7 de junho de 2026

Entidades de Jornalismo repudiam prisão de jornalista perseguido por Zambelli

A ordem de prisão partiu do juiz José Fernando Steinberg, com a justificativa de que Araújo, "apesar de devidamente intimado, não cumpriu a prestação pecuniária imposta"
Crédito: Reprodução

Juiz de São Paulo decretou prisão em regime aberto para jornalista Luan Araújo por não pagar indenização a Carla Zambelli.
Entidades jornalísticas repudiam decisão e destacam vulnerabilidade de Araújo, que enfrenta desemprego e pressão psicológica.
Zambelli foi condenada pelo STF, mas permanece na Itália após corte italiana negar extradição solicitada pelo Brasil.

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Organizações ligadas à imprensa manifestaram indignação com a decisão do Juizado Especial Criminal do Foro de Barra Funda, em São Paulo, de decretar a prisão em regime aberto do jornalista Luan Araújo, o mesmo profissional que, em outubro de 2022, foi perseguido a mão armada pela então deputada federal Carla Zambelli pelas ruas da capital paulista.

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A ordem de prisão partiu do juiz José Fernando Steinberg, com a justificativa de que Araújo, “apesar de devidamente intimado, não cumpriu a prestação pecuniária imposta”. O jornalista, atualmente desempregado, estava obrigado a pagar uma indenização de R$ 2,2 mil decorrente de uma condenação por “difamação”, processo movido por Zambelli após Araújo publicar um texto em que a chamava de integrante de uma “seita de doentes de extrema direita que a segue incondicionalmente e segue cometendo atrocidades”.

Posicionamento

A Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira-SP), vinculada ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP), e a Comissão Nacional de Jornalistas pela Igualdade Racial da Federação Nacional dos Jornalistas (Conajira/Fenaj) emitiram nota conjunta de repúdio. As entidades classificaram a decisão como um ataque à liberdade de imprensa e reforçaram a situação de vulnerabilidade em que o jornalista se encontra.

Em declaração divulgada pelas entidades, Luan Araújo descreveu o momento como difícil, mas demonstrou gratidão pelo apoio recebido. “Estou triste com toda essa repercussão, mas também feliz por ver o acolhimento das pessoas”, disse.

Nas redes sociais, o jornalista já havia relatado o acúmulo de pressões que enfrenta. “Problemas psicológicos, desemprego, falta de oportunidades, uma condenação na Justiça por um texto que escrevi, onde querem que eu pague um dinheiro que não tenho por uma condenação que considero injusta”, escreveu.

Araújo também lamentou o desfecho do caso Zambelli na Europa. Enquanto ele enfrenta uma ordem de prisão por não conseguir pagar uma multa, a ex-deputada, condenada pelo STF, segue livre na Itália após ter a extradição negada. “Não vou deixar de lutar, mas tenho muito menos armas que ela”, afirmou, definindo-se como “desesperançoso”.

Para conseguir custear um processo por danos morais contra Zambelli, Araújo recorreu a uma vaquinha online.

O caso

Tudo começou no dia 29 de outubro de 2022, véspera do segundo turno da eleição presidencial. Após uma discussão nas ruas de São Paulo, Zambelli sacou um revólver e perseguiu Luan Araújo, primeiro pelas calçadas, depois dentro de uma lanchonete. As imagens do episódio circularam amplamente e geraram repercussão nacional.

Em agosto de 2025, o Supremo Tribunal Federal condenou Zambelli a cinco anos e três meses de prisão pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma. O Brasil solicitou sua extradição à Itália, onde ela reside. As primeiras instâncias da Justiça italiana chegaram a deferir o pedido, mas a Corte de Apelação de Roma cassou a decisão em maio deste ano, inviabilizando o retorno da ex-deputada ao país.

*Com informações da Agência Brasil.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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1 Comentário
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  1. Joao

    7 de junho de 2026 4:26 pm

    Paulo Henrique Amorin dizia, com razão: SP a locomotiva do atraso

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