Em tom irônico, líder do PSL na Câmara diz que ‘só falta fazer busca na casa do Queiroz’

Deputado Waldir disse ainda que ‘Bolsonaro tem bola de cristal’ porque ação da Polícia Federal contra liderança do partido ocorre logo após ataques de Bolsonaro contra Bivar

Fabrício Queiroz e Jair Bolsonaro. Foto: reprodução/redes sociais

Jornal GGN – “O presidente da República tem bola de cristal, porque ele ataca o presidente do partido e na semana depois acontece a operação”, disse o líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir (GO).

Além de questionar a atuação do presidente Jair Bolsonaro na operação da Polícia Federal desta terça-feira (15), de busca e apreensão em endereços ligados ao deputado Luciano Bivar (PE), presidente do PSL, Waldir, disse que o partido está “extremamente tranquilo”.

“Acho que só falta a busca na casa do Queiroz e do senador [Fernando Bezerra, líder do governo no Senado]”, arrematou se referindo ao ex-assessor de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, que teve investigação aberta pelo Ministério Público Federal no Rio de Janeiro.

As investigações partiram de relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). O órgão que examina atividades suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação de bens identificou movimentações atípicas na conta do policial aposentado Fabrício Queiroz, quando trabalhava como chefe de gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj.

Entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, Queiroz movimentou R$ 1,2 milhão em suas contas. Mais adiante, o órgão apontou que entre 2014 e 2017 o PM movimentou R$ 7 milhões.

Outro fator que causou estranhamento foi o fato de o primogênito do presidente Jair Bolsonaro ter recebido 48 depósitos fracionados no valor de R$ 2 mil totalizando R$ 96 mil em um mês. Além disso, Fabrício Queiroz realizou um depósito de R$ 24 mil na conta da primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

Em abril, Queiroz admitiu à Justiça que servidores fizeram transferências sistemáticas de parte dos salários para sua conta. O objetivo era usar esses recursos para contratar informalmente outros assessores, aumentando assim o número de pessoas trabalhando no gabinete de Flávio. Ainda, segundo Queiroz, como ele tinha autonomia nas contratações, o então deputado federal não tinha conhecimento da prática.

Em um documento do MPF pedindo as quebras de sigilos bancários para a Justiça, os promotores acreditam que esse argumento é usado por Fabrício Queiroz para “desviar o foco da investigação que também recai sobre o ex-deputado estadual Flávio Bolsonaro”.

Na manhã desta terça-feira (14), a Polícia Federal cumpriu nove mandados de busca e apreensão em Pernambuco, em endereços ligados a Bivar, em uma ação desdobramento da investigação sobre candidaturas laranjas do PSL.

Desde a semana passada, ataques de Bolsonaro se intensificaram contra o próprio partido que o elegeu. A mudança de postura ocorreu após o jornal Folha de S.Paulo divulgar uma nova matéria sobre o escândalo de candidaturas laranjas, usadas pelo PSL nas eleições passadas para desviar recursos partidários.

Dessa vez, a reportagem revelou que, em depoimento à Justiça, um ex-assessor do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, comentou que “parte dos valores depositados para as campanhas femininas”, empregadas como laranjas do partido, “na verdade, foi usada para pagar material de campanha de Marcelo Álvaro Antônio e de Jair Bolsonaro”.

A matéria trouxe ainda dados de uma planilha apreendida em uma gráfica pela PF sugerindo que o dinheiro desviado de candidatas laranjas do PSL mineiro foi desviado como caixa dois para a produção de materiais das campanhas de Bolsonaro e Álvaro Antônio.

Dois dias após a reportagem, o presidente Jair Bolsonaro foi gravado pedindo a um apoiador que o aguardava na saída do Palácio da Alvorada para esquecer o PSL e ainda que o presidente nacional do partido deputado federal Luciano Bivar (PE), ‘estava queimado’.

Desde então, a troca de farpas entre Bivar e Bolsonaro vem aumentando dividindo o PSL em duas alas. Bolsonaro quer descolar sua imagem dos escândalos expostos pelo PSL.

*Com informações do Congresso em Foco

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