O que ocorreu com o Nubank – com o aplicativo enviando uma mensagem comunicando aos clientes o fechamento do banco – não foi trabalho de hackers. Foi boicote interno, devido a uma política de pessoal desastrosa.
Tempos atrás, o estilo truculento dos dois controladores – David Vélez Osorno (fundador e CEO), Cristina Junqueira e Adam Edward Wible – começou a afetar a equipe. Internamente, taxa-se esse estilo de Miami Trump Bolsonaro, um viés de ultradireita que se expressa no dia a dia interno da empresa. Cristina Junqueira é uma das financiadoras do Brasil Paralelo.
No ano passado, demitiu 12 funcionários que reagiram com a volta ao trabalho presencial. No ano passado foi a vez de Vitor Olivier. Ele deixou o cargo de CTO em setembro de 2025, após mais de uma década na empresa, para iniciar uma nova jornada como empreendedor — uma saída voluntária, não uma demissão pela empresa. Olivier era um dos primeiros funcionários do Nubank e foi oficializado como CTO em março de 2023, o terceiro a ocupar o posto, depois de Matt Swann (ex-Amazon) e Edward Wible, um dos fundadores. Logo depois, foi a vez de Guilherme Lago.
Nos últimos dias, duas figuras-chaves do setor de segurança também pediram demissão: Renan Capaverde e Justin Gehtland. Tinham papel relevante na área de sistemas. Um estava desde a fundação; outro, há 7 anos.
Pessoas que pediram demissão recentemente saíram para empregos com salários menores. Mas não suportaram o clima interno da empresa. Não são casos isolados, são um êxodo, que afetou a imagem do banco.
O Bank of America rebaixou o papel de “neutro” para “underperform” e cortou o preço-alvo de US$ 16 para US$ 10, citando a troca de CFO e um ambiente de crédito mais desafiador; a ação caiu mais de 8% no dia e acumula queda superior a 23% em 2026. O BofA descreveu Lago como um dos executivos mais importantes da companhia, que supervisionou o IPO e foi a principal interface com o mercado e os acionistas.
Com a saída de Lago segue a de outros quatro executivos do alto escalão nos últimos dois anos: o presidente e COO Youssef Lahrech, o diretor de produto Jag Duggal, o CTO Vitor Olivier e o diretor de crédito (Chief Credit Officer) Ravi Prakash — saídas que, segundo o próprio BofA, aumentam a incerteza sobre execução e profundidade da gestão. Repare na coincidência de motivações declaradas: tanto Olivier quanto Lago saíram oficialmente “para empreender”.
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