Ex-primeiro ministro de Portugal chama Moro de ‘ativista político’

Depois de ser mencionado por Moro, Sócrates respondeu através do site Migalhas e, em seguida, deu declarações em entrevista a uma TV portuguesa.

Jornal GGN – Sergio Moro, ministro da Justiça e Segurança Pública, travou embate com o ex-primeiro ministro de Portugal José Sócrates. Sócrates é alvo da Operação Marquês, e Moro o criticou durante o VII Fórum Jurídico de Lisboa. Depois de ser mencionado por Moro, Sócrates respondeu através do site Migalhas e, em seguida, deu declarações em entrevista a uma TV portuguesa.

Em sua fala no Fórum Jurídico, Moro disse que ‘É famoso o exemplo envolvendo o antigo primeiro-ministro José Sócrates [na Operação Marquês], que, vendo à distância, percebe-se alguma dificuldade institucional para que esse processo caminhe num tempo razoável, assim como nós temos essa dificuldade institucional no Brasil’.

O ex-primeiro ministro não economizou palavras para o revide. ‘O que o Brasil está a viver é uma desonesta instrumentalização do seu sistema judicial ao serviço de um determinado e concreto interesse político. É o que acontece quando um ativista político atua disfarçado de juiz’, disse ele.

Sócrates ainda citou outras situações da Operação Lava Jato, comandada por Moro quando juiz em Curitiba. Falou da condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso na Superintendência da Polícia Federal desde 7 de abril de 2018.

Na entrevista concedida à RecordTV Europa, Moro disse que não debate ‘com criminosos pela televisão’, e que não faria mais comentários. Afirmou que é difícil lidar com ‘esses crimes de grande corrupção’, que envolvem pessoas poderosas. ‘O sistema está preparado para [combater] outro tipo de criminalidade, mas todos os países precisam avançar nessa área e enfrentar a grande corrupção’, disse Moro.

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Em resposta, José Sócrates manifestou-se através de uma nota. E nela, critica Moro por ter validado ilegalmente uma escuta telefônica entre a Presidente da República e seu antecessor no cargo e, também ilegalmente, entrega tal gravação a um canal de televisão que a divulga. Critica o famoso ‘atos indeterminados’ para definir a condenação de Lula e o prende antes da sentença transitar em julgado, violando a Constituição brasileira. E, além disso, em gozo de suas férias e sem jurisdição no caso, impede a decisão de um desembargador quanto à libertação de Lula.

‘O espetáculo pode ter aspectos de vaudeville mas é, na realidade, bastante sinistro’, diz o ex-primeiro ministro. E diz ainda que o que ocorre não é apenas um problema institucional, ‘é uma tragédia institucional’. E promete, ao final da nota, que voltará ao assunto.

Veja a íntegra da manifestação do ex-primeiro-ministro português José Sócrates:

“O juiz valida ilegalmente uma escuta telefónica entre a Presidente da República e o anterior Presidente. O juiz decide, ilegalmente, entregar a gravação à rede de televisão globo, que a divulga nesse mesmo dia. O juiz condena o antigo presidente por corrupção em “atos indeterminados”. O juiz prende o ex- presidente antes de a sentença transitar em julgado, violando frontalmente a constituição brasileira. O juiz, em gozo de férias e sem jurisdição no caso, age ilegalmente para impedir que a decisão de um desembargador que decidiu pela libertação de Lula seja cumprida.

O conselho de direitos humanos das Nações Unidas decide notificar as instituições brasileiras para que permitam a candidatura de Lula da Silva e o acesso aos meios de campanha. As instituições brasileiras recusam, violando assim o Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos que o Brasil livremente subscreveu. No final, o juiz obtém o seu prémio: é nomeado ministro da justiça pelo Presidente eleito e principal beneficiário das decisões de condenar, prender e impedir a candidatura de Lula da Silva.

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O espetáculo pode ter aspectos de vaudeville mas é, na realidade, bastante sinistro. O que o Brasil está a viver é uma desonesta instrumentalização do seu sistema judicial ao serviço de um determinado e concreto interesse político. É o que acontece quando um ativista político atua disfarçado de juiz. Não é apenas um problema institucional, é uma tragédia institucional. Voltarei ao assunto.

José Sócrates

Ericeira, 22 de abril de 2019”

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8 comentários

  1. Moro não tem a menor condição de manter um debate ainda mais com alguém desse naipe. Sócrates vai arrasar com o Conje pois disse que voltará ao assunto.

  2. O ex primeiro ministro foi muito feliz em sua analise, Moro atuou como agente politico, não nos esqueçamos que o Próprio juiz quando questionado se tinha pretensões politicas ,disse que se aceitasse esse caminho , poderia inviabilizar todas as suas ações a frente da lava jato , mas coerência e ética parece não ser o seu forte.

  3. RECADO AO SR. JOSÉ SÓCRATES (se ele pudesse ler algo de um ninguém como eu): Quem foi o grande beneficiado com a morte do ministro Teori Zavaski? Moro, claro. Por quê? Por que moro levou um puxão de orelhas público quando Teori o chamou de criminoso por ter gravado ilegalmente uma conversa telefônica entre a Presidenta Dilma e Lula, vazando essa conversa para a tevê Globo. E Moro aceitou? Sim, pois pediu desculpas publicamente a Teori, através da imprensa, admitindo portanto seu crime. Mas e depois, o que aconteceu? Bem, obviamente Moro não poderia levar um segundo puxão de orelhas do Ministro, pois isso equivaleria a ser afastado dos julgamentos de Lula. Só o que o estilo descumpridor de leis do asno Moro o levaria a um novo puxão de orelhas (afinal, chegou a ser contestado publicamente até pela Interpol quanto aos seus métodos ilegais de “fazer justiça”…e claramente estaria muito próximo um novo puxão de orelhas ou pena mais séria. E então, Sr. Sócrates, o jeitinho dado para que o avião com /teori se espatifasse no mar foi um achado para um fulano como Moro marreco de Maringá. FOI O GRANDE BENEFICIADO…CAUSANDO-NOS UMA SUSPEITA QUE VIRA CONVICÇÃO FÁCIL FÁCIL, COMO ENSINOU O CAFAJESTE DO POWER POINT….Afinal, pra que prova se o verme curitibano/maringaense condenou Lula sem provas…….basta convicção e então algo sopra em nossos ouvidos: o criminoso é assassino também, mandou dar um jeitinho no avião. E tem um bando de idiotas nesse brasilzão afora que acha que esse assassino é gente honesta. Tão honesto que vendeu sua sentença contra Lula para ganhar cargo de ministro da injustiça.

  4. Viram ? Viram ? Portugueses são todos “burros” ! O que se contava não era piada ! E aproveitem a oportunidade, vejam também a perspicácia, a elegância, a verve e a inteligência do brasileiro !

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