OMS faz alerta à América Latina após novo aumento de casos no mundo

Apesar de a Ásia ser o foco desta nova onda da pandemia, a organização pediu que governos latino-americanos “mantenham ou reforcem as medidas de contenção, porque a pandemia não está controlada”

A OMS (Organização Mundial da Saúde) realizou uma ofensiva comunicacional nesta quinta-feira (17/3), primeiro com um comunicado oficial, depois com uma entrevista coletiva do seu diretor-geral, Tedros Adhanom, para reforçar a postura de preocupação da entidade com o aumento significativo de casos de covid-19 no mundo, registrado nos últimos dias.

Embora a maior parte dos novos casos tenham sido registrados na Ásia – em países como China, Mongólia e Coreia do Sul –, a OMS fez um alerta global sobre os riscos que essa nova onda de contágios pode significar, caso se espalhe por outros continentes.

“Após várias semanas de declínio, os casos relatados de covid-19 estão aumentando novamente, especialmente em partes da Ásia (…) o aumento foi detectado apesar das investigações em andamento em alguns países, mas os estudos indicam que esta pode ser apenas a ponta do iceberg”, disse Adhanom.

O diretor-geral também lamentou a falta de cooperação entre os países para se fazer uma campanha global de vacinação. “Percebemos que ainda existem níveis inaceitavelmente altos de mortalidade por covid-19 em muitos países, especialmente onde as taxas de vacinação são baixas, entre populações vulneráveis”.

Diante desse quadro, Tedros Adhanom fez um alerta especial a algumas regiões: não só à Ásia, onde se origina esta nova onda, mas também à África, continente onde se registra o mais baixo índice de vacinação, e à América Latina, onde a OMS vê com preocupação que alguns governos começam a tratar a pandemia como um problema já superado – o alerta não menciona especificamente nenhum país, mas se sabe, por exemplo, que o presidente brasileiro Jair Bolsonaro pretende anunciar o “fim da pandemia” nos próximos dias, contrariando a recomendação dos especialistas.

“Continuamos pedindo a todos que se vacinem, que os governos e organizações multilaterais trabalhem para estender a cobertura e facilitar o acesso às vacinas contra o coronavírus em todos os lugares, especialmente onde há déficit (…) e que entendam que a pandemia não está controlada, a transmissão da doença não está controlada, por isso devemos nos manter em alerta”, acrescentou o diretor-geral da OMS.

Deltacron

Em outro momento da coletiva, Tedros Adhanom fez comentários sobre os rumores de que a nova onda de covid seja causada pela variante híbrida “Deltacron”, que seria uma espécie de combinação entre as variantes Delta (considerada a mais letal) e Ômicron (a mais contagiosa).

Recentemente, a OMS reconheceu a existência da variante híbrida, mas não confirmou que os novos casos asiáticos tenham relação com ela – até porque, os primeiros casos registrados de “Deltacron” teriam sido identificados nos Estados Unidos, Canadá e em alguns países da Europa.

“Como há poucos casos confirmados, é muito cedo para saber se as infecções por Deltacron serão transmissíveis em larga escala ou causarão doenças graves”, analisou.

Ucrânia e Iêmen

Outro tema abordado pelo diretor-geral da OMS foi a situação da pandemia em países que estão vivendo conflitos armados neste momento, com foco especial nos casos da Ucrânia e do Iêmen.

Nesse sentido, Tedros Adhanom, afirmou que a OMS está trabalhando para criar redes de abastecimento para esses dois países, visando enviar toneladas de suprimentos, incluindo oxigênio, insulina, material cirúrgico e equipamentos como desfibriladores e ventiladores mecânicos.

O diretor-geral também disse lamentar que a situação da pandemia nesses dois países, assim como outros que também vivem conflitos armados, tende a se agravar. Antes de finalizar a entrevista, o africano Tedros Adhanom reclamou da falta de perguntas sobre que “embora a Ucrânia seja o foco do mundo, não é a única crise que a OMS enfrenta atualmente”. O diretor-geral nasceu na Etiópia, país que está muito próximo de outro conflito armado que vem acontecendo nos últimos dias, na vizinha Somália.

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