19 de junho de 2026

Pazuello aceitou 10% de vacinas da Covax só porque “era muito ruim não estar”

Aos senadores da CPI da Covid, Pazuello disse ainda que medidas de isolamento "não são cientificamente comprovadas"
O ex-ministro Eduardo Pazuello. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Jornal GGN – O ex-ministro Eduardo Pazuello afirmou à CPI da Covid que não decidiu aceitar as doses de vacinas para imunizar 50% da população, e somente 10%, “pela simples razão de que era muito ruim não estar presente” e que não era bom “apostar todas as fichas naquela produção de compra”.

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Aos senadores, Pazuello disse ainda que medidas de isolamento “não são cientificamente comprovadas”. Ao comentar uma live que participou com o presidente Jair Bolsonaro, no qual não defendeu o uso de máscaras, o ex-ministro disse: “As medidas de isolamento não são, também, na mesma forma que outros medicamentos e outras ações, também não são cientificamente comprovadas”.

Atrapalhando-se na resposta, completou: “Elas [medidas de distanciamento social] podem funcionar para uns e podem não funcionar para outros. Com relação ao uso de máscaras, nós tivemos vai e vem do uso de máscaras durante o ano todo, da própria OMS”. A informação, contudo, é falsa: a Organização Mundial da Saúde sempre recomendou o uso de máscaras para evitar a propagação da Covid-19.

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Covax: “Nós compramos o mínimo pela simples razão de que era muito ruim não estar presente”

O general também tentou tirar de si a responsabilidade nas negociações da Covax Facility. Pazuello era o ministro da Saúde quando o governo de Bolsonaro aceitou receber doses de vacinas contra Covid-19 capazes de imunizar somente 10% da população e negou a proposta para 50% da população.

Mas Pazuello não teve relação com o caso, e sim com o então ministro da Casa Civil, Braga Netto. “Toda discussão da contratação da Covax Facility se deu no âmbito da Casa Civil, é preciso compreender isso.”

“Casa Civil? Não foi o senhor que, veja, nós recebemos aqui o ex-ministro Ernesto Araújo e ele reportou a vossa Excelência a responsabilidade”, rebateu Alessandro Vieira (Cidadania-SE). “Toda a negociação, a entrada na Covax Facility foi centralizada na Casa Civil, e nós apoiávamos com as decisões.”

Em seguida, Vieira insistiu: “a decisão de adesão ao consórcio Covax em seu menor patamar foi de vossa Excelência ou da Casa Civil?”. E Pazuello entrou em contradição, admitindo: “Foi minha, foi minha.”

“Deixa eu dizer uma coisa para o senhor, a decisão não é só de uma pessoa, é do grupo que está trabalhando, é um colegiado, foi levantado os problemas, mas eu vou dizer uma coisa para o senhor: nós compramos o mínimo pela simples razão de que era muito instável, era muito ruim não estar presente, mas estar no consórcio, sim, agora, apostar todas as fichas naquela produção de compra, não.”

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Pfizer: “Não houve consenso”

As declarações do ex-ministro na sessão da CPI de ontem (19), de que ele teria decidido fechar contrato para a compra das vacinas da farmacêutica norte-americana Pfizer ainda em dezembro de 2020, não ficaram claras, e os senadores voltaram a pressionar Pazuello sobre o tema.

Em um momento de tensão, o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), questionou sobre a Medida Provisória aprovada somente em março deste ano para permitir o contrato de vacinas junto à Pfizer.

Ao falar sobre a demora e a alteração do texto, Pazuello novamente tirou a responsabilidade de si, transferindo a todos os ministros do governo Bolsonaro, e admitiu que “não houve consenso” dentro do governo para aprovar a legislação: “Nós fizemos a proposta, com a minuta, e estavam os ministros. Quando isso foi discutido, as assessorias jurídicas para a assinatura [da MP] não houve consenso e houve a alteração. (…) A minuta foi alterada pelo governo, pelos ministros.”

O senador Alessandro Vieira pediu nomes, perguntando quem discordou da minuta do contrato, e Pazuello desviou: “Foram discussões da jurídica, todos as [equipes] jurídicas que envolvem o processo se colocaram desta forma, de que [o texto da MP] deveria vir pelo Congresso Nacional.”

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Hospital de campanha em Goiás foi fechado e Pazuello não sabe por quem

“Nós não mandamos fechar nenhum hospital”, disse o ex-ministro, ao ser questionado pelo senador Alessandro Vieira sobre quem mandou fechar o hospital de campanha de Águas Lindas, de Goiás. “Esse hospital era federal, senhor ministro”, rebateu o senador, questionando se o hospital que era competência federal, ou seja, do governo Bolsonaro, foi fechado “sem a determinação” do então ministro.

E Pazuello não soube responder, mas culpou também o estado de Goiás: “acho que não, não foi isso, isso aí veio pela própria demanda do estado. Não nós queremos fechar o hospital, não, nunca.”

Momentos depois, o senador Otto Alencar (PSD-BA) criticou que o próprio presidente Jair Bolsonaro nunca visitou um hospital de campanha: “É um governo que não tem compromisso com absolutamente nada na saúde. O governo que o presidente nunca visitou um hospital de campanha, nunca teve a humanidade, a solidariedade, a caridade humana de entrar num hospital, não, foi [andar de] lancha, foi à passeio em praia, foi montando cavalo, e as pessoas morrendo à míngua.”

Leia mais declarações de Pazuello à CPI da Covid aqui.

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Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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