Fenaj repudia agressões e declarações de assessor de Bolsonaro

Foto Tania Rego/Agência Brasil

Jornal GGN – A Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) divulgou nota nesta segunda-feira, dia 29, dia seguinte às eleições presidenciais, manifestando ‘preocupação com o futuro da nação brasileira’ após a vitória de Jair Bolsonaro (PSL). Com ‘futuro incerto para a democracia, o jornalismo e os jornalistas’, a entidade evidencia o caráter autoritário do presidente eleito e as agressões a jornalistas durante a campanha eleitoral.

‘A FENAJ e os Sindicatos de Jornalistas não aceitam qualquer tipo de violência contra a categoria e categoricamente afirmam que não há justificativa admissível para as agressões que vêm ocorrendo e que cresceram no ambiente virtual no decorrer da campanha’, afirma a Federação. Mencionam, ainda, o papel dos jornalistas para a ‘democracia e constituição da cidadania’.

No domingo, antes da divugação do resultado da eleição, Eduardo Guimarães, assessor do gabinete de Bolsonaro na Câmara, disparou mensagem para diversos jornalistas chamando-os de ‘lixo’. Na mensagem uma imagem da tela de uma televisão com o resultado da pesquisa boca de urna que mostrou Bolsonaro com 56% das intenções de voto contra 44% de Haddad. ‘Ué, não tava quase empatado? Vocês são o maior engodo do Jornalismo do Brasil!!!! Lixo’, disse o assessor.

Os profissionais que cobriam as comemorações dos eleitores de Bolsonaro relataram, ainda, terem sido hostilizados e questionados pelos manifestantes, que perguntavam o veículo que trabalhavam. Duas jornalistas foram agredidas no Comitê do PSL no Ceará.

A Folha de S.Paulo tornou-se o mais odiado veículo pelos apoiadores do militar, depois da denúncia do esquema de caixa 2 feito por empresários no WhatsApp em favor de Bolsonaro. Patrícia Campos Mello chegou a ser ameaçada após a publicação da reportagem e Anna Virginia Balloussier relatou que quase foi expulsa da comemoração em favor do presidente eleito na noite de domingo. Anna Virginia relatou que os eleitores de Bolsonaro disseram para ela ir ‘escrever matérias na Venezuela’.

Leia também:  O que esperar da guerra de Bolsonaro contra o jornalismo em 2020?, por Rogério Christofoletti

Leia a nota da Fenaj a seguir.

Futuro incerto para a democracia, o Jornalismo e os jornalistas

A Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ, representante máxima da categoria no Brasil, expressa sua preocupação com o futuro da nação brasileira, após a eleição da chapa formada pelo capitão reformado Jair Bolsonaro e pelo general Mourão, também reformado, para governar o país a partir de 1º de janeiro de 2019.

A FENAJ repudia a violência contra jornalistas e, em especial, as declarações do assessor de Bolsonaro, Eduardo Guimarães, que apenas esperou a divulgação, no início da noite de ontem (28/10), das pesquisas de boca de urna indicando a vitória de seu assessorado para enviar mensagem ofensiva a diversos jornalistas de diferentes veículos de mídia. Também ontem, jornalistas foram agredidos enquanto faziam a cobertura das comemorações da vitória de Bolsonaro em mais de um Estado brasileiro.

Os muitos casos de agressões contra jornalistas ocorridos durante a campanha eleitoral e a indiferença de Bolsonaro diante dos ataques reforçam o que a trajetória política dele já demonstrara: o político de ultra-direita é avesso a críticas e não admite ser questionado publicamente, mesmo quando as questões dizem respeito à sua atuação como homem público.

Ainda que Bolsonaro tenha assumido o compromisso de respeitar a Constituição brasileira, é de conhecimento público suas ideias autoritárias, como a defesa da ditadura militar, e até mesmo criminosas, como a apologia à tortura. Resta saber como vai se comportar a partir de agora, e se vai se submeter às regras democráticas, entre elas a do respeito às liberdades de expressão e de imprensa.

A FENAJ e os Sindicatos de Jornalistas não aceitam qualquer tipo de violência contra a categoria e categoricamente afirmam que não há justificativa admissível para as agressões que vêm ocorrendo e que cresceram no ambiente virtual no decorrer da campanha.
Igualmente, FENAJ e Sindicatos não aceitam a retirada de direitos dos trabalhadores e trabalhadoras e estarão nas trincheiras da resistência, para evitar mais prejuízos.

Como deputado, Bolsonaro votou sempre contra os interesses da classe trabalhadora. Estaremos firmes e alertas para impedir que os retrocessos iniciados por Temer se aprofundem ainda mais.

Diante das incertezas do futuro, a FENAJ e seus Sindicatos filiados reafirmam seu compromisso com a democracia, com o Estado Democrático de Direito, com as liberdades individuais e coletivas e com os direitos humanos, trabalhistas e sociais. E lembram que o Jornalismo e os jornalistas têm papel fundamental para a democracia e a constituição da cidadania e que governantes democráticos submetem-se à crítica e, principalmente, à vontade da maioria que, no Brasil e no mundo, é constituída pela classe trabalhadora.

Em defesa da democracia!
Em defesa das liberdades de expressão e de imprensa!
Em defesa do Jornalismo e dos jornalistas!
Em defesa dos direitos da classe trabalhadora!

Brasília, 29 de outubro de 2018.

Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ.

 

2 comentários

  1. Cadê a dona Judith?
    “A

    Cadê a dona Judith?

    “A liberdade de imprensa é um bem maior que não deve ser limitado. A esse direito geral, o contraponto é sempre a questão da responsabilidade dos meios de comunicação e, obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada. E esse papel de oposição, de investigação, sem dúvida nenhuma incomoda sobremaneira o governo.”

  2. Falhas
    A esquerda mais uma vez falhou pelas contradições programáticas de governo. De fato de esquerda temos apenas uma caricatura. Aliás, um auto engano ideológico de botequim. As agressões durante a campanha não contam, mas na entrevista de Bolsonaro ao JN o candidato eleito cometeu um verdadeiro acinte contra a Folha e contra a imprensa. Os partidários e a cúpula petistas cometeram estes mesmos “pecados”.

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