Embate interno entre Lava Jato e PGR guarda possíveis desvios de investigações

Jornal GGN – Um novo embate está sendo fomentado dentro do Ministério Público Federal (MPF) de Augusto Aras. Se o procurador-Geral da República já enfrentava oposições internas por suas polêmicas decisões, quase de forma unânime para atuar em defesa do presidente Jair Bolsonaro, a frente da Lava Jato de Curitiba decidiu ampliar este espaço de embate, desde que o ex-juiz Sérgio Moro abandonou o governo Bolsonaro.

Recentemente, três procuradores da Lava Jato de Brasília pediram demissão, em reação à subprocuradora Lindora Araújo, apontada como próxima de Aras, que comanda a Operação em Brasília e que tentou obter dados sigilosos das investigações de Curitiba.

Mas não foi somente este fato que motivaram o pedido de demissão dos integrantes da Lava Jato. Araújo teria se posicionado em confronto às posições da Lava Jato de Curitiba em diversas ocasiões.

Coincidentemente, as reações de oposição dos defensores da Lava Jato de Curitiba tornaram-se visíveis desde que o ex-juiz e então ministro da Justiça, Sérgio Moro, deixou o governo de Jair Bolsonaro com fortes críticas ao mandatário e acusação de interferência na Polícia Federal (PF). Em seus últimos movimentos, Moro também demonstrou que ampliará as críticas e estampará posições com vistas ao pleito presidencial de 2022.

Mas dentro do MPF de Brasília, a revista Piauí divulgou que os confrontos entre integrantes da Lava Jato e a escolhida por Aras para comandar a Operação ocorreram em diversas ocasiões. E o primeiro embate ocorreu em abril, novamente coincidindo com o mês que Moro abandonou o governo.

Naquela ocasião, a subprocuradora sugeriu que a Lava Jato desbloqueasse os recursos do empresário Jacob Barata, conhecido como o “Rei do Ônibus”, na Suíça. Ele foi preso duas vezes em 2017, pela Lava Jato, e foi condenado no último ano a 12 anos de prisão, relacionado a pagamento de propina a membros da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio).

Em outra suposta interferência de Lindora Araújo é apontada pelos membros da Lava Jato de Brasília sobre a delação premiada de Rodrigo Tacla Duran. Após diversas barreiras apresentadas tanto a nível da Procuradoria-Geral da República, desde 2017, as acusações de Duran contra o próprio ex-juiz da Lava Jato Sérgio Moro poderiam voltar a ser investigadas.

O último movimento feito pela Lava Jato foi de novamente tentar arquivar as apurações por considerar os argumentos contra Moro “fracos”. Mas a subprocuradora encaminhou a proposta de delação de Tacla Duran da Lava Jato e encaminhou ao assessor especial de Augusto Aras, o procurador João Paulo Lordelo.

No caso específico sobre a tentativa de Araújo acessar os dados da Lava Jato de Curitiba, a procuradoria-Geral negou o suposto ato, e informou que outros membros assumirão o GT da Lava Jato em Brasília e que as investigações não irão ser prejudicadas.

Paralelamente a este conflito exposto pelos próprios procuradores lavajatistas, há ainda informações de que os membros da Lava Jato de Brasília estavam sendo investigados por suspeitas de desvios. De acordo com reportagem do Consultor Jurídico da última sexta (26), haveria mais de mil inquéritos paralisados em Curitiba. A Lava Jato de Curitiba nega.

 

Redação

Redação

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  • O que sobrou de palanque para o camisa preta do Paraná?
    Ficou sem a capa de pano que lhe permitiu, ainda que ilegalmente, ter poderes absolutistas.
    Perdeu o cargo de ministro que,em tese,lhe deveria dar um belo palanque justiceiro.
    Sobraram esses amiguinhos golpistazinhos e a mídia golpista e,para esses continuarem a existir, a famigerada operação não pode ser mais arranhada do que já está.
    Ocorre que o atual PGR não está disposto a abrir mão dos holofotes a que tem direito.
    Diferentemente do camisa preta do Paraná, ele vai demonstrar ao sujeito que ocupa a presidência da República que ele prejudica menos o governo no STF do que na PGR mesmo sem ser terrivelmente evangélico, sendo somente terrível.

  • Ninguém se demite sem um motivo e mais, sem perspectiva de ganhar mais dinheiro em outro lugar. Ainda mais os "lavajatistas", mais profundamente privatistas que muitos empregados em empresa privada, talvez até mais que alguns empresários conscientes, responsáveis e consequentes.

    A turma tá é pulando do barco antes que afunde junto e provavelmente "passarão a dar aulas", eufemismo para "receberão para ajudar empresários corruptores que os apoiaram", falando aberto em palestras e baixinho nos bastidores..

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