Governo Bolsonaro contabiliza nove recuos em nove dias de gestão

Falta de acordo entre presidente e cúpula reforça imagem de dispersão e falta de planejamento 
 
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
 
Jornal GGN – O governo Bolsonaro completou nove dias de mandato com uma média de um recuo por dia. O levantamento é da matéria de Marina Dias, na Folha de S.Paulo. A avaliação é que os recuos reforçam a falta de planejamento, dispersão e capacidade pouco assertiva do primeiro escalão e do próprio presidente da República. 
 
A primeira pisada na bola aconteceu logo no dia 1º de janeiro. Horas depois de o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, dizer à imprensa que as primeiras ações de Bolsonaro seriam publicadas no dia seguinte, o novo presidente assinou o decreto que reajustou o salário mínimo.
 
Na sexta-feira (04) foi a vez de uma sucessão de derrapadas do governo começando pelo próprio líder. Bolsonaro anunciou o aumento do IOF (Imposto de Operações Financeiras) e redução da alíquota do Imposto de Renda. Sobrou para Onyx anunciar que o presidente havia se “equivocado”. O secretário da Receita Federal, Marcos Cintra, reforçou que os impostos não iriam sofrer aumento.
 
Pouco antes, no dia 2 de janeiro, Onyx havia anunciado a “despetização” do seu ministério, orientando as outras pastas a fazerem o mesmo. Com a medida, o ministro exonerou 320 servidores vinculados à Casa Civil e que foram contratados durante os governos Lula e Dilma. O resultado foi a paralisação o trabalho da Comissão de Ética Pública que perdeu 16 dos 17 funcionários da sua equipe, obrigando o departamento a anunciar, dias depois, a readmissão dos servidores para evitar prejuízos. 
 
Na terça-feira (08), o comandante do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, desmentiu Onyx de que o governo iria anunciar um plano de medidas prioritárias. A proposta teria relação com a divulgação de metas para os 100 primeiros dias da atual gestão, também anunciada pelo chefe da Casa Civil após duas reuniões de Bolsonaro com os 22 ministros, mas nada foi publicado. 
 
O general Augusto Heleno foi responsável, ainda, por acabar com a polêmica sobre a instalação de uma base militar americana no Brasil. O anúncio foi feito pelo presidente durante entrevista ao SBT, e causou preocupação no meio militar. No início desta semana, o governo voltou atrás. 
 
O comandante do GSI foi também quem descartou que não haverá, da parte do governo, interrupção no processo de venda da Embraer para a Boeing, desmentindo Bolsonaro que havia feito declarações no sentido contrário.
 
Os recuos mais recentes aconteceram nesta quarta-feira (09). O governo voltou atrás na suspensão do processo de reforma agrária e nas mudanças no edital de compra de livros didáticos pelo Ministério da Educação. 
 
Nos próximos dias, o governo deverá voltar atrás em pontos que têm defendido na reforma da Previdência. Bolsonaro fala em idade mínima de 57 anos para aposentadoria de mulheres e 62 para homens, contrariando o texto defendido por Paulo Guedes. 
 

2 comentários

  1. Realidade

    “Terra à vista” — brado do vigia, no “Carajo” da frota cabralina.

    Nassif: recuando desse geito, em breve o governo daBala chega a PortoSeguro, para dar boas vindas a frota de Cabral.

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