Será como trocar “seis por meia dúzia”, diz Teich sobre mudança no Ministério da Saúde

Nelson Teich critica falta de autonomia na Pasta: "O presidente definia que ele era a liderança e os ministros tinham que fazer o que ele achava correto"

Jornal GGN – O ex-ministro da Saúde Nelson Teich afirmou nesta segunda (15), em entrevista à BBC Brasil, que qualquer mudança no Ministério da Saúde sem que o novo titular tenha autonomia de verdade para implementar as medidas necessários ao enfrentamento da pandemia de coronavírus, será como trocar “seis por meia dúvida”. Teich criticou o fato de Jair Bolsonaro intervir na Pasta, colocando sua visão política acima da gestão técnica e científica da crise sanitária.

“Sem autonomia, sem legitimidade, você não vai conseguir desenhar uma política. Mesmo quem entrar vai ter que articular autonomia, legitimidade e liberdade antes. Tem que ser negociado antes porque senão vai ser trocar seis por meia dúzia. É impossível trabalhar, se você é uma pessoa técnica ou de gestão, se não tem autonomia plena para implementar as coisas que acha que são certas”, comentou.

Teich ficou cerca de um mês no cargo, após a saída de Luiz Henrique Mandetta, que também perdeu a autonomia na Pasta. Foi substituído por Eduardo Pazuello, que já gravou um vídeo dizendo que Bolsonaro é quem dá as ordens no Ministério; o general apenas “obedece”.

No domingo (14), a cena política em Brasília ficou em alerta com a notícia de que Pazuello estaria de saída do Ministério, após a gestão fracassada que já acumula mais de 270 mil mortes por coronavírus.

A médica Ludhmila Hajjar estava cotada para assumir o posto. Foi indicada por políticos do Centrão e chegou a conversar pessoalmente com Jair Bolsonaro, mas disse à CNN Brasil que rejeitou o convite por ser crítica ao método como o governo federal enfrenta a pandemia. Ludhmila se disse uma “pessoa que pautou a vida nos estudos e na ciência e vou continuar assim”. Além de ser garoto propaganda da cloroquina – remédio sem eficácia contra Covid-19 – Bolsonaro é contra o lockdown e uso de máscaras.

“Eu fiquei no cargo enquanto achei que tinha autonomia em todas elas. Depois que eu vi que não tinha, eu saí. Eu saí porque o presidente tem uma forma de trabalhar, ele definia que ele era a liderança e os ministros tinham que fazer o que ele achava correto. E eu achava que não, e eu achava que quem tinha que comandar a saúde era eu”, lembrou Teich.

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