Diretor da Precisa nega ter falado com Bolsonaro sobre vacina indiana e tem sigilo quebrado

Danilo Trento foi apontado como dono da Precisa Medicamentos, empresa que tentou vender vacinas da Covaxin ao Ministério da Saúde

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Jornal GGN – O diretor de Relações Institucionais Danilo Trento negou à CPI da Covid nesta quinta (23) que ele ou outro funcionário da Precisa Medicamentos tenha conversado e solicitado diretamente ao presidente Jair Bolsonaro que conversasse com o governo indiano para acelerar um acordo de compra de vacinas Covaxin, fabricada pela Bharat Biotech.

“Eu, como diretor institucional, não” falei com Bolsonaro, disse Trento. Quando questionado pelo senador Renan Calheiros se “outro alguém da Precisa” falou, o depoente respondeu: “Acredito que não”.

O relator da CPI tentou descobrir, sem sucesso, se houve influência do líder do governo Bolsonaro, Ricardo Barros, no acordo da Covaxin. “Alguém falou para ele [Barros] que [a Precisa] precisava de autorização legislativa e ele colocou a emenda [ao projeto de lei que versou sobre compra de vacinas]”, disse Renan. “Contato com Ricardo Barros nunca existiu”, disse Trento. O depoimento começou por volta das 10h e está em andamento.

Amparado por um habeas corpus que lhe garante silêncio diante da possibilidade de auto-incriminação, Trento não quis responder como é remunerado pela Precisa – do empresário Francisco Maximiano, amigo de Barros – nem qual a relação da empresa com uma série de outras companhias, entre elas, a Primarcial.

O senador Alessandro Vieira pediu o afastamento do sigilo fiscal de Danilo Trento e seu irmão, Bernardo Trento, em virtude da falta de colaboração.

Há alguns dias, o lobista Marconny Faria disse que conheceu Danilo Trento como o verdadeiro dono da Precisa Medicamentos.

Trento disse que é apenas “diretor institucional” e afirmou que não participou de negociações nem tem informações sobre a tentativa da Precisa em vender a vacina Covaxin ao Ministério da Saúde. Ele também ficou em silêncio em perguntas envolvendo ex-agentes do governo Bolsonaro, como Roberto Dias, do Departamento de Logística do Ministério, exonerado após ter sido acusado de cobrar propina para fechar contratos com fornecedores de vacinas contra Covid-19.

Acompanhe a CPI pela TVGGN:

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