Empresário investigado na Operação Turbulência pode ter sido envenenado

Jornal GGN – A morte do empresário Paulo Cesar de Barros Morato, que teve prisão preventiva decretada pela Polícia Federal na última terça-feira (21), permanece um mistério. O IML da Paraíba ainda vai realizar novos exames em seu corpo. A principal suspeita para a causa da morte é de que ele tenha ingerido veneno.

Morato estava foragido. Ele foi encontrado na suíte de um motel em Olinda, sem marcas de agressões físicas nem ferimentos. Ele deu entrada no motel às 12h da terça-feira. Os funcionários do estabelecimento estranharam quando o tempo passou e ele não renovou a diária nem fez qualquer pedido de bebida ou alimentação.

De acordo com o médico legista, o óbito pode ter acontecido na terça-feira mesmo e não na quarta-feira, quando o corpo foi descoberto.

Morato era suspeito de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro que talvez esteja relacionado com a campanha à presidência do ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, morto em agosto de 2015 em um acidente aéreo.

Da Rede Brasil Atual

Segue mistério sobre morte de empresário envolvido na Operação Turbulência

Por Hylda Cavalcanti

Paulo Cesar de Barros Morato integrava um esquema que pode ter lavado recursos para campanhas do PSB. Caso está sendo apurado pela Polícia Federal. Ainda não se comprovou suicídio ou assassinato

Brasília – Notícias divulgadas na tarde de hoje (23), em Recife, ainda mostram que a morte do empresário Paulo Cesar de Barros Morato, que tinha tido prisão preventiva decretada na terça-feira (21), pela Polícia Federal, continua repleta de mistérios. Pesavam sobre Morato indícios de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro que pode chegar a R$ 600 milhões e pode ter relação com a campanha à Presidência do ex-governador pernambucano Eduardo Campos, em 2014, pelo PSB (morto em agosto do mesmo ano em um acidente aéreo) e campanhas anteriores do mesmo partido.

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O corpo do empresário será levado de Recife para o Instituto Médico Legal (IML) da Paraíba, para novos exames. As principais suspeitas são de que ele tenha ingerido veneno, mas não está descartada a possibilidade de assassinato.

De acordo com o médico-legista Marcos Justino, responsável pela necropsia, apesar de ter sido constatado que o empresário não tomou bebida nem fez uso de medicamentos nas últimas horas que antecederam sua morte, o óbito pode ter acontecido na terça-feira e não ontem, quando foi descoberto. O legista também disse – segundo reportagem do jornal Folha de Pernambuco – que a transferência do corpo para outro IML tem como objetivo permitir a realização de um exame toxicológico mais detalhado.

Morato, que estava foragido e passaria a constar na lista de procurados pela Interpol, foi encontrado na suíte de um motel em Olinda, cidade da região metropolitana de Recife, sem marcas de agressões físicas nem de ferimento. Ele deu entrada no motel às 12h da terça-feira e os funcionários do estabelecimento só descobriram que havia algo errado quando acharam estranho o fato de alguém estar há tanto tempo no local sozinho e sem renovar a diária, nem fazer qualquer pedido de bebida ou alimentação.

Perícia cancelada

Várias entidades pernambucanas questionaram, ao longo do dia, se o caso deve permanecer com a Policia Civil do estado ou se deve ser transferido em caráter imediato para a alçada da Polícia Federal. Mas o que provocou surpresa entre repórteres e pessoas que apuram detalhes sobre o ocorrido foi o fato de a equipe policial escalada para realizar a perícia no motel ter chegado ao local por volta das 11h e nem sequer ter entrado na área.

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Tudo o que foi divulgado a respeito foi que os peritos receberam uma ordem superior para que não entrassem na cena do crime, na hora em que se preparavam para iniciar os trabalhos. Até agora não foi dada explicação oficial sobre essa suspensão das atividades e a área próxima à suíte continua interditada.

Morato era suspeito de integrar uma organização criminosa formada por, pelo menos, 18 empresas que seriam de fachada e tinham abastecido campanhas políticas de Pernambuco e de todo o Nordeste.

Ele foi apontado como dono da empresa Câmara & Vasconcelos Locação e Terraplenagem Ltda. E foi citado pelo Ministério Público como um dos responsáveis pelo aporte de recursos para a aquisição da aeronave Cesnna, que transportava o ex-governador em 2014, durante o acidente que vitimou Campos e outras seis pessoas.

O grupo foi descoberto pela PF a partir das investigações que apuravam quem seria o dono do avião que transportava Eduardo Campos por ocasião do acidente. Segundo o assessor de imprensa da Polícia Federal, Giovani Santoro, um agente federal está acompanhando as investigações para observar se a morte do empresário tem algo relacionado ao caso, intitulado como Operação Turbulência.

Petrobras e Transposição

O esquema de lavagem de dinheiro que está sendo investigado pela operação já apura o envolvimento de 30 pessoas nos estados de Pernambuco e Goiás. As suspeitas principais são de que o esquema montado tenha sido utilizado no financiamento de campanhas de Campos de 2010 e 2014. E que também tenha atuado no desvio de recursos da Petrobras e das obras de transposição do Rio São Francisco.

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“Detectamos nomes de políticos entre os beneficiários dos recursos, mas ainda não podemos afirmar que apenas políticos faziam uso do esquema. Acreditamos que seja um trabalho mais amplo que levará à conclusão das investigações”, afirmou a delegada de Combate à Corrupção, Andréa Pinho, que está atuando no caso. Em nota, o PSB disse que vai esperar a conclusão das investigações e que tem confiança na honestidade de Campos, que na época da morte era também presidente nacional do partido.

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13 comentários

  1. E aí, Kotscho, continua com a mesma opinião?

    Nassif,

    Permita-me, por favor, rememorar um texto escrito pelo nobre Ricardo Kotscho, quando do aniversário de um ano da morte do Excelentíssimo ex-governador de Pernambuco, o saudosíssimo Eduardo Campos.

    Publicado em 10/08/2015 às 11p2

    Um ano depois, a falta que faz Eduardo Campos

    Eduardo Henrique Accioly Campos era o mais promissor, carismático e preparado líder da nova geração de políticos brasileiros, tão carente de lideranças.

    Eu tinha chegado a esta conclusão depois de duas longas conversas com ele para fazer reportagens e entrevistas publicadas na “Brasileiros”, nos anos de 2010 e 2012, que podem ser acessadas no arquivo digital da revista.

    Esta semana, em que uma série de homenagens lembrará um ano da sua trágica morte em acidente aéreo, no início da campanha presidencial de 2014, poderemos refletir um pouco sobre a falta que ele nos faz.

    Candidato a presidente, depois de ter governado Pernambuco por dois mandatos, Eduardo morreu muito moço _ faria 50 anos nesta segunda-feira, 10 de agosto _ mas falava e agia como um craque experiente, tocando a bola de primeira no gramado da política, conhecedor do seu ofício, aprendido desde menino com seu avô, Miguel Arraes, que também morreu num dia 13 de agosto.

    “A nova cara da política” foi o título da matéria publicada na edição de novembro de 2010. Conversamos dias antes das eleições gerais daquele ano, em que ele já despontava como o grande campeão nacional de votos (teve 82,84%) na sua reeleição para governador. Ficou combinado que só publicaria a entrevista se as urnas confirmassem as pesquisas.  “Está na hora de fazer uma reforma para aproximar o povo da política”, disse-me ele ao final do nosso papo, que atravessou a tarde no Palácio do Campo das Princesas. Saí de lá convencido que ele não tinha planos apenas para Pernambuco, mas para o país. Estava nascendo ali uma futura candidatura a presidente da República.

    Mais certeza disso tive dois anos depois, quando fui conversar com ele sobre os rumos da campanha municipal de 2012, que ficou marcada pelo rompimento de Eduardo com o PT, seu antigo aliado na Frente Popular do Recife, após uma série de desencontros com o velho amigo Lula. “Lula X Eduardo Campos” foi o título desta reportagem. O candidato a prefeito apoiado pelo governador ganharia com folga do candidato do ex-presidente, que nem iria para o segundo turno.

    Tinha marcado uma conversa com Evaldo Costa, seu fiel assessor de imprensa, uma das heranças que recebeu de Arraes, mas assim que desembarquei no aeroporto dos Guararapes a secretária de Eduardo me ligou avisando que o governador estava me esperando para o almoço no Centro de Convenções de Olinda, onde ele estava despachando, enquanto o Palácio do Campo das Princesas passava por uma reforma.

    Um trecho da matéria:

    “De bom humor e animado como sempre, o governador pernambucano mostrou apetite para repetir o prato e não parou de falar de política durante o longo almoço com cardápio trivial. Só depois do cafezinho, conforme o combinado, peguei meu caderno de anotações e a caneta e fui direto ao assunto desta reportagem: como ele está analisando o cenário da disputa de 2012, principalmente nas capitais onde se enfrentam PT e PSB, tendo como pano de fundo a sucessão presidencial em 2014”.

    Eduardo contou ao final como se deu o desenlace com Lula e o PT:

    “Fiquei sabendo pela imprensa que o Humberto Costa (atual senador) seria o candidato do PT com João Paulo de vice”. Inconformado, o então governador ligou para o ex-presidente: “Estou falando do gabinete onde o doutor Arraes recebeu os milicos, não sou homem de ser enquadrado por ninguém. Posso ser convencido, mas enquadrado, não”.

    Assim era Eduardo Campos. Impossível saber como seria hoje o Brasil se o avião dele não tivesse caído, mas certamente não seria o mesmo, este deserto de projetos e de ideias.  Tudo o que aconteceu depois, porém, reforçou minha certeza de que ele era o melhor, para o país, entre os quatro candidatos principais que disputaram a última eleição presidencial, como comentei com os amigos, após as nossas conversas no Recife, e pela experiência de ter trabalhado na mesma equipe (ele era ministro de Ciência e Tecnologia e eu Secretário de Imprensa) e morado no mesmo hotel, nos dois primeiros anos do governo de Lula.

    “Se estivesse vivo, o desfecho e o quadro político e econômico não seriam diferentes. Mas ele seria uma voz equilibrada em meio ao caos, uma voz com reconhecimento nacional para ajudar a liderar a busca de um caminho”, disse o presidente da Fundação João Mangabeira, ex governador Renato Casagrande, ao jornal O Globo.

    Marina Silva, que era sua vice e assumiu o lugar de Eduardo na candidatura presidencial do PSB, foi na mesma linha: “Creio que Eduardo estaria percorrendo o país para conversar com as lideranças regionais, insistindo em temas como o pacto federativo e a reforma tributária, estaria na luta. Sua presença certamente daria mais qualidade à política brasileira”.

    Estas opiniões refletem a minha. E o que pensam a respeito os nossos caros leitores do Balaio?

    Vida que segue.

     

    http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/um-ano-depois-a-falta-que-faz-eduardo-campos/2015/08/10/

     

    Nassif,

    Os grifos são meus, mas as opiniões do experiente e respeitado jornalista.

    É verdade, prezado Kotscho, “Vida que segue” e “FATOS QUE SE SUCEDEM”! 

    • O cadáver foi encontrado

      O cadáver foi encontrado morto é uma pérola “Padrão FEBEAPÁ”.  Me desculpe, Frederico, mas também é da série “perco o amigo mas não perco a piada”.

  2. Lerdeza…

    Dois anos para achar o proprietário de um avião, e que ainda morreu gente famosa….

    Já em Minas Gerais ainda estão procurando pelos donos de 500 Kg de droga que estavam no helicóptero do Perrela. A morte do policial que denunciava ao Aecim…A estranha morte da “modelo” que acarretava dinheiro de políticos… e vai por aí.

    Na falta disso, ressuscitam e matam ao Celso Daniel, para foder com o PT de 4/4 anos.

  3. + comentários

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