Crise interna na Economia afasta apoio do Congresso

A saída de Joaquim Levy da presidência do BNDES acendeu uma nova crise interna na pasta que luta por garantir os esforços de apoio dos parlamentares para aprovar a reforma da Previdência

Foto: Carolina Antunes/PR

Jornal GGN – A saída de Joaquim Levy da presidência do BNDES acendeu uma nova crise interna dentro do governo de Jair Bolsonaro (PSL), o Ministério da Economia de Paulo Guedes, uma pasta que luta por garantir os esforços de unilateralidade junto ao Congresso para aprovar a reforma da Previdência da maneira que querem.

A demissão de Levy paralelamente às críticas de Guedes à Camara dos Deputados, que manifestou insatisfação à retirada do modelo de capitalização da reforma da previdência no texto apresentado pelo deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), na semana passada na Comissão Especial, afastaram as tentativas de proximidade do governo com os parlamentares.

Porque apesar das próprias tratativas de Jair Bolsonaro, desde a criação de seu Ministério no fim do ano passado, com os cargos e emendas parlamentares oferecidos para obter apoio à reforma, o governo ainda precisava de um bom trânsito junto aos deputados para que eles aprovassem o impopular texto de Guedes.

E é exatamente sobre isso que o presidente da Camara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), tratou quando comentou os recentes acontecimentos, seja as declarações de Guedes criticando os deputados, seja a saída de Levy da presidência do BNDES após os conflitos com Guedes na pasta.

Primeiro, Maia voltou as criticas a Guedes afirmando que o ministro teria cometido “uma covardia sem precedentes”, após a saída de Levy, logo após Bolsonaro dizer que a cabeça do então presidente do BNDES estava “a prêmio”, forçando-o demitir Marcos Pinto, da diretoria de Mercado de Capitais.

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“Quem tem que segurar firme é quem nomeou, e foi o ministro”, afirmou Maia. “Acho que o Guedes errou, mas já está passado, já está decidido. Eu queria que o Marcos Pinto pudesse ser aproveitado em uma área de um debate importante sobre economia com viés social. Ele é um dos melhores do Brasil que entende desta área, é uma pena que foi feito desta forma”, seguiu o presidente da Câmara.

Ele disse ainda à imprensa ter ficado “perplexo” com o tratamento dado pelo ministro da Economia a Joaquim Levy, que deverá nomear agora um substituto de dentro da iniciativa privada.

E, agora, com as críticas de Guedes sobre o relatório apresentado na semana passada na Comissão Especial, Maia disse que quem ganha são os parlamentares que ganham “papel de protagonista nesse momento que nunca tiveram ao longo dos últimos 20 anos”.

As falas de Maia são porque o texto difere da principal modificação de Guedes no tema: a capitalização, que foi retirada da nova proposta.

A reforma da previdência deve ser votada até a próxima semana pela comissão especial da Camara dos Deputados, porque venceu nesta segunda-feira (17) o prazo de duas sessões para o pedido de vista, e agora já passa a contar o prazo para a etapa de discussão, a partir de amanhã (18).

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