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Jornal GGN – O empresário Jailton Batista, da farmacêutica Vitamedic, admitiu em depoimento à CPI da Covid no Senado, na manhã desta quarta-feira (11), que patrocinou a Associação de Médicos Pelo Brasil, a pedido da própria instituição. “Foi a Associação que pediu”, disse Batista.
A Associação, entre outras entidades de classe, divulgou um manifesto em favor do “tratamento precoce” com uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra o novo coronavírus – entre eles, a invermectina, fabricada justamente pela Vitamedic, que teve um aumento de 1.105% na venda de invermectina no ano passado.
O vice-presidente da CPI da Covid, senador Randolfe Rodrigues, avaliou que houve, no mínimo, conflito de interesses e falta de ética no patrocínio da Vitamedic à Associação de Médicos Pelo Brasil, pois o laboratório praticamente pagou para que os profissionais de saúde divulgassem um remédio que eles fabricam. Ou seja, agiram em benefício próprio. O senador Fabiano Contarato afirmou que a farmacêutica, em sua visão, incorreu no crime de peculato.
Para o presidente da CPI, senador Omar Aziz, a Vitamedic e os médicos da Associação têm “responsabilidade mútua” pela propagação de remédios sem nenhuma eficácia comprovada contra Covid-19 e, consequentemente, pelas mortes decorrentes do “tratamento precoce” e do desestímulo às medidas prudentes de enfrentamento à pandemia, como uso de máscara e distanciamento social.
“Era o lucro o que eles queriam, e utilizando da boa fé da população brasileira, todo mundo fazendo propaganda: sites, o presidente da República, médicos. E o laboratório vai para mais de 534 milhões [de reais] em faturamento”, disse Aziz. “Enquanto isso, o presidente se recusava a comprar as vacinas”, complementou Renan Calheiros, o relator da CPI.
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