O ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, tenente-coronel Mauro Cid, decidiu ficar em silêncio durante depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos atos golpistas, nesta terça-feira (11).
A avaliação dos parlamentares, principalmente da base governista, é que a mudez de Cid tem o objetivo de preservar o ex-líder do Executivo, além de ferir o princípio ético militar de “cultuar a verdade, a lealdade, a probidade e a responsabilidade como fundamentos de dignidade pessoal”.
Nas redes, internautas afirmaram que a atitude do tenente-coronel envergonha o Exército brasileiro, uma vez que ele coloca a instituição no “banco dos investigados”.
Fala inicial
Mauro Cid chegou fardado na sessão. Nos 15 minutos de sua fala inicial, assegurou que a sua nomeação para ser ajudante da Presidência não teve “ingerência política” e que ele jamais interferiu em decisões de governo.
Em seguida, o tenente-coronel afirmou que ficaria em silêncio, fazendo uso do direito concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), devido às investigações que pesam contra ele.
“Por todo o exposto, e sem qualquer intenção de desrespeitar vossas excelências e os trabalhos conduzidos por esta CPMI, considerando minha inequívoca condição de investigado, por orientação da minha defesa e com base no habeas corpus 229323, concedido em meu favor pelo STF, farei uso ao meu direito constitucional ao silêncio“, disse Cid.
Insistência
Como de praxe, a relatora da CMPI, senadora Eliziane Gama (PSD-MA), foi a primeira inquerir o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.
Logo na primeira pergunta, Cid, reiterou: “Respeito o posicionamento de vossa excelência, mas reitero as minhas manifestações inciais. Em razão do escopo de tudo que estou sendo investigado, vou seguir a orientação da minha defesa técnica, e baseado em habeas corpus, e vou ficar em silêncio“.
A resposta pronta foi repetida mais de uma dezena de vezes pelo ex-ajudante de Bolsonaro. Contudo, apesar da negativa, a relatora seguiu com os seus questionamentos, em que foram abordados:
- Eventuais relações com interlocutores envolvidos nos atos golpistas;
- conteúdos que incitavam golpe de Estado achados em seu celular;
- seu envolvimento na suspeita de fraude no cartão de vacinas do ex-presidente;
- os pagamentos operados à família Bolsonaro;
- o sentimento de abandono pelo ex-líder do Executivo.
Direito ao silêncio
Os requerimentos pela convocação do ex-ajudante de Bolsonaro o colocavam tanto na condição de testemunha quanto de investigado.
Com isso, após pedido da defesa, a ministra da Suprema Corte, Cármen Lúcia, decidiu que Cid era obrigado a comparecer a CPMI, mas com a condição de ficar em silêncio para não produzir provas contra si mesmo.
O tenente-coronel está preso desde o inicio de maio por suspeita de fraudar os cartões de vacinação de Bolsonaro e familiares.
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