
A narrativa do golpe em movimentos bem marcados
Por Joseph
Comentário ao post “Xadrez do não tempos provas, mas temos convicção”
Contrariando a minha proverbial moderação, e porque o blogueiro não parece ter atentado para a importância do que vou expor, peço licença para fazer um último apelo para chamar a atenção para a questão mais importante do momento, no meu entender.
Quem sabe alguma boa alma, com espaço na imprensa, possa se começar a convencer-se do que eu já estou convencido.
Não é um xadrez, mas talvez seja útil dividir a narrativa em “movimentos”.
1. Léo Pinheiro é o protagonista de uma das delações mais demoradas e, segundo as notícias, mais conturbadas de todo o processo da Lava Jato, com denúncias de pressão, recuos, reviravoltas, resistências.
2. Depois de muito tempo, a Veja publica o que seria um fragmento dessa delação, envolvendo um ministro do Supremo. Há grita, o Supremo reage, e a delação é “cancelada” pela PGR.
3. Na semana seguinte, a mesma revista publica outros pedaços da delação, envolvendo Aécio e Serra, sim, mas também Lula – a quem serviria certamente para garantir uma condenação de uns 50 anos de cadeia para o ex-presidente (ao menos no tribunal do Serginho).
4. Pouco tempo depois do cancelamento – e as razões para ele são bem menos importantes do que parecem ao Nassif – Léo Pinheiro é preso de novo. Uma prisão estranhíssima, baseada num requerimento datado de março.
Ainda mais estranhamente, Léo Pinheiro não reclama. Nada diz contra a flagrante arbitrariedade que lhe atinge e, pelo contrário, se apressa em se dispor a um depoimento ao juiz.
(Para apreciar, digamos, “expressividade” desse ponto, basta comparar com a atitude de Bumlai, que não parece disposto a delatar, quando Moro, recentemente, lhe colocou de volta na cadeia: tá esperneando até agora).
5. De fato, em questão de dias depois de voltar à custódia, Pinheiro aparece diante de Serginho bastante pilhado, dizendo-se claramente disposto a “confessar todos os seus crimes” não importa a quem eles possam “atingir”.
O recado é claro.
O pessoal achou que ele não quis entregar o Lula. Mas naquele momento ele não podia, pois não era o Lula que estava em questão.
6. Na semana seguinte a esse depoimento, o MPF finalmente faz a denúncia contra Lula e Pinheiro.
Na denúncia, o único elemento objetivo que liga a Petrobras ao Triplex é a suposta existência de uma “conta geral” de propinas ao PT que abasteceria uma “subconta” destinada a pagar vantagens a Lula.
Ora, como publicou hoje a Folha num acesso extemporâneo de jornalismo, e como eu venho dizendo desde a quarta-feira (sim, eu li a denúncia de cabo a rabo!), essa informação não consta de nenhum lugar do processo, mas é exatamente igual à suposta delação vazada e publicada pela Veja.
Bem, você pode perguntar, e daí?
7. Todos os dados ou “movimentos” acima, que não são especulativos, mas estritamente factuais, indicam duas coisas claramente:
A) Foi usada uma informação obtida extraoficialmente, que não são especulativos, fora dos autos, para basear uma peça processual, o que é, em si mesmo, nada mais nada menos do que uma fraude, que coloca o processo como passível de nulidade.
B) Ao contrário do que pensam muitos, que dizem que os procuradores foram patetas e bobinhos, a intenção de colocar essa informação na base da denúncia – obviamente um risco – é claramente “lavá-la” com a sua confirmação por Pinheiro (combinada? Coagida?) quando este apresentar a sua defesa no processo ou, de forma mais simples, quando ele for depor (nesse sentido eu não de onde nasce a confiança de que Pinheiro não delatou ou vai delatar Lula. Lembrem que Delcídio negou até o último instante que havia feito uma delação).
Lembremos que esse modus operandi já foi detectado na Lava Jato. Não faz muito tempo a Carta Capital denunciou que a contadora de Yousseff, Meire Poza, passava informações extraoficialmente para a PF do Paraná, que depois as “lavava” com batidas encenadas.
8. A partir daqui a coisa toda vai se resumir a um jogo de pressões e de versões, e o MPF sabe disso.
É clara e manifesta, a meu ver, a intenção de fazer com o depoimento de Pinheiro o que fizeram com as escutas divulgadas ilegalmente: provoca-se uma explosão na opinião pública – as bombásticas revelações do empreiteiro – para encobrir ou engolir a fraude ligada à obtenção da informação como mera irregularidade ou falha processual, pela qual caberia apenas um pedido de desculpa.
Mas aí, meus amigos, e a força-tarefa sabe disso, o estrago já estará feito.
Ninguém mais poderá conter a destruição de Lula, nem na opinião pública (objetivo imediato) nem mesmo, como mostra o antecedente da escuta, nos tribunais, que certamente não se atreverão a deixar os crimes de Lula passarem impunes.
9. Por tudo isso, eu não consigo entender a inércia do nosso lado em denunciar essa fraude e essa farsa, falando de “falta de provas” a propósito da denúncia da Folha, erra completamente o ponto da questão.
Se os passos – para mim evidentes – dessa fraude não forem antecipados e denunciados (como fez o Eduardo Guimarães, por exemplo, com os grampos no Lula, ou esse blogueiro, no episódio pós-eleitoral do conluio entre Toffolli e Gilmar para rejeitar as contas de Dilma), e a armação entre Moro, MPF e Leo Pinheiro (muito provavelmente) não for desmascarada, não vai adiantar nada gritar quando o que eles têm planejado se realizar.
No momento em que Léo Pinheiro abrir a boca, Lula e a democracia brasileira estarão definitivamente derrotados pelo maior moedor de carne humana que o mundo já viu – o nosso oligopólio da informação.
A meu ver, tem-se não mais do que 7 ou 10 dias para tentar desarmar essa bomba programada. Para desacreditar a manobra e, com elas, a espontaneidade e veracidade das “revelações” de Pinheiro.
É o tempo de Serginho aceitar a denúncia e começar a instrução.
Nassif, o que você está esperando para fazer isso? Provas? Convicção?
Indícios fundados, como mostro acima, existem muitos. Se não anteciparmos alguma coisa importante vai morrer.
Jackson Zambelli
20 de setembro de 2016 6:45 pmAchei a análise bem pensada.
Achei a análise bem pensada. O que fazer?
Ivan de Union
20 de setembro de 2016 6:54 pmUAU!!!
!!!!!!!!!!! Impressivo, Joseph!!!
Ugo
20 de setembro de 2016 6:58 pmDante: “lasciate ogni speranza o voi che entrate”. Inferno
Joseph o País deste judiciário tabajara considera as leis apenas um meio para chegar às convicções.
Depois do domínio do fato, da ampla literatura, do golpe do impixi sem motivação constitucional, e posso continuar mais ainda será muito fácil inventar uma lei tabajara para uso exclusivo do extermínio final do Presidente Lula e da sua família.
Invocar logica e bom senso aqui na terra de santa cruz? Acredito neste predicado somente em Diamantino com o patrocínio do gilmar dantas mendes.
Dilma Coelho
20 de setembro de 2016 7:08 pmA narrativa do golpe em movimentos bem marcados, por Joseph
Fora Temer !!!
https://secure.avaaz.org/po/brasil_fora_temer_loc/?bzyaReb&v=81113&cl=10643515481&_checksum=c5711c90725c5738635c7c4248c340d6fc05ccf9320b64aab6b6abc77e0c03f7
eu
20 de setembro de 2016 7:19 pmSó não entendi, qual a saida
Só não entendi, qual a saida…
Lucinei
20 de setembro de 2016 7:20 pmEx-ce-len-te!
Ex-ce-len-te!
É assim mesmo que eles jogam.
A “tioria” do “sinistro projeto de poder petralha” sobrevive – agora à luz do dia, pro mais crédulo dos crédulos não duividar mais de que se trata de uma operação política – apesar da inépcia da denuncia, que, com foi sublinhado, está prontinha pra ser “lavada”.
Tudo enquanto os palermas do STF ficam “esperando”.
De Eduarldo Cunha só se ouvirá falar quando ele de alguma maneira se mostrar associado ao “lulopetismo”; e mais nada.
O golpe paraguaio já foi dado e é “carne seca no ensopado”.
A parte hondurenha se concluirá ano que vem.
Com os palermas do STF “esperando”, é claro.
Junior Sertanejo
20 de setembro de 2016 7:34 pmA cada
A cada dia,hora,minuto,segundo,aparecem situações,descrições e afirmações de arrepiar a alma santa.O que relata Joseph,nem de longe deve ser abandonado,senão Nassif não teira postado.Eu diria que o texto de Joseph pode ser considerado o Xadrez do Xadrez.Se o de Nassif é dificil acesso,imagine esse.Prefiro ficar com meu,pela simples condição de não terminar meus dias num hospicio.
Júnior Sertanejo
20 de setembro de 2016 9:27 pmOs cadastrados danam-se a
Os cadastrados danam-se a distribuir estrelas antes que se termine o comentário,é o caso.Joseph anota no seu texto,uma afirmação emblemática.Dela me valho para concluir meu comentário,donde se podem dar a quantidade de estrelas que quiserem.Quem detonou uma Presidenta eleita com 54 milhões de votos,e instalou em seu lugar uma quadrilha de assaltantes,que o PCC a referencia ao modo do estado islâmico?Quem fez o STF ficar de cócoras neste episódio só visto em Republiquetas de Bananas pacovan?Quem transformou Sérgio Moro,e seus Procuradores salafrarios em heróis,defensores in pectore,da Tradição,Familia e Propriedade?Quem incute na população incauta e imbecilizada,que as propinas de Fernando Henrique,o inimputavel José Serra e o amigo irmao do dono do Helicóptero de 450 quilos de cocaína,Aecio Neves são provinentes da Capela Sistina do Vaticano,depois da chancela do Papa Francisco?Quem faz o Procurador Geral da República dançar a música que ela põe na vitrola,e muda o ritmo quando bem quer?Quem deu atribuições a uma Polícia Federal partidarizada,para invadir a casa de um ex Presidente da República,o maior de todos,e vasculhar até debaixo da sua cama?Quem concedeu poderes a um agente da mesma Polícia Federal,gângster,bandido,fascinora,envolto por uma tornozereira eletronica,a sair prendendo Deus e todo mundo?Esta lá,no artigo de Joseph,a maior máquina de moer reputações do planeta terra,a mídia brasileira.Quem entendeu que o melhor controle para mídia é o controle remoto,pagou o pato,e não tinha a menor noção do que estava fazendo lá.
Álvaro Noites
21 de setembro de 2016 11:50 amRealmente aquele papo de
Realmente aquele papo de “controle remoto” foi uma das maiores ingenuidades que Dilma mostrou quando no Governo (somada à outras como insistir na não-cripitografia das comunicações do Governo ou mesmo deixar a Lava Jato e a PF sem chefe por anos).
A Globo está acabando com o país.
Junior Sertanejo
21 de setembro de 2016 9:42 pmRespondo à Alvaro
Respondo à Alvaro Noites,21/09/2012,- 8:50.Que País,caríssimo.
Antonio Uchoa Neto
20 de setembro de 2016 7:38 pmNão é só do Leo Pinheiro que
Não é só do Leo Pinheiro que estão tentando extorquir qualquer coisa que possa prejudicar Lula, é de qualquer um.
Já está no youtube o depoimento de um tal vendedor da Kitchens…missa encomendada perde!!!
Qualquer um -seja peixão, bagrinho, o diabo que for – vai servir para que eles cumpram o objetivo deles!
Essa gigantesca ópera-bufa não foi montada, com tantos recursos, para dar em nada!
https://www.youtube.com/watch?v=1b_K9EhWiEc
https://www.youtube.com/watch?v=iPhmSr6YtQI
João de Paiva
20 de setembro de 2016 7:42 pmVerossímil e muito consistente a análise-denúncia.
Prezados,
Devemos reproduzir esta análise para o maior número possível de pessoas. Nós, simples cidadãos, podemos fazer pouco, quase nada, a não ser disseminar a boa e correta informação, para que os cidadãos bem informados possam formar opinião.
Já os blogs e portais progressistas podem mais. A simples elevação do comentário à categoria de post aumenta enormemente não só o destaque, mas o número de pessoas que o lêem. Outra coisa que têm faltado aos jornalista progressistas é uma maior interação. Essa análise deve ser republicada em vários blogs, de modo que possa ser lida por um maior número de pessoas.
Por fim recomendo à equipe do GGN fazer uma revisão nos textos de comentários que são elevados à categoria de post.
Ivan de Union
20 de setembro de 2016 9:48 pmAdorei, so adicionando esse
Adorei, so adicionando esse comentario:
“Por fim recomendo à equipe do GGN fazer uma revisão nos textos de comentários que são elevados à categoria de post”:
Eh considerada falsificacao a alteracao de um post em qualquer pais do mundo. E COMO eu gostaria de cortar 80 por cento das virgulas brasileiras… voce nao tem ideia. Mas nao eh da -digamos- jurisdicao do editor editar textos nao pagos.
Repetindo: isso nao eh so no Brasil, eh no mundo inteiro.
joseph
21 de setembro de 2016 2:36 amPrezados,
obrigado pela apreciação.
Lembro apenas que a maior parte dos equívocos, lacunas e contra-sensos linguísticos foram justamente fruto da revisão (em alguns pontos parece que a cópia deixou de fora palavras e frases importantes)
João de Paiva
21 de setembro de 2016 12:27 pmAcho que houve confusão.
Prezado Ivan de Union, prezados demais leitores, prezado Joseph.
Os que acompanham os comentários que faço devem ter percebido que sou intransigente defensor da legalidade, da ética, da integridade. Sendo assim, JAMAIS eu incentivaria ou apoiaria qualquer tipo de falsificação. Quem faz isso como rotina são as publicações esgotíferas do PIG, como a “óia”. Quem, num passado distante, remeteu alguma carta para essa revista, e teve algum trecho dela publicado, sabe muito bem o que é manipulação, distorção e falsificação. Não é nada disso que proponho, evidentemente.
Com freqüência faço críticas aos editores das matérias publicadas no GGN, apontando erros de ortografia, de concordância, ambigüidades, troca de nomes e sobrenomes, prolixidade ou contradição explícita, já que em desacordo com o raciocínio e tese desenvolvida, etc. E na maioria das vezes os editores revisam o texto e fazem as correções que sugiro, sejam eles os autores ou apenas editores e publicadores.
Quanto a ser, ou não, da jurisdição dos editores revisar/reeditar textos não pagos, relembre o exemplo das cartas de leitores a revistas como a que citei no primeiro parágrafo.
Cada um de nós tem o próprio estilo. Uns preferem maior formalismo e erudição, outros optam por escrever de forma mais coloquial. Há os que não usam vírgulas por opção e estilo e outros por não saberem empregá-las corretamente; há também os que exageram no uso desse sinal de pontuação, seja por incompetência, seja por pedantismo e falsa erudição. O que posso dizer é que os grandes literatos (quase todos modernistas ou pós-modernistas), que subevertiam a escrita mais formal e erudita, adotando estilo coloquial, o faziam por opção e para se libertarem de uma camisa-de-força que os parnasianos lhes queriam impor. Mário de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Oswald de Andrade, Augusto de Campos, João Ubaldo Ribeiro, José Saramago e muitos outros eram grandes conhecedores da língua e poderiam ser formais e eruditos, se assim o desejassem.
Como o Joseph interagiu contigo, a partir do comentário que fiz e da tua réplica, mostrando-se atento às observações dos leitores, considero razoável publicar uma versão revisada do texto escrito por ele. Observa que não distorci nem manipulei absolutamente nada. Apenas enfatizei os tópicos que considero essenciais, críticos. Deixemo que o Joseph se manifeste a respeito.
Meu abraço.
João de Paiva
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A narrativa do golpe em movimentos bem marcados
Por Joseph
Comentário ao post “Xadrez do não tempos provas, mas temos convicção”
Contrariando a minha proverbial moderação, e porque o blogueiro não parece ter atentado para a importância do que vou expor, peço licença para fazer um último apelo para chamar a atenção para a questão mais importante do momento, no meu entender.
Quem sabe alguma boa alma, com espaço na imprensa, possa se começar a convencer-se do que eu já estou convencido.
Não é um xadrez, mas talvez seja útil dividir a narrativa em “movimentos”.
1. Léo Pinheiro é o protagonista de uma das delações mais demoradas e, segundo as notícias, mais conturbadas de todo o processo da Lava Jato, com denúncias de pressão, recuos, reviravoltas, resistências.
2. Depois de muito tempo, a Veja publica o que seria um fragmento dessa delação, envolvendo um ministro do Supremo. Há grita, o Supremo reage, e a delação é “cancelada” pela PGR.
3. Na semana seguinte, a mesma revista publica outros pedaços da delação, envolvendo Aécio e Serra, sim, mas também Lula – a quem serviria certamente para garantir uma condenação de uns 50 anos de cadeia para o ex-presidente (ao menos no tribunal do Serginho).
4. Pouco tempo depois do cancelamento – e as razões para ele são bem menos importantes do que parecem ao Nassif – Léo Pinheiro é preso de novo. Uma prisão estranhíssima, baseada num requerimento datado de março.
Ainda mais estranhamente, Léo Pinheiro não reclama. Nada diz contra a flagrante arbitrariedade que lhe atinge e, pelo contrário, se apressa em se dispor a um depoimento ao juiz.
(Para apreciar, digamos, “expressividade” desse ponto, basta comparar com a atitude de Bumlai, que não parece disposto a delatar, quando Moro, recentemente, lhe colocou de volta na cadeia: tá esperneando até agora).
5. De fato, em questão de dias depois de voltar à custódia, Pinheiro aparece diante de Serginho bastante pilhado, dizendo-se claramente disposto a “confessar todos os seus crimes” não importa a quem eles possam “atingir”.
O recado é claro.
O pessoal achou que ele não quis entregar o Lula. Mas naquele momento ele não podia, pois não era o Lula que estava em questão.
6. Na semana seguinte a esse depoimento, o MPF finalmente faz a denúncia contra Lula e Pinheiro.
Na denúncia, o único elemento objetivo que liga a Petrobras ao Tríplex é a suposta existência de uma “conta geral” de propinas ao PT que abasteceria uma “subconta” destinada a pagar vantagens a Lula.
Ora, como publicou hoje a Folha num acesso extemporâneo de jornalismo, e como eu venho dizendo desde a quarta-feira (sim, eu li a denúncia de cabo a rabo!), essa informação não consta de nenhum lugar do processo, mas é exatamente igual à suposta delação vazada e publicada pela Veja.
Bem, você pode perguntar, e daí?
7. Todos os dados ou “movimentos” acima, que não são especulativos, mas estritamente factuais, indicam duas coisas claramente:
A) Foi usada uma informação obtida extra-oficialmente, fora dos autos, para basear uma peça processual, o que é, em si mesmo, nada mais nada menos do que uma fraude, que coloca o processo como passível de nulidade.
B) Ao contrário do que pensam muitos, que dizem que os procuradores foram patetas e bobinhos, a intenção de colocar essa informação na base da denúncia – obviamente um risco – é claramente “lavá-la” com a sua confirmação por Pinheiro (combinada? Coagida?) quando este apresentar a sua defesa no processo ou, de forma mais simples, quando ele for depor (nesse sentido eu não sei de onde nasce a confiança de que Pinheiro não delatou ou vai delatar Lula. Lembrem que Delcídio negou até o último instante que havia feito uma delação).
Lembremos que esse modus operandi já foi detectado na Lava Jato. Não faz muito tempo a Carta Capital denunciou que a contadora de Yousseff, Meire Poza, passava informações extra-oficialmente para a PF do Paraná, que depois as “lavava” com batidas encenadas.
8. A partir daqui a coisa toda vai se resumir a um jogo de pressões e de versões, e o MPF sabe disso.
É clara e manifesta, a meu ver, a intenção de fazer com o depoimento de Pinheiro o que fizeram com as escutas divulgadas ilegalmente: provoca-se uma explosão na opinião pública – as bombásticas revelações do empreiteiro – para encobrir ou engolir a fraude ligada à obtenção da informação como mera irregularidade ou falha processual, pela qual caberia apenas um pedido de desculpa.
Mas aí, meus amigos, e a força-tarefa sabe disso, o estrago já estará feito.
Ninguém mais poderá conter a destruição de Lula, nem na opinião pública (objetivo imediato) nem mesmo, como mostra o antecedente da escuta, nos tribunais, que certamente não se atreverão a deixar os crimes de Lula passarem impunes.
9. Por tudo isso, eu não consigo entender a inércia do nosso lado em denunciar essa fraude e essa farsa, falando de “falta de provas” a propósito da denúncia da Folha, erra completamente o ponto da questão.
Se os passos – para mim evidentes – dessa fraude não forem antecipados e denunciados (como fez o Eduardo Guimarães, por exemplo, com os grampos no Lula, ou esse blogueiro, no episódio pós-eleitoral do conluio entre Toffolli e Gilmar para rejeitar as contas de Dilma), e a armação entre Moro, MPF e Leo Pinheiro (muito provavelmente) não for desmascarada, não vai adiantar nada gritar quando o que eles têm planejado se realizar.
No momento em que Léo Pinheiro abrir a boca, Lula e a democracia brasileira estarão definitivamente derrotados pelo maior moedor de carne humana que o mundo já viu – o nosso oligopólio da informação.
A meu ver, tem-se não mais do que 7 ou 10 dias para tentar desarmar essa bomba programada. Para desacreditar a manobra e, com elas, a espontaneidade e veracidade das “revelações” de Pinheiro.
É o tempo de Serginho aceitar a denúncia e começar a instrução.
Nassif, o que você está esperando para fazer isso? Provas? Convicção?
Indícios fundados, como mostro acima, existem muitos. Se não anteciparmos alguma coisa importante vai morrer.
Maria Luisa
20 de setembro de 2016 7:53 pmDelações e torturas
Essas ultimas delações tornaram-se verdadeiras torturas, que em qualquer pais com uma imprensa livre, ja teria sido questionadas e denunciadas.
A delação de Marcelo Odebrecht virou fumaça. Sabe-se que Marcelo Odebrecht jamais quis fazer delação nenhuma e por isso esta na masmorra de Curitiba. Até Emilio Odebrecht, segundo os torturadores, quero dizer, os procuradores, deveria também fazer uma “delação.”
Mas a verdade é que, se delação foi feita, ela não “demoliu com Lula e Dilma” e ai não interessa aos “justos” da Lava Jato. Isso quando eles não induzem os delatores a dizer o que eles querem ouvir. Eh sinistro.
Quanto ao Léo Pinheiro…. Ao ler o vai e vem com esse homem, fica a impressão de que ja vi esse filme antes. E o Brasil, na época, era uma ditadura militar.
emerson57
20 de setembro de 2016 8:10 pmprejuízo
Existe uma guerra. Isto NÃO vai acabar bem!
Um lado é coeso, tem comando, e tem objetivos (O présal é um deles). Não tem a preocupação de ser ou parecer honesto. Conta com uma legião de midiotas em todo o estrato social. Esse povo é aguerrido e trabalha de graça. Além disso esse exército detém o poder, os principais meios de informação e tem infriltados, inclusive nas forças armadas (que em determinado momento sairão dos quartéis), judiciário, legislativo e nas polícias. Em alguns desses organismos eles são maioria, para não dizer a totalidade.
Os patriotas do outro lado são desunidos, não sabem contra o que está lutando. São, apesar da maioria numérica, muito mais pobres e desarmados de meios que o outro. Vão acabar assistindo o seu líder mais carismático sendo preso pela tv. No jn , na véspera da eleição municipal ou na véspera do Natal.
Duas observações:
Um milagre se o lado dos patriotas vencer.
Infelizmente o Brasil terá a sua primavera.
Frederico Firmo
20 de setembro de 2016 9:06 pmEsta é a nossa “elite”.
Dá suporte a Cunha e depois o vende. Vive dos empreiteiros e depois os vende. Dão suporte a Aécio e ele vira ṕó. Babam FHC e nele tudo se em Serra. Não eles não são nem unidos nem tremendamente inteligentes. Eles tem o poder histórico sobre as nossas instituiçoes. E não se esqueçam que durante os governos Lula e Dilma muitas das Instituiçoes de Estado foram criadas e ou reguladas. E a elas, na vã esperança de construir um estado muita esperança se depositou. Mas estas instituições por assim serem são o objeto da destruição. Isto porque ainda estão nas mãos das velhas oligarquias, das velhas sociedades, das velhas organizações de amigos e famílias. E assim eles vem destruindo uma a uma todas as instituiçoes afim de mantê-las como outrora, apenas sinecuras para os de sempre. Ao dar força a Cunha destruiram o legislativo. Ao dar força a Mendes e outros destruiram o Judiciário, acabaram com a CGU, destruiram a independencia da Comunicação Governamental e poderia continuar por muitas linhas…….
E agora se digladiam entre aqueles que querem continuar donos do estado e aqueles querem vender todo o estado. Os que querem vender todo estao estão ganhando no momento, mas não se sabe até quando. E assim o nosso claudicante governo do usurpador,não sabe se aumenta o deficit, e se mantem no poder ( o pmdb sempre viveu disto) ou se se ajoelha ( por um punhado de moedas ) ao Deus Mercado. Há os que não querem ceder a galinha dos ovos de ouro ( Petrobrás), e os querem vender a galinha. Nenhum deles pelas razões importantes, em ambos os casos é apenas uma questão de negócios. Quando os holandeses invadiram Pernambuco, boa parte das elites de então ( fugindo dos impostos) se aliou aos Holandeses, que os encheram de dinheiro. Quando os holandese cobraram os empréstimos, todos se tornaram patriotas, todos defenderam o solo patrio. Assim me parece que nada mudou. Não sei quando venderão Serra e só espero que o façam bem antes que esta figura acabe com tudo. Lembrem-se que não há inteligência em nenhum dos atos deste usurpador, em nenhum dos atos de Cunha eles apenas se pegou o tacape . Colocar Parente na Petrobŕas, não é um ato de inteligência é apenas usar o tacape. Uma operação que não investiga, mas sim paga informantes ( Cerveró, Youssef Paulo Roberto Costa….) e também quem julga. As peças jurídicas só assim o são porque a nossa elite judicial funcionando como uma tacape, assim o permite. Portanto não creio muito nem na união nem na inteligência. desta elite, mas eles continuam com o tacape e ainda tem um poder de destruição imenso. quanto a nós também estamos devendo.
carlos a.
20 de setembro de 2016 9:14 pmcobranca
e ai, nassif? como se diz hoje, a narrativa do joseph esta muito bem construida.
Pedro Augusto Pinho
20 de setembro de 2016 9:23 pmPrezado
Não esmiucei, nem
Prezado
Não esmiucei, nem mesmo li toda peça acusatória como o fez.
Mas, com meus botões, pensei que estes procuradores não seriam ingênuos nem imbecis para
simplesmente dar vexame. Deveria, e você o confirma, estar tudo previamente articulado, com Janot,
com Moro e talvez até com o Departamento de Estado. O PIG nem precisa, está aí só para isso.
Cria-se a surpresa da prova na forma de denúncia, vaza com a técnica de profissional para estontear
o mais avisado leitor e …. pronto. Até Macri vem para a prisão do Lula, desmoralizado por um corruptor.
Não é a glória?
bfcosta
20 de setembro de 2016 9:33 pmAcho que este aviso veio
Acho que este aviso veio tarde demais…
http://brasil.elpais.com/brasil/2016/09/20/politica/1474404727_568148.html
Sérgio Moro aceita denúncia e Lula vira réu
Ex-presidente é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro por caso ligado a OAS
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GIL ALESSI
São Paulo 20 SET 2016 – 18:32 BRT
O ex-presidente Luiz lnácio Lula da Silva se tornou nesta terça-feira réu pelos crimes de corrupção passiva, ativa e lavagem de dinheiro por sua suposta participação no esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato. Segundo o juiz federal Sérgio Moro, a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal na semana passada apresenta “indícios suficientes de autoria e materialidade”. A mulher do petista Marisa Letícia Lula da Silva, e o diretor do Instituto Lula, Paulo Okamotto, também irão responder a processo. É a segunda vez que Lula se torna réu. Ele já responde a processo por obstrução da Justiça desde julho, em caso relacionado a Lava Jato que corre na Justiça Federal de Brasília.


O juiz Sérgio Moro. LULA MARQUES/ AG. PT
De acordo com a denúncia, o ex-presidente teria recebido 3,7 milhões de reais em propinas da empreiteira OAS. O pagamento, de acordo com a acusação, teria sido feito de maneira dissimulada por meio da entrega de um apartamento tríplex no Guarujá, da reforma feita deste mesmo imóvel e da contratação de uma empresa de transportes para armazenar parte do acervo pessoal de Lula em um galpão da empresa Granero na Grande São Paulo. Na semana passada, os advogados do ex-presidente negam que ele tenha cometido qualquer crime, reafirmam que ele não é dono do triplex e caracterizaram a ação como política.
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No despacho, em que usa um tom brando para seus padrões, Moro afirma que “nessa fase processual não cabe exame aprofundado das provas, algo só viável após a instrução e especialmente o exercício do direito de defesa”. A denúncia da força-tarefa foi muito criticada por, de acordo com especialistas, não apresentar provas materiais que embasassem as acusações. O magistrado escreve que a aceitação da denúncia “não significa juízo conclusivo quanto à presença da responsabilidade criminal”, e que está ciente de que sua decisão de tornar o petista réu pode “dar azo a celeumas de toda a espécie”.
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Mais adiante, Moro afirma que alguns dos elementos probatórios da denúncia do MPF – que chamou Lula de “comandante da propinocracia” – são “questionáveis, mas nessa fase preliminar, não se exige conclusão”. O juiz também destaca que apesar dos acusações, a força-tarefa não denunciou o petista por formação de quadrilha (algo que seria esperado caso houvessem provas de sua liderança no esquema), mas afirma que “esse fato está em apuração perante o Egrégio Supremo Tribunal Federal”.
Moro levanta a hipótese de que Lula e Marisa apenas não transferiram formalmente o apartamento do Guarujá para seu nome devido à prisão do empreiteiro Léo Pinheiro, em novembro de 2014. “É possível que ela [transferência] tenha sido interrompida pela prisão preventiva (…) do Presidente da OAS, o acusado José Adelmário Pinheiro Filho”.
Com relação à Marisa Letícia, o juiz afirma que “embora haja dúvidas relevantes quanto ao seu envolvimento doloso”, sua “participação específica nos fatos e a sua contribuição para a aparente ocultação do real proprietário do apartamento [do Guarujá] é suficiente por ora para justificar o recebimento da denúncia também contra ela e sem prejuízo de melhor reflexão no decorrer do processo”.
Além de Lula, Marisa e Okamotto, também se tornaram réus na ação José Adelmário Pinheiro Filho, Agenor Franklin Magalhães, Fábio Hori Yonamine, Roberto Moreira Ferreira e Paulo Roberto Valente Gordilho, da empreiteira OAS.
Ugo
20 de setembro de 2016 9:44 pmpinel sem mais remédio
E o power point do beato dallagnol convenceu o Moro.
Em curitiba as convicções são reais.
Ivan de Union
20 de setembro de 2016 9:54 pmCaro BFCosta: o ElPais eh
Caro BFCosta: o ElPais eh uma merda. Completa.
José S. Montes
20 de setembro de 2016 11:30 pmÔ, meu povo!
Ô, meu povo, isso aqui é América Latina, não há nada de mais acontecendo – é só mais uma perseguição política. Se essa barbárie fosse na Suécia, Noruega, Canadá, Austrália ou Nova Zelândia, aí sim era o fim do mundo.
Golpe na América Latina? Perseguição política na América Latina?… Não há América Latina, se não houver golpe e perseguição política. Simples assim.
É tristíssimo, é terrível, é abominável, mas é a verdade.
Francisco de Assis
20 de setembro de 2016 11:57 pmO motivo para a nova prisão de Léo Pinheiro
O motivo para a nova prisão de Léo Pinheiro
Diz o Joseph, autor da matéria: “4. Pouco tempo depois do cancelamento – e as razões para ele são bem menos importantes do que parecem ao Nassif – Léo Pinheiro é preso de novo. Uma prisão estranhíssima, baseada num requerimento datado de março.”
O motivo principal é a tortura no prisioneiro.
Outro motivo já foi usado pelos procuradores na própria denúncia: pedem celeridade processual por haver réu preso. É claro que se o MPF pedisse para prender alguém no caso, seria unicamente o Lula ou então Lula e outros, mas sempre incluindo Lula. Ora, dos 8 denunciados, 4 ligados à OAS e 4 ligados a Lula, o único preso é Léo Pinheiro, via a “prisão estranhíssima”, como diz o Joseph. Conclusão: Léo Pinheiro já garante o rito sumário para o julgamento a jato de Lula, sem precisar que Moro & Procuradores se arrisquem a prender o Lula e provocar uma conflagração social no Brasil.
joseph
21 de setembro de 2016 2:40 amO que fazer? perguntam
Denunciar a fraude com a maior insistência e a maior contundência possível.
De modo que se e quando Pinheiro fizer a parte dele no show já programado Lula tenha legitimidade para abandonar de vez a pantomima judicial – posto que não passa de pantomima – e denunciar o processo político com cada vez maior veemência.
Vai dar certo? Só Deus sabe.
E, nesse sentido, o que significa exatamente “dar certo”?