviou as primeiras propostas ao Congresso que afetam diretamente direitos sociais, o senador mostra-se descontente com o mandatário. Diante da maior crise política enfrentada pelo presidente, com o envio da denúncia de corrupção pela Procuradoria-Geral da República (PGR), Renan avalia que não tem mais condições de permanecer no cargo.
 
Ainda na noite desta terça (27), o peemedebista reuniu-se com o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE) para discutir sua situação, segundo informou reportagem da Folha de S. Paulo. Na manhã desta quarta-feira (28), o parlamentar informou alguns senadores do PMDB que havia tomado a decisão. Senadores já se movimentaram para definir o novo líder em uma reunião da bancada.
 
Também ontem, o senador criticou o governo Temer em mais um duro discurso, afirmando que o mandatário está “fazendo de conta” que governa o país. “Demorar mais um mês, dois meses, um ano a frente do governo não vai mudar nada. É uma resistência para o nada”, disse Renan, defendendo a saída de Temer do Planalto. 
 
Em duro ataque ao presidente, afirmou que Temer errou ao “achar que poderia governar o Brasil influenciado por um presidiário de Curitiba”, em referência ao ex-deputado preso pela Lava Jato, o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
 
Foi nesta semana que uma das motivações principais para a saída de Renan foi tema de discussão entre o próprio parlamentar e o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). “Temer não tem mais a confiança da sociedade para fazer uma reforma como essa na calada da noite”, disse ao relator do projeto.
 
Reforma Trabalhista: Discussões na CCJ do Senado
 
Antes mesmo de os senadores começarem a ler os votos em separado, seguindo o acordo feito na última semana para iniciar a sessão legislativa sem tensões, o que não obteve sucesso, o líder do governo e relator da reforma, Romero Jucá, comunicou que o tempo seria perdido: rejeitaria todas as emendas apresentadas ao seu texto.
 
O primeiro a ler uma das propostas alternativas foi o peemedebista Eduardo Braga. Em seu voto, ele pediu a rejeição do projeto de reforma trabalhista do governo Temer. Em mais de 50 minutos, defendeu que as medidas do Projeto de Lei da Câmara 38/2017 são insconticionalidades formais e materiais.
 
Em seguida, dois senadores da oposição leram seus votos em separado: Paulo Paim (PT-RS) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), na expectativa que o relatório oficial de Jucá seja rejeitado e um dos textos apresentados hoje pelos dissidentes seja aprovado.
 
O senador Lasier Martins, que à época do impeachment da então presidente Dilma Rousseff, se posicionou favorável à queda da petista para a entrada do novo governo Temer, e que na última semana defendeu o afastamento do governo, dizendo-se “independente”, foi outro que leu relatório alternativo.
 
Apesar de não opinar pela rejeição da reforma trabalhista, defendeu que cinco pontos considerados por ele “críticos” da reforma devem ser mudados e apresentou emendas. Antes da quinta leitura de voto alternativo, o líder do governo, Romero Jucá, interrompeu a sessão para ler uma carta do presidente Michel Temer, em que se compromete a vetar pontos da reforma se ela for aprovada no Senado.
 
Acompanhe ao vivo:
 
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7 comentários

  1. Reforma Trabalhista

    Esta reforma tem que ser barrada no Senado.É melhor para os senadores para não ficarem totalmente desmoralizados.

  2. Greve Geral dia 30/06

    Penso que tudo o que está acontecendo é muito bom, pois é pedagógico, educativo. Escancara de forma escandalosa os valores escravocratas de banqueiros e industriais, que sempre se mantêm nas sombras.

    Os deputados e senadores estão aprovando uma legislação neo-escravagista. Os eleitores imaginavam que estavam elegendo seus representantes, mas elegeram na verdade representantes da elite econômica.

    Aqueles que não defendem seus direitos, não merecem ter direitos. 

  3. Prá ser um Coroné, o Calheiros é muito maluquinho

    O sujeito dá nó em pingo d’água.

    É um louco mas burguês até os dentes, apesar de semi-feudal

    Então, o Ciro Gomes dá de 10 nesse Mané. Enquanto o Renan não se deixa prender, o Ciro ameaça prender quem tentar prendê-lo e se resistir… aço

    Quem é o mais louco?

  4. Na verdade, o que aconteceu é

    Na verdade, o que aconteceu é que Renan antecipou-se à sua deposição. Há tempos ele vinha fazendo oposição a MT e  depois de sua vitória contra a reforma trabalhista na CCJ, já havia movimentações para tirá-lo da cargo. E depois de sua fala no Senado que MT governa com o presidiário de Curitiba, foi seu fim. Deve ter sido proposital mesmo, como político experiente que é, sabia que seria seu ûltimo ataque.  Com certeza já tem um plano B. Ainda têm que vir a tona denúncias mais graves ainda para balançar a governabilidade de MT.

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